Capítulo 75 — O peso do sim
Natalie Weston
Lucas ainda mantinha uma das suas mãos espalmada na lateral do meu rosto. Me afastei do toque dele de forma rápida, sentindo o meu rosto queimar de vergonha diante do olhar do olhar e da pergunta do meu tio.
— O Lu… ele chegou bem na hora… e ele me abraçou… e… foi isso. — meu Deus, eu não conseguia nem formar uma frase coerente.
— Minha linda, pra mim o que importa é você estar bem. É o que nós dois desejamos, não é mesmo Lucas? — tio Victor perguntou e ele somente assentiu com um aceno.
— Eu... Eu já estou consideravelmente melhor, tio Victor. Nem o senhor... — desviei o meu olhar timidamente para o Lucas por um breve segundo antes de continuar. — ...e nem o Lucas precisam ficar se preocupando comigo desse jeito. Vai doer por um bom tempo, eu sei disso, mas vai passar. Eu sei que vai. Afinal, eu infelizmente já passei por essa exata dor de perda antes...
Abaixei a cabeça de forma melancólica sem nem perceber, fixando o olhar no chão do corredor, mas senti os dedos firmes de Lucas se prenderem com suavidade no meu queixo, erguendo o meu rosto de volta para a sua direção.
— Não é porque você tragicamente já está acostumada com a dor da perda, Natalie, que você precisa passar por tudo isso completamente sozinha agora. — Lucas pontuou, prendendo as suas íris escuras nas minhas. E, Deus... Como esse homem conseguia ser absurdamente lindo de perto.
Tio Victor pigarreou alto para chamar a nossa atenção de volta para ele.
— Eu concordo plenamente com cada palavra do Lucas, minha pequena. E, já que ele pelo visto está totalmente disposto a te fazer companhia e cuidar de você hoje... Eu vou me recolher para os meus aposentos e descansar um pouco. Ainda tenho que passar no hospital mais tarde.
A simples menção à palavra "hospital" fez o meu corpo inteiro tremer da cabeça aos pés. O tio Victor havia tido um princípio sério de infarto recentemente; será que o estado de saúde dele estava piorando e eles estavam escondendo de mim?
Não... Eu tinha acabado de sepultar o meu avô Theodore hoje de manhã, eu definitivamente não suportaria a ideia de perdê-lo também.
Dei dois passos rápidos e corri na direção dele, segurando os seus braços com urgência.
— Tio Victor, por favor, me diz a verdade, o senhor está se sentindo bem? Foram muitas emoções fortes acumuladas em poucos dias... O senhor quer que eu vá com o senhor e fique te fazendo companhia no seu quarto? Ou eu... Eu posso chamar o Adrian? Ou talvez o Henry?
O velho soltou uma risadinha gostosa diante do meu desespero nítido, e eu ouvi o Lucas soltar um riso abafado logo atrás de mim. Girei o corpo, encarando os dois de cenho franzido.
— Qual é a graça exata na minha preocupação? — perguntei, sentindo uma pontada de irritação legítima subir pelo meu peito.
— Eu estou perfeitamente ótimo, Natalie. Mesmo depois daquele incidente médico recente, todos os meus exames clínicos de rotina estão impecáveis — tio Victor explicou, batendo de leve na minha mão.
Olhei para ele com uma expressão totalmente confusa.
— Então por que o senhor precisa ir ao hospital hoje de tarde?
Lucas deu um passo à frente, parando exatamente ao meu lado no corredor.
— Acredito seriamente que a ida dele até o hospital seja para visitar uma certa senhora que está internada na clínica... — Lucas disparou em um tom carregado de malícia bem-humorada direcionado ao tio Victor.
O patriarca Foley ajeitou com elegância as lapelas do seu terno preto antes de responder, sem negar a insinuação.
— Você está absolutamente coberto de razão, garoto. Eu vou sim visitar a minha grande amiga Marie. Nós dois estamos assistindo juntos à nova temporada de Uma Nova Mulher, e se eu ouso me atrasar um único minuto no horário de visitas, aquela senhorinha atrevida assiste aos episódios da série turca inteiramente sem mim.


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