A voz de Olavo saiu rouca. Marcelo olhou para o avô com preocupação. Mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, o velho caminhou até ele. A bengala caiu encostada na poltrona. E então Olavo o puxou para um forte abraço.
Marcelo ficou imóvel por um segundo. Desde a morte da mãe, o avô nunca tinha feito aquilo.
Olavo passou a mão pelos cabelos do neto, os dedos tremendo.
— Você sofreu tudo isso… em silêncio... — murmurou ele.— Por que não me contou... eu poderia te vingar. Ter feito alguma coisa.
Marcelo fechou os olhos.
— Eu não queria que o senhor soubesse… eu perdi minha mãe quando ela descobriu. Não suportaria perder o senhor também.
Olavo se afastou apenas o suficiente para olhar para ele. Os olhos estavam vermelhos.
— Eu soube que aquela mulher tinha te machucado...— disse ele com a voz pesada. — Soube meses depois que sua mãe morreu… mas isso…—Ele balançou a cabeça devagar.— Isso não. Nunca passou na minha cabeça que aquela maldita era ainda mais monstruosa.
Por um breve momento ninguém falou nada. Milena ainda segurava a mão de Marcelo.
Olavo respirou fundo e colocou a mão no ombro do neto.
— Fica calmo vô. Agora tudo acabou. Já entreguei para a polícia o último lugar que Sabrina estava. Nesse exato momento eles podem estar indo prender ela.
— Acabou?— Olavo perguntou sem encarar Marcelo. Seus olhos endureceram. Um brilho frio apareceu ali.
— Pode ter certeza de uma coisa, garoto. Ninguém faz isso com um De Valliére… e continua respirando tranquila por aí.
Marcelo percebeu o tom imediatamente e sabia que o avô não estava fazendo uma ameaça em vão.
— Vô…
Olavo ignorou o chamado de Marcelo, pegou a bengala com dificuldade e disse.
— Você fez o que precisava fazer. — disse ele. — Agora deixa o resto comigo.
Ele virou as costas e começou a caminhar para fora da sala.
Marcelo observou o avô se afastar pelo corredor.
— Não faça nada que vá se arrepender...
A porta da mansão se fechou atrás