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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 135

A voz de Olavo saiu rouca. Marcelo olhou para o avô com preocupação. Mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, o velho caminhou até ele. A bengala caiu encostada na poltrona. E então Olavo o puxou para um forte abraço.

Marcelo ficou imóvel por um segundo. Desde a morte da mãe, o avô nunca tinha feito aquilo.

Olavo passou a mão pelos cabelos do neto, os dedos tremendo.

— Você sofreu tudo isso… em silêncio... — murmurou ele.— Por que não me contou... eu poderia te vingar. Ter feito alguma coisa.

Marcelo fechou os olhos.

— Eu não queria que o senhor soubesse… eu perdi minha mãe quando ela descobriu. Não suportaria perder o senhor também.

Olavo se afastou apenas o suficiente para olhar para ele. Os olhos estavam vermelhos.

— Eu soube que aquela mulher tinha te machucado...— disse ele com a voz pesada. — Soube meses depois que sua mãe morreu… mas isso…—Ele balançou a cabeça devagar.— Isso não. Nunca passou na minha cabeça que aquela maldita era ainda mais monstruosa.

Por um breve momento ninguém falou nada. Milena ainda segurava a mão de Marcelo.

Olavo respirou fundo e colocou a mão no ombro do neto.

— Fica calmo vô. Agora tudo acabou. Já entreguei para a polícia o último lugar que Sabrina estava. Nesse exato momento eles podem estar indo prender ela.

— Acabou?— Olavo perguntou sem encarar Marcelo. Seus olhos endureceram. Um brilho frio apareceu ali.

— Pode ter certeza de uma coisa, garoto. Ninguém faz isso com um De Valliére… e continua respirando tranquila por aí.

Marcelo percebeu o tom imediatamente e sabia que o avô não estava fazendo uma ameaça em vão.

— Vô…

Olavo ignorou o chamado de Marcelo, pegou a bengala com dificuldade e disse.

— Você fez o que precisava fazer. — disse ele. — Agora deixa o resto comigo.

Ele virou as costas e começou a caminhar para fora da sala.

Marcelo observou o avô se afastar pelo corredor.

— Não faça nada que vá se arrepender...

A porta da mansão se fechou atrás de Olavo com um som seco. O ar da manhã estava frio, mas ele mal percebeu. A bengala batia no chão de pedra do jardim com um ritmo irregular enquanto ele avançava pelo caminho.

O motorista abriu a porta do carro imediatamente.

— Senhor Olavo…

— Agora não. — respondeu o velho, sem parar.

Ele continuou andando até o meio da entrada da propriedade, como se precisasse de alguns segundos para organizar os próprios pensamentos.

As imagens que havia visto minutos antes ainda martelavam em sua cabeça. A voz daquela mulher. Os gritos de Marcelo.

Os olhos de Olavo se fecharam por um instante.

— Maldita seja. — murmurou entre os dentes.

O motorista se aproximou com cautela.

— O senhor quer que eu leve para algum lugar?

Olavo abriu os olhos novamente. A expressão no rosto dele havia mudado completamente.

— Sim! — respondeu ele por fim. — Mas antes… faça uma ligação.

— Para quem, senhor?

Olavo demorou alguns segundos para responder.

— Para os homens de confiança do meu filho.

Dentro da casa, o clima era completamente diferente. Marcelo ainda estava parado no meio da sala quando Milena soltou um suspiro.

— Ele ficou tão desnorteado que nem esperou para ver os bisnetos…

— Onde dói? — perguntou, com toda a responsabilidade que uma médica de quatro anos poderia ter.— Já sei... é aqui né?— disse levando a mãozinha no peito dele.

Marcelo mordeu os lábios, desviando os olhos só para espantar as lágrimas e logo sorriu fingindo pensar. Levou a mão ao queixo e fez uma expressão dramática, como se estivesse avaliando algo muito sério.

— Você é uma ótima médica... é exatamente aqui que doi.

Vallentina olhou para os olhos dele e sem hesitar, arrancou o curativo que estava colado no próprio dedo e, com todo o cuidado do mundo, pressionou-o no peito do pai. Os dedinhos dela alisaram o curativo como se aquilo fosse a coisa mais importante do universo.

— Pronto... papai. Agora não doi mais. Né? — disse por fim, com um suspiro satisfeito.

Marcelo levou a mão ao peito, fingindo testar o efeito do tratamento. Depois abriu um sorriso largo.

— Sim, filha. Você curou o papai. Sabe o que não deixaria voltar a doer?

— O que papai?

— Um abraço bem apertado.

Isso foi o suficiente para que Vallentina e os três meninos se jogassem em cima dele ao mesmo tempo. Pequenos braços envolveram seu pescoço, vozes começaram a falar todas juntas, cada um tentando contar alguma coisa diferente.

Marcelo riu, tentando entender metade do que diziam enquanto era praticamente soterrado pelos filhos.

A sala que minutos antes estava carregada de tensão agora estava cheia de risadas, passos correndo pelo tapete e vozes doces que pareciam empurrar qualquer sombra para fora dali.

Milena observava tudo em silêncio. O sorriso suave nos lábios escondia a emoção que apertava seu peito. Por alguns segundos, parecia que o mundo finalmente tinha encontrado o ritmo certo.

Até que o som da batida na porta principal ecoou pela casa. Marcelo ergueu a cabeça imediatamente, ainda sentado no chão.

As crianças também pararam de falar por um segundo, curiosas.

— Quem será agora? — murmurou ele.

Com cuidado, afastou os pequenos que ainda estavam pendurados nele e se levantou.

— Fiquem aqui. — disse, bagunçando o cabelo de Vallentina ao passar. Quando abriu a porta parou por um segundo. — Bruno? O que faz aqui?

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