Capítulo 74 — Perfeito para consolá-la
Natalie Weston
Eu ainda estava firmemente agarrada ao peito dele, e a sensação real era de que uma força magnética e invisível me puxava na sua direção, como se fosse absolutamente impossível me afastar daquele abraço.
E o mais assustador era saber que não era o desespero da dor do luto que me prendia ali; era outra coisa. Era... Era o reflexo daquele sentimento intenso que eu vinha mantendo trancado a sete chaves dentro de mim por tantos anos.
— Quer descer para a sala, Nat? Quer sentar um pouco? Quer que eu te busque uma água? — Lucas perguntou em um tom baixo, antes de me apertar com ainda mais força contra o seu corpo robusto. — Ou você quer apenas continuar recebendo um abraço mesmo...
Notei um leve e sutil tom de diversão carinhosa na voz dele e, apesar de toda a névoa do meu luto, me permiti o luxo de curtir aquele pequeno momento de trégua.
— O abraço está perfeitamente perfeito para mim agora... — respondi, a voz saindo totalmente rouca e anasalada por causa do choro.
Lucas inclinou o rosto e beijou o topo da minha cabeça com total afeto.
— Eu posso te dar absolutamente o que você quiser, minha pequena Naty... E confesso com toda a honestidade que este abraço também está sendo perfeito para mim.
Nós dois soltamos uma risada curta e contida no corredor silencioso, quebrando a rigidez do ambiente.
— Você e o Ade ainda insistem em me tratar o tempo todo como se eu fosse uma criança indefesa de seis anos — pontuei, aninhando-me mais.
Ele se separou do abraço apenas o suficiente para conseguir encarar o meu rosto de frente, fixando aqueles seus olhos escuros e profundos nos meus.
— Como se você realmente não gostasse nem um pouco desse nosso tratamento, Nat.
Dei de ombros de forma descontraída, sustentando o olhar dele.
— Não minto. Eu adoro o privilégio de ser paparicada por vocês dois, mas a verdade é que tem horas em que vocês exageram consideravelmente na proteção...
Ele sorriu de canto e me apertou novamente contra o seu peito, sem hesitar.

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