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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 10

~ ZOEY ~

Eu fiquei parada na frente da porta do banheiro como se ela fosse um portal para outra vida.

Na minha mão, um teste de gravidez ainda na caixa, com aquele ar ofensivamente inocente de objeto que não faz ideia do estrago emocional que pode causar.

O Matheus tinha voltado quinze minutos antes, ofegante e vitorioso, como se tivesse derrotado um dragão, quando, na verdade, tinha derrotado uma atendente que tentou empurrar vitamina pré-natal “pra garantir”.

— Tá — ele disse, cruzando os braços. — Você vai fazer agora ou a gente vai ficar olhando pra isso como se fosse uma obra de arte?

Eu engoli em seco.

Uma vez que eu fizesse o teste, eu não poderia mais fingir que era só um surto dramático, um dia ruim, um acúmulo de coisas, um marido estranho e um coração sensível demais.

Eu olhei para a porta do banheiro de novo. Depois olhei para o teste. Depois olhei para o Matheus.

— Eu… — comecei, e parei, irritada com a minha própria hesitação.

Matheus levantou uma sobrancelha.

— Zoey, pelo amor de Deus. Você já passou por isso.

— Eu sei — eu respondi, e a minha voz saiu pequena. — Eu só…

Eu respirei fundo, tentando fazer o cérebro acompanhar a coragem.

— Eu não consigo fazer xixi num palito se a Annelise não estiver do meu lado.

O Matheus ficou em silêncio por meio segundo.

E então riu.

Não foi deboche. Foi aquele riso de irmão que não aguenta o absurdo porque o absurdo também é uma forma de amor.

— O quê? — ele perguntou, com a mão no rosto. — Zoey, isso é a frase mais específica que eu já ouvi na minha vida.

— É tradição — eu declarei, como se isso resolvesse tudo. — Quando eu estava grávida do Matteo, ela estava do meu lado. E nas duas gestações dela, eu também estava lá. Eu… eu preciso da Anne.

Matheus respirou fundo, tentando ser sério de novo.

— Tá bom. Tudo bem — ele disse, num tom de “vamos lidar com o que dá”. — Eu faço uma videochamada pra ela e você pode… sei lá… levar ela até pro banheiro com você se quiser.

Eu quase sorri, porque a imagem era tão ridícula quanto perfeita: eu, segurando o telefone com a Anne do outro lado, me acompanhando como se fosse um procedimento médico.

Mas não era a mesma coisa.

Eu olhei para a mala aberta na cama. Ela estava ali como uma prova de que eu já tinha começado a fugir antes mesmo de saber de quê.

E de repente, isso parou de parecer ridículo.

Começou a parecer… um sinal.

Eu virei para o Matheus.

Extra - Capítulo 10 1

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