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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 15

~ ZOEY ~

Eu ainda não tinha entendido em que momento, exatamente, a minha manhã em Londres — que começou com um teste de gravidez em cima da pia e eu tentando não desmaiar — virou uma operação internacional.

Mas, quando eu percebi, de alguma forma nós tínhamos acabado todos dentro do jatinho da Bellucci rumo à Itália.

E, quando eu digo “todos”, eu não estou exagerando.

Isso incluía os adultos, as crianças, as babás e… Ginger.

A Ginger estava deitada na área mais espaçosa da aeronave, com aquele ar confiante de quem nasceu para receber carinho e ganhar comida proibida. Matteo estava tão feliz com a presença dela que parecia ter esquecido que tinha acabado de trocar de país como quem troca de sala.

— Mamãe, olha! — ele anunciou, com três anos e aquela certeza absoluta de que qualquer novidade no mundo existe para ser mostrada para mim. — A Ginger tá comigo!

— Eu vi, amor — eu respondi, beijando a cabeça dele.

Eu beijava Matteo com uma frequência que devia ser considerada crime em alguns países.

A babá dele — que veio do Brasil com Christian — organizava brinquedos, lanchinhos e um tablet com volume baixo, como se estivesse conduzindo um ritual para manter uma criança feliz durante um voo transatlântico.

Do outro lado, Anne e Nate discutiam em sussurros sobre horários de soneca e “qual das babás fica com qual criança” como se isso fosse uma reunião de conselho. Matheus estava com a Mia ao lado, os dedos entrelaçados nos dela, conversando baixo e rindo de alguma coisa que só os dois entendiam.

E Christian.

Christian estava sentado ao meu lado como se aquele cenário fosse absolutamente normal: esposa recém-descobre-gravidez, família toda embarcada, cachorro na aeronave, destino Itália.

Ele parecia tranquilo demais.

O que, vindo dele, era sempre suspeito.

Foi aí que ele virou o rosto para mim com aquela expressão que ele usa quando vai pedir algo sem soar como ordem.

— Escuta… — ele começou.

Eu ergui uma sobrancelha.

— Lá vem.

Christian soltou uma risada curta.

— Tudo bem se fizermos uma pequena parada em Bolonha?

— Bolonha? — eu repeti, e a palavra soou estranha dentro da minha boca, como se fosse nome de comida e não de cidade. — Por quê?

Ele me olhou com calma.

— Primeira parte da surpresa.

Meu coração deu um pulo. Um pulo bom.

— Ah — eu soltei, e senti meu rosto se iluminar apesar de mim. — Então é por isso que você tá com essa cara de quem sabe alguma coisa que eu não sei.

— Eu sempre sei alguma coisa que você não sabe — ele provocou.

— Christian — eu avisei, mas eu estava sorrindo.

Ele inclinou a cabeça, como se estivesse negociando.

— É menos de um dia. Matteo pode seguir na frente com a babá e os tios. Você vem comigo.

Minha mão apertou a dele instintivamente.

— Eu não gosto de ficar longe do meu filho — eu confessei.

Christian assentiu como se aquilo fosse um fato científico.

— Eu sei. Você é uma mãe coruja.

— E você não fica atrás como pai.

Ele sorriu, e o sorriso dele tinha aquela satisfação discreta de quem recebe elogio e finge que não liga.

— Mas… — ele completou, aproximando um pouco a boca do meu ouvido como se o segredo ficasse mais seguro perto da minha pele — eu também sou um marido coruja.

Eu ri, baixinho.

— Um marido coruja?

— Um marido que quer você perto — ele disse, simples. — E a sua surpresa começa lá.

Eu senti uma ansiedade deliciosa subir pelo corpo.

— Tá — eu cedi, levantando as duas mãos como rendição teatral. — Tudo bem. Já tô ansiosa.

Algum tempo depois, o jatinho finalmente fez a parada prometida.

Só eu e Christian descemos. Matteo ficou lá dentro com a babá e os tios — eu vi pela janela o rostinho dele já distraído, apontando para alguma coisa e esquecendo que, até pouco tempo, ele não deixava meu colo.

Eu hesitei um segundo no topo da escada, respirando o ar frio de Bolonha e lembrando a mim mesma: são só algumas horas.”

Christian veio ao meu lado e tocou minha cintura.

— Vem — ele disse.

O carro nos levou por ruas elegantes até um bairro que tinha aquele tipo de beleza clássica: prédios bem cuidados, vitrines discretas, árvores alinhadas.

Christian me conduziu até um prédio de portaria discreta. Subimos. Quando a porta abriu, eu entendi na hora que aquilo não era só uma ‘paradinha’

O apartamento era amplo, claro, com uma vista bonita que parecia um quadro. A sala tinha janelas enormes, a luz entrava de um jeito calmo.

Christian me observou, esperando.

— O que acha? — ele perguntou.

Eu pisquei.

— O que eu acho para o quê?

— Mas… você?

Christian aproximou-se, e a resposta veio simples demais para ser discutida.

— Eu amo você.

Ele encostou a mão na minha cintura.

— E eu quero ficar ao seu lado.

Eu sorri e dei um beijo nele, porque eu queria acreditar com todo o meu corpo. Eu queria.

E, ao mesmo tempo, uma parte de mim ainda era uma detetive emocional irritante.

Eu me afastei um pouco, olhando nos olhos dele.

— Por mais que eu acredite nisso… por que eu acho que tem coisa aí que você não tá me contando?

Christian soltou um riso baixo.

— Porque tem.

Eu senti a ansiedade virar alegria.

— Perfeito — eu murmurei, como se eu tivesse acabado de ganhar uma sobremesa depois do jantar.

Ele levantou uma sobrancelha.

— Perfeito?

— Eu gosto de mistério quando ele termina em presente — eu disse.

Eu fui até o bar do escritório, puxei duas taças e uma garrafa de vinho Bellucci que estava ali como se tivesse nascido naquele lugar. Servi com um movimento automático, entreguei uma taça pra ele e ergui a minha.

— Então… — eu comecei, com um sorriso que eu não consegui conter. — Um brinde a essa nova fase.

Christian ergueu a taça, brindou comigo com um toque leve.

E, antes de beber, ele tirou a taça da minha mão.

Eu arregalei os olhos.

— Christian!

Ele trocou a taça na minha mão por um copo com água.

— Esqueceu que, a partir de agora, você só brinda com água — ele disse, sério o suficiente para ser fofo.

Eu encarei o copo.

E então ri.

— Ah, é! — eu falei, erguendo a água como se fosse um prêmio de consolação. — Lá vamos nós de novo.

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