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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 12

DIAS ATUAIS...

~ ZOEY ~

Londres estava amanhecendo do jeito que Londres amanhece: com uma luz pálida atravessando a janela como se fosse educada demais para ser sol. O céu tinha aquele cinza que parece permanente, mas dentro da casa da Anne existia um calor que não vinha da calefação. Vinha do fato de que ali, por algumas horas, eu podia ser só irmã.

A cozinha já tinha vida quando eu cheguei. O cheiro de café fresco, frustas esquecidas no prato, uma jarra de suco que alguém colocou na mesa. Anne estava sentada com as pernas dobradas na cadeira, de moletom, cabelo preso de qualquer jeito, segurando uma caneca como se a caneca fosse um documento de identidade.

Eu estava com a minha caneca na mão também.

Só que eu não estava bebendo.

Eu estava encarando o café como se ele pudesse dar uma resposta.

Anne tomou um gole, me avaliou por cima da borda e fez aquela cara de “eu não vou te apertar, mas eu vou te ler”.

— Isso vai esfriar — ela comentou, com uma calma que eu invejava.

— Eu sei.

— Você não sabe — ela corrigiu. — Você tá olhando pra esse café como se ele fosse um teste também.

Eu soltei um ar pelo nariz, quase uma risada.

— Nate saiu cedo? — eu perguntei, só para dizer uma coisa que não fosse grávida, traída, divorciada.

Anne assentiu.

— Acabou de sair. — Ela levantou a sobrancelha. — Disse que vai trazer aquele risoto que você gosta na volta.

Então éramos só eu e ela, por enquanto.

As crianças estavam na creche com as babás — incluindo o meu Matteo, que ia como “convidado”, porque a Anne tinha uma dessas redes de mães em Londres que fazem tudo parecer simples. Matteo tinha ido animado demais para alguém que, até ontem, grudava em mim como se eu fosse a única coisa sólida do mundo.

Não sabia se aquilo me dava orgulho ou vertigem.

Eu ainda estava nesse limbo quando ouvi a porta da frente abrir com a falta de delicadeza típica de quem chega com pressa e certeza de que a casa já é dele também.

A voz do Matheus veio primeiro, alta, vitoriosa, como se ele estivesse anunciando um prêmio.

— Pronto! Trouxe os três testes que vocês pediram…

Eu virei a cabeça, e lá estava ele, jaqueta no braço, cabelo bagunçado e uma sacola de farmácia na mão como se fosse um troféu ridículo.

— …é essa a tradição? — ele perguntou, com um sorriso meio incrédulo.

Anne apontou para ele com a caneca, sem perder a elegância.

— É.

Eu também disse, junto com ela, como se fosse uma cerimônia oficial:

— É.

Matheus largou a sacola na mesa e olhou para mim com aquela expressão que misturava “eu te amo” com “você enlouqueceu”.

Anne colocou as caixinhas na mesa, alinhadas, e me encarou de verdade.

— Quer fazer agora? — ela perguntou.

Meu estômago apertou. Porque “agora” parecia uma palavra grande demais.

Era manhã. Eu tinha segurado o primeiro xixi da manhã na expectativa de descobrir logo a verdade... por mais que meu coração já soubesse.

— Eu não sei se “querer” é bem a palavra… — eu murmurei.

Matheus apoiou as duas mãos na mesa e inclinou o corpo, como se estivesse tentando entrar na minha cabeça pelo ângulo do sarcasmo.

— Zoey — ele disse, paciente e cruel. — Atravessamos um oceano pra você mijar num pauzinho. É claro que “querer” é a palavra.

Anne soltou uma risadinha, mas o olhar dela ficou doce. Ela sempre fazia isso: ela ria para aliviar, e depois te segurava firme para você não cair.

Eu ri também, uma risada curta, nervosa.

— Tá bom — eu falei, levantando a caneca como se fosse brinde. — Tudo bem. Sem pressão, né.

Extra - Capítulo 12 1

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