~ ZOEY ~
— Ok — Anne disse, num tom prático demais. — Vamos dar espaço pra eles.
Ela puxou o Matheus por uma mão e o Nate pela outra como se estivesse tirando duas crianças de perto de uma tomada. Matheus ainda virou o rosto para trás, com a cara de quem queria ficar.
Eu vi, pela fresta de um segundo antes deles saírem, a boca dele se mexendo perto do ouvido da Anne.
— A gente vai ouvir atrás da porta, né?
Anne respondeu sem nenhuma culpa, sem nenhuma vergonha, como se fosse o juramento mais sagrado de irmandade.
— É claro que a gente vai ouvir atrás da porta.
A porta do quarto se fechou com um clique suave.
Eu fiquei parada no meio do cômodo como se tivesse esquecido o próprio corpo.
Christian deu um passo na minha direção.
Não foi agressivo, mas foi definitivo. Aquele passo dele sempre foi assim: o mundo pode estar pegando fogo, mas ele encontra o centro e decide onde pisar.
— Você acha que eu estou te traindo? — ele perguntou.
A voz dele veio controlada. Só que havia uma coisa diferente ali, uma coisa que eu não queria ver: dor.
— Como você pode achar isso? — ele completou.
Eu abri a boca.
E nada saiu.
Foi ridículo. Eu tinha atravessado um oceano, eu tinha arrumado mala, eu tinha colocado a palavra “divórcio” na boca como se fosse um objeto que eu conseguisse manipular. E, agora, com o Christian na minha frente, eu virei uma criança pega em flagrante.
— Eu… eu… — eu gaguejei, odiando o som da minha própria voz.
Christian soltou um ar devagar.
— Zoey… — ele disse meu nome como se fosse um chamado e uma bronca ao mesmo tempo. — Eu te dei motivos pra isso?
Eu engoli em seco. Eu queria responder “não”. Eu queria dizer que eu era só ansiosa, só traumatizada, só exagerada.
Mas eu não consegui mentir.
— Eu não sei — eu confessei. — Você… você tá estranho.
Christian franziu a testa.
— Estranho?
— Tá — eu me apressei, porque eu precisava me justificar antes que ele me julgasse. — Você está me escondendo o celular. Você virou a tela pra baixo. Você fechou o notebook quando eu entrei. Você mentiu pra mim. E… e você não quis minha presença.
Eu vi o maxilar dele travar. Vi uma veia pequena saltar na têmpora. Aquele era o Christian no limite: o homem que não perde o controle, mas que fica perigosamente quieto.
— Você tá somando sinais como se fosse…
— Como se fosse prova — eu completei, antes que ele falasse “paranoia”. Eu conhecia o Christian. E eu não ia aguentar ouvir essa palavra saindo da boca dele.
Ele passou a mão pelo cabelo e soltou uma risada curta, sem humor.
— Eu só tô ocupado com trabalho.
Eu senti meu peito apertar.
— Isso não justifica mentira — eu disse, e a frase saiu mais firme do que eu esperava. Talvez porque eu estivesse cansada de me sentir pequena dentro da minha própria cabeça.
Christian me encarou por um segundo longo.
— Tem razão — ele disse.
E a simplicidade da concordância me desmontou, porque eu estava preparada para discutir.
— Não justifica — ele repetiu, mais baixo. — Mas…
Ele parou. A palavra ficou no ar.
Eu prendi a respiração.
Christian deu outro passo, diminuindo a distância como se o espaço entre nós fosse um incômodo.
— Eu queria te fazer uma surpresa.
Meu rosto se iluminou antes de eu conseguir impedir. Foi automático. Foi humilhante e delicioso ao mesmo tempo.
— Uma surpresa?
Christian assentiu, e dessa vez a expressão dele amoleceu.
— Você vai fazer trinta anos — ele disse. — É um marco importante.
Eu senti uma onda quente subir pelo peito e, junto com ela, uma ponta de vergonha por eu ter acreditado em traição.
— Eu achei que você tinha esquecido — eu admiti, baixinho.
Christian riu, e essa risada, finalmente, era a risada dele comigo. Aquela que sempre me dava a sensação de estar em casa.



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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...
Oi autoura Kayla Sango, sei que se despeciu e finalizou esses livros, mas quando sentir que deve, conte a história de Matheus e Mia e também Dante e Paloma, acho que nós como espectadores ficariamos muito gratos, principalmente quem acompanhou todos os livros até aqui. Estou com um gostinho de saudade já. Obrigada!...
Quem é Paloma, gente? Era pra ser a Paola, no caso?...
Pois é Simone Honorato, eu tbm fiquei super animada achando que leria 20 capítulos.Frustante mesmo...
Boa tarde, reparei que do capitulo 731 pulou para o capitulo 751 !!!! Me parece o FINAL !!!! É ISSO MESMO ? FRUSTANTE, PENSEI QUE LERIA 20 CA´PITULOS, E NADA, SOMENTE 01.!!...
Pelo amorrrrrrr desbloqueia esses capitulos!!!!!...
Paguei pelas moedas, e não foi desbloqueado! Afff...
O que houve porque parou de carregar capítulos?...
Gostaria de manifestar uma profunda insatisfação com vc autora, pois vc parou a história no capítulo 731 e nada de falar se foi o fim do livro ou se vai ter continuação Acho um desrespeito com os leitores q espera todo dia por um novo capítulo. Acho que seria o.minimo de respeito avisar q acabou....