~ CHRISTIAN ~
A Galleria Cavour parecia feita para testar a disciplina de qualquer homem que já jurou que não liga para vitrines.
O lugar tinha brilho, vidro, mármore e aquela organização impecável que faz tudo parecer mais caro só por estar no lugar certo. Perfumes diferentes se misturavam no ar — um rastro de couro novo, um toque cítrico vindo de alguma loja aberta, e a lembrança do café que saía de algum canto e dava vontade de parar sem motivo.
Gente bem-vestida passava devagar, como se ninguém ali tivesse horário. Segurança discreta nos pontos certos. Funcionários com sorriso medido. E eu, tentando convencer a mim mesmo de que aquilo era parte de uma “parada de algumas horinhas”.
Zoey entrou como se o lugar fosse dela por direito.
E, na prática, era.
Porque Zoey sempre teve essa habilidade: ela não precisava pertencer a uma sala para dominar a sala. Bastava existir com aquele jeito natural.
Eu caminhei ao lado dela, controlando o instinto de vigiar tudo — segurança, ângulos, gente olhando — e tentando lembrar a mim mesmo que isso era, oficialmente, uma “parada de algumas horinhas”.
Só que a minha mulher estava grávida.
E, quando Zoey estava grávida, o mundo inteiro virava uma mistura de delicadeza e guerra. Não tinha sido fácil da outra vez. E por mais que eu soubesse que os motivos dos problemas antigos estavam atrás das grades, os traumas ainda estavam lá.
Ela parou diante de uma vitrine e fez uma careta pensativa, a mão tocando a barriga ainda sem volume como se o gesto fosse um segredo.
— Você tá com essa cara de empresário que acha que vai morrer se der uma volta sem objetivo — ela comentou.
— Eu tenho objetivo — eu respondi.
Zoey me olhou de canto, sorriso discreto.
— Ah, tem? Qual?
Eu ia responder, mas a verdade é que eu não podia. Ainda.
E foi nesse exato momento que eu ouvi uma voz conhecida atrás de nós.
— Zoey!
Zoey virou o rosto, e o sorriso dela abriu como se fosse um reflexo.
Bianca estava vindo na nossa direção. Nico vinha ao lado, e eu notei a primeira coisa antes de qualquer outra: ele não parecia deslocado.
Meses atrás, Nico entrava em qualquer prédio corporativo da Bellucci em Florença como se estivesse invadindo um território inimigo. Hoje, ele caminhava pela Galleria como se pertencesse. Ombros mais soltos, olhar direto, presença firme.
Eu sempre soube que ele era forte.
Só que agora ele parecia seguro.
Zoey abriu os braços.
— Bia!
Elas se abraçaram com aquela intimidade que só mulheres que se respeitam de verdade conseguem ter: sem performance, sem disputa, só afeto.
Zoey olhou para o Nico, e ele inclinou a cabeça, educado.
— Nico — ela cumprimentou, como se ele fosse família antiga.
— Zoey — ele respondeu, e eu vi a forma como os olhos dele foram para a barriga dela por meio segundo.
Zoey estreitou os olhos e apontou discretamente para mim com o queixo.
— Eu duvido que isso seja uma coincidência.
Não era. E os tinha convidado. Queria mostrar algo a Nico, pedir opinião.
Bianca abriu um sorriso lento.
— É claro que não — ela disse, como quem entrega um segredo com prazer. — É uma intervenção.
Zoey arregalou os olhos.
— Uma intervenção?
— Uma intervenção de compras — Bianca completou. — Você tá grávida. Precisa fazer compras pra relaxar.
Zoey piscou, processando.
— O quê? Como você já sabe que eu tô grávida?
Bianca inclinou a cabeça, como se a resposta fosse óbvia demais.
— Você sabe que a Annelise é sua irmã, né?
Zoey revirou os olhos com força.
— Aquela boca grande.
Eu ri, porque era verdade. E porque, naquele instante, ver Zoey reclamando com humor foi a prova de que ela estava bem.
