Capítulo 76 — Você é…
Lucas Avery
Depois da minha conversa difícil e tensa com o Ade no escritório, decidi que o mais sensato a se fazer era me despedir formalmente do senhor Foley e da Natalie antes de ir embora de vez da propriedade.
Encontrei a Maria no hall de entrada e ela, com aquele tom acolhedor de sempre, me disse para subir sem cerimônias, pois eu conhecia muito bem o caminho até os quartos.
E eu conhecia mesmo. Cresci correndo e brincando por esses exatos corredores da mansão Foley durante toda a minha infância.
No entanto, assim que cheguei ao topo da grande escadaria de mármore, um som dolorido me atingiu em cheio. Era a Nat. Ela estava encolhida, encostada com a cabeça contra a madeira da porta do seu antigo quarto, chorando desesperadamente.
Sem pensar em consequências, mágoas passadas ou no gênio do irmão dela, eu dei passos largos e a puxei com força para o meu peito. Assim como o Adrian, a Natalie sempre foi absurdamente importante na minha vida. Importante até demais.
E ao vê-la ali daquele jeito, vulnerável e sofrendo, um sentimento intenso e avassalador que eu piamente julgava ter enterrado há anos voltou com força total para a superfície.
Eu realmente pensei que, depois de todo esse tempo de silêncio, depois de ter me afastado drasticamente dela para evitar confrontos e até de ter tentado colocar outra pessoa no meu coração, não seria mais possível sentir nada parecido por ela.
Mas eu não poderia estar mais redondamente enganado.
E quando o senhor Victor Foley surgiu no corredor e decretou com aquele tom de cupido:
“Bom... Meu garoto, a situação está oficialmente em suas mãos. Faça o favor de cuidar muito bem dela por mim a partir de hoje. E veja se dá logo esse bendito sim de uma vez!”
O entendimento exato do que tudo aquilo significava me atingiu como um soco no estômago. Eu não ia mais recuar. Insisti em prender o olhar dela, colando os nossos corpos no corredor.
— Quer me contar de uma vez por todas que sim é esse que eu preciso te dar, Nat?
Ela tentou desviar os olhos, gaguejar e fugir, claro. Ela fez exatamente isso durante a sua adolescência inteira sempre que eu me aproximava demais. Mas eu simplesmente ignorei a sua defensiva, porque uma determinação cega invadiu o meu peito naquele segundo.
Assim como eu estava tentando buscar a oportunidade de consertar o meu passado com o Adrian, eu agarraria com todas as forças da minha alma a chance de finalmente confessar os meus sentimentos reais pela Natalie.
— Sim, Nat... — murmurei bem perto da boca dela.
A respiração dela ofegou de imediato, o peito subindo e descendo com rapidez. Eu podia perfeitamente sentir o hálito doce dela contra o meu rosto.
— O... O que você disse? — ela perguntou, com as pupilas verdes totalmente dilatadas.
Passei o meu polegar devagar e com carinho pelos seus lábios inferiores. Porra... Que vontade absurda de senti-los de novo. Como eu havia sonhado acordado com o toque desses lábios por anos.
Levantei o canto da boca em um sorriso de lado e respondi:
— Eu já estou te dando o meu sim, Natalie.
E antes mesmo que ela pudesse formular qualquer palavra de choque ou protesto, eu a beijei.
As minhas mãos espalharam-se pelo rosto dela, a puxando para mim com uma urgência que estava guardada há anos no meu peito. O beijo começou profundo, misturando o gosto salgado das lágrimas dela com o calor da sua boca.
Natalie soltou um gemido baixo contra os meus lábios e se entregou por inteiro, enlaçando os dedos trêmulos no colarinho da minha camisa preta. Nossos sentidos se perderam completamente ali naquele corredor, anestesiando o luto e reprimindo qualquer barreira que nos separou por tanto tempo.
Sem romper o contato das nossas bocas, usei o meu corpo para empurrá-la com total cuidado e proteção contra a parede, até que as costas dela bateram suavemente contra a madeira da porta do seu quarto. Minha mão direita desceu tateando às cegas pela lateral até que os meus dedos encontraram a maçaneta de metal; girei-a em um movimento fluido, empurrando a madeira para trás.
Conduzi o corpo dela para o interior do cômodo, sem desgrudar os meus lábios dos dela por um único milésimo de segundo, e usei o calcanhar para chutar a porta de volta, a fechando com um estrondo abafado atrás de nós.
— Sabe quanto tempo eu sonho em fazer exatamente isso novamente, Nat? — murmurei de forma sôfrega entre os lábios dela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo