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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 17

~ ZOEY ~

O jantar em casal tinha sido leve, cheio de risadas que não precisavam de esforço, com aquela sensação rara de que o mundo inteiro podia ficar do lado de fora por algumas horas.

Eu e Christian voltamos para o apartamento em Bolonha ainda com o corpo naquele estado confortável de “fizemos o dia caber num lugar bonito”. Ele entrou tirando o relógio e largando as chaves no aparador como se fosse uma cena doméstica comum — o que era quase engraçado, porque nada na nossa vida era realmente comum. Nem quando a gente tentava.

Eu fui direto para o banheiro e tomei uma banho rápido.

Skincare antes de dormir era minha forma de dizer ao meu sistema nervoso: acabou. Você pode respirar agora.

Prendi o cabelo, lavei o rosto e comecei a alinhar as embalagens na bancada com um zelo que, eu sei, parece exagero para quem não entende. Para mim, era ritual. Era cuidado. Era eu sendo eu sem precisar provar nada para ninguém.

Christian apareceu na porta do banheiro enquanto eu massageava um cleanser com calma.

Ele encostou no batente, braços cruzados, e me observou como se eu estivesse fazendo alquimia.

— Tá — ele disse, com um sorriso torto. — Você vai ter que me explicar isso.

Eu enxuguei o rosto e olhei para ele pelo espelho.

— Explicar o quê?

— Como você consegue ter uma rotina tão… consistente — ele respondeu, como se estivesse falando de produtividade. — Você faz isso todo santo dia.

— É por isso que funciona — eu falei, pegando a toalha e secando o rosto com carinho. — E também porque eu gosto.

Christian se aproximou um pouco, curioso.

— E se eu quisesse aprender?

Eu ergui uma sobrancelha.

— Você quer aprender mesmo… ou quer arrumar um jeito de ficar perto de mim enquanto eu fico bonita?

Ele riu baixo.

— As duas coisas. E você não fica bonita, você é bonita. Linda!

Eu sorri.

— Então entra. Fecha a porta.

Christian entrou como quem aceita um desafio sério. Tirou a camisa, porque ele sempre tinha a mania de fazer qualquer coisa parecer mais interessante só por existir daquele jeito. Encostou na bancada ao meu lado e olhou as embalagens.

— Isso aqui tudo é uva? — ele perguntou, pegando um frasco como se fosse um documento.

— Não tudo — eu respondi, tirando o frasco da mão dele antes que ele derrubasse. — Mas hoje vai ser aula sobre uva, sim.

— Aula particular? — ele provocou.

Eu virei de frente para ele.

— Você vai ficar parado e obedecer.

Os olhos dele brilharam.

— Sempre.

Eu abri o tônico e molhei um algodão.

— Primeiro, limpar direito. Você já lavou o rosto?

— Lavei — ele respondeu, com a seriedade de quem acabou de fazer algo heroico.

— Ótimo — eu disse, passando o algodão no rosto dele com delicadeza. — Agora você não se mexe.

Ele ficou imóvel. Quase comicamente imóvel.

— Você parece um soldado esperando ordem — eu comentei.

— Eu sou um marido tentando não errar com uma grávida — ele corrigiu.

Eu ri.

— Tá. Próximo passo.

Peguei o sérum e deixei duas gotinhas na ponta dos meus dedos.

— Isso aqui tem extrato de uva e um monte de coisa que você chamaria de “química” e eu chamo de “milagre bem formulado”.

— Eu chamaria de “o que você quiser” se isso te deixa feliz — Christian disse.

— Deixa — eu respondi, e comecei a espalhar o sérum no rosto dele, com movimentos leves.

A pele dele era quente sob minhas mãos, e eu senti o músculo do maxilar dele relaxar como se ele tivesse sido programado para isso.

— Ok — eu disse, no tom de professora. — Pense nos polifenóis como o escudo antioxidante da uva.

Christian fez uma expressão de “estou acompanhando”.

— A uva produz esses compostos pra se proteger do sol, do estresse, dessas coisas — eu continuei. — Quando a gente extrai isso pra cosmético… óleo de semente, extrato de casca… a gente pega parte desse escudo e usa a favor da pele.

— Então você está passando um escudo em mim — ele concluiu.

— Estou — eu confirmei, com satisfação. — Antioxidante, anti-inflamatório… e ainda ajuda a dar suporte pra clarear aquelas manchinhas teimosas.

Christian olhou para si mesmo no espelho como se tivesse acabado de virar um projeto.

— Eu vou ficar com cara de bebê?

— Você já tem cara de homem perigoso — eu falei, apertando a bochecha dele de leve. — Só vai ficar com cara de homem perigoso com pele luminosa.

— Eu aceito — ele respondeu, e eu vi a forma como ele gostava de me ouvir falar do que eu amava.

Peguei o hidratante e coloquei um pouco na palma da mão.

— Agora, hidratação. Porque não adianta nada ter escudo se você está desidratado.

A joalheria Ella Deluxe estampada no veludo parecia brilhar até no escuro.

Eu soltei um gritinho involuntário.

— Christian! — eu reclamei, como se reclamar fosse realmente possível naquela situação. — Eu não sei como você conseguiu me deixar tão mimada a ponto de eu amar uma joia.

Ele sorriu, satisfeito.

— Eu vou continuar trabalhando nisso constantemente.

— Meu Deus — eu sussurrei, pegando a caixinha com as duas mãos, como se fosse frágil.

Abri devagar.

E aí eu perdi as palavras.

Era um colar de ouro, delicado, com um pingente que parecia uma obra pequena demais pra existir: um cacho de uvas desenhado em diamantes, cada “grão” brilhando com um cuidado absurdo, como se alguém tivesse tentado congelar luz em forma de fruta.

O contraste era perfeito. Luxo e símbolo. Uma coisa linda e, ainda assim, íntima.

— É… é lindo — eu consegui dizer, e minha voz saiu quebrada. — Christian… obrigada.

Ele se aproximou, pegou o colar da caixinha e ficou atrás de mim.

— É pra marcar uma nova fase — ele disse, prendendo a corrente na minha nuca com calma.

Eu senti o pingente encostar no meu colo e arrepiei.

— Uma fase… de ver a uva de outro jeito — ele completou.

Eu virei o rosto, confusa e curiosa ao mesmo tempo.

— De outro jeito?

Christian me olhou como se eu estivesse perto demais de adivinhar alguma coisa.

— Sim — ele disse.

E então ele mudou de assunto com a habilidade de quem faz isso desde sempre.

A mão dele veio para a minha cintura, me puxando de leve.

— Mas, no momento… — Christian murmurou, e a voz dele ficou mais baixa, mais quente — eu só quero ver esse cacho de uva no seu pescoço contra a sua pele completamente nua.

Ele não me deu tempo de responder.

Me puxou com firmeza e me levou até a cama como se fosse inevitável. Eu caí na colcha macia, rindo no susto, e ele veio por cima, me beijando com uma fome que não tinha nada de cansada.

A boca dele encontrou a minha, e eu senti o colar frio contra minha pele enquanto ele aprofundava o beijo, como se estivesse provando uma promessa.

Christian encostou a testa na minha por um segundo, os olhos azuis grudados nos meus.

— Quando eu disse que ia te recompensar… — ele sussurrou contra os meus lábios — eu não estava falando de joias.

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