Bianca tocou o braço dela.
— Vem. A intervenção começa agora.
Zoey hesitou por um milésimo de segundo.
Eu aproveitei a brecha.
— Bom — eu disse, olhando para Bianca e Zoey. — Vocês podem ir fazer as compras. E eu e o Nico vamos… falar de negócios.
Nico me olhou com aquela expressão dele que mistura “claro” e “tô entendendo o jogo”.
Bianca ergueu uma sobrancelha.
— Vocês sempre arrumam uma desculpa pra fugir do caos — ela acusou, sem raiva.
— Não é fugir — eu corrigi. — É estratégia.
Zoey se aproximou, me puxou pela gola como se eu fosse dela — e eu era — e me deu um beijo rápido.
— Fechado — ela disse, contra a minha boca. — A gente se encontra pra jantar no Restaurante da Emporio Armani.
Bianca riu e já estava puxando Zoey pela mão.
— Vem, grávida. Vamos te ensinar a relaxar gastando.
Zoey lançou um olhar para trás, divertido.
— Christian, eu juro que se você comprar mais um relógio…
Nico me encarou, e eu vi a curiosidade virando interesse.
Eu disse apenas o suficiente.
Eu resumi, rápido, sem entrar em detalhes que não podiam existir fora da minha boca ainda. Falei como quem entrega um mapa sem mostrar o tesouro. Falei do novo investimento da Bellucci como quem descreve uma direção, não um destino.
Nico ficou em silêncio por alguns segundos.
Depois soltou o ar como se tivesse entendido, finalmente, o tamanho da coisa.
— Isso é genial — ele disse.
Eu senti um alívio quente no peito.
Nico inclinou a cabeça, e o humor voltou ao olhar.
— Foi ideia da Zoey?
Eu ri.
— Foi. Por mais que ela ainda não saiba.
Nico soltou uma risada curta.
— Você é perigoso.
— Eu sou apaixonado — eu corrigi.
Eu dei um passo para voltar, porque eu ainda tinha um compromisso.
— Agora vamos lá — eu disse. — Eu preciso comprar o presente de aniversário da Zoey.
Nico arqueou uma sobrancelha.
— Mais um?
— Claro — eu respondi. — Aprenda, cunhado: joias nunca são demais.
Nico riu, mas o riso dele veio com um brilho diferente.
— Eu sei bem. Até porque… eu também preciso comprar um anel de noivado pra Bianca.
Eu pisquei.
— Um anel de noivado? Mas vocês já são casados.
Nico sorriu, e foi um sorriso sincero e aliviado.
— Vamos renovar os votos — ele disse. — Do jeito que ela merece agora. Com família, amigos, festa. Tudo que ela merece.
Eu senti a frase me tocar num lugar inesperado.
Porque eu sabia o que era querer dar para uma mulher o mundo inteiro e, ainda assim, sentir que ainda devia mais.
Eu dei um passo e bati de leve no ombro dele.
— A Bianca encontrou a pessoa certa — eu disse, firme. — E eu fico feliz por isso.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Hoje 04/04, até agora não foram desbloqueados os restantes dos capítulos. Último capitulo liberado 729.... Sem nenhuma explicação. Falta de respeito com os leitores... affff...
Estou achando a história da Anne muito chata. Até agora só enrolação. Aff......
Amei esse livro!! que venham os proximos, com certeza lerei......
O último capítulo desbloqueado foi o 729...isso a quase 15 dias... Qdo a autora irá desbloquear o restante dos capítulos?...
Amei todo o livro Mas infelizmente ficou sem alguns capítulos E agora não liberam o final Muito triste 😞...
Quando vai liberar os extras?...
Um salto de 20 capítulos???? E ainda por cima depois de "obrigarem" os leitores a gastarem dinheiro, pois não disponibilizaram os 2 últimos capítulos da história para depois saltar a história e terminar desta maneira, não achei correto 🤬...
Então dá entrada do Kristian passa para a avó Martina e para a Bella, não entendi......
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...