~ ZOEY ~
A gente pegou o jatinho particular até a Villa Bellucci no final da manhã, e eu passei metade do voo tentando não pensar em como era surreal ter trinta anos e estar atravessando fronteiras como quem atravessa ruas.
Christian tinha aquele ar de calma impecável de sempre, como se até a gravidade fosse um detalhe administrativo. Eu, ao contrário, estava com o coração batendo em algum lugar entre “euforia” e “meu Deus, eu estou grávida de novo”, o que era basicamente o meu estado natural nos últimos dias.
Quando o carro finalmente contornou a última curva e a propriedade apareceu, eu senti o peito apertar de um jeito familiar. A vila Bellucci ainda mais bonita do que eu me lembrava: mais nítida, mais real, com o verde das videiras mais vivo, o céu mais claro.
Só que… havia uma coisa estranha.
Vazio.
Alguns funcionários nos receberam com sorrisos educados, levaram nossas malas até os quartos, falaram baixo, andaram com aquela eficiência silenciosa de quem não quer atrapalhar nada. Mas o lugar emanava um silêncio atípico para uma villa italiana.
— Cadê todo mundo? — eu perguntei, antes que meu cérebro transformasse aquilo numa teoria. — Matteo? O nonno?
— Devem estar passeando pela propriedade — ele respondeu, dando de ombros como se fosse a coisa mais normal do mundo. — Por que você não se arruma para o almoço enquanto isso?
Eu franzi a testa.
— Me arrumar para o almoço… aqui… com ninguém?
Christian me deu aquele sorriso que ele usava quando queria me distrair do fato de que ele claramente sabia mais do que eu.
— É um almoço — ele disse, como se isso explicasse tudo. — E você merece estar linda.
Eu bufei, contrariada, mas fui. Porque eu podia ser dramática, mas eu também era pragmática: se eu fosse ficar nervosa, pelo menos ia ficar nervosa cheirosa.
Tomei um banho daqueles em que a água quente parece reorganizar o cérebro. Fiz uma maquiagem leve e escolhi um vestido bonito, simples do jeito que eu gostava quando queria sentir que eu era eu e não um evento.
Quando saí do banheiro, Christian estava no quarto, se arrumando como se tivesse sido convocado para uma capa de revista. Camisa ajustada, relógio certo, perfume discreto.
— Nossa — eu falei, parando na porta. — Onde você vai tão bonito?
Christian ergueu o olhar e fingiu ofensa.
— Quer dizer que você não me acha bonito todos os dias?
Eu me aproximei, passei os braços pela cintura dele e o beijei do jeito que eu fazia quando eu queria lembrar a nós dois que, apesar de todo o resto, a gente sempre voltava para o mesmo ponto: nós.
— Eu te acho maravilhoso todos os dias — eu respondi, com a boca ainda perto da dele. — Mas eu tenho uma quedinha específica por você de calça de moletom e sem camisa.
Christian riu, aquele riso baixo, gostoso.
— Podemos cuidar disso mais tarde — ele disse, e a mão dele apertou minha cintura. — Antes… vem comigo.
Eu estreitei os olhos.
— O quê? Onde?
— Só vem — ele repetiu, e me estendeu a mão.
Eu devia ter desconfiado mais. Eu devia ter notado o jeito que ele estava “bom demais” para uma casa vazia. Eu devia ter lembrado que um Bellucci nunca pede para você “só vir” sem que exista um plano.
Mas eu estava grávida. Meu cérebro estava trabalhando em turnos reduzidos.
Segui Christian pelo corredor, depois para fora, pelo caminho de pedra que levava em direção a uma parte mais alta da propriedade. O vento tinha cheiro de terra e de uva, e por um segundo eu tive vontade de parar e respirar aquilo.
— Se você está me levando para ver uma adega secreta… — eu comecei.
— Só vem, Zoey — Christian cortou, rindo.
A gente subiu até o mirante.
E quando eu coloquei os pés ali, no ponto mais aberto, com a vista das videiras se estendendo como linhas desenhadas com cuidado, aconteceu.
— SURPRESA!
Foi um grito coletivo, alto, feliz, vivo — o oposto exato do vazio.
Eu congelei por meio segundo, como se meu corpo precisasse atualizar a realidade. E então uma onda de gente veio na minha direção como um furacão de amor.
Braços me abraçando, vozes me atropelando, cheiro de perfume familiar, risadas, “feliz aniversário”, “feliz trinta anos”, “meu Deus, você está linda”.
Anne me apertou primeiro, do jeito que ela abraçava quando queria que eu sentisse: eu estou aqui, sempre.
Nate apareceu logo atrás, com aquele sorriso que eu tinha aprendido a amar como família.
Matheus me abraçou em seguida, forte, e Mia estava colada nele, a mão no braço dele como se eles fossem uma unidade — e o jeito que eles trocaram um carinho pequeno, automático, antes de virem falar comigo, fez meu coração dar um pulinho. Era… bonito. Era simples. Era real.



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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Quem é Paloma, gente? Era pra ser a Paola, no caso?...
Pois é Simone Honorato, eu tbm fiquei super animada achando que leria 20 capítulos.Frustante mesmo...
Boa tarde, reparei que do capitulo 731 pulou para o capitulo 751 !!!! Me parece o FINAL !!!! É ISSO MESMO ? FRUSTANTE, PENSEI QUE LERIA 20 CA´PITULOS, E NADA, SOMENTE 01.!!...
Pelo amorrrrrrr desbloqueia esses capitulos!!!!!...
Paguei pelas moedas, e não foi desbloqueado! Afff...
O que houve porque parou de carregar capítulos?...
Gostaria de manifestar uma profunda insatisfação com vc autora, pois vc parou a história no capítulo 731 e nada de falar se foi o fim do livro ou se vai ter continuação Acho um desrespeito com os leitores q espera todo dia por um novo capítulo. Acho que seria o.minimo de respeito avisar q acabou....
Uma semana sem desbloquear os capítulos...
Não vão desbloquear o restante dos capítulos?...
Ja tem uns 2 dias que não desbloqueiam os capítulos, parou no capítulo 714 e nada... Afff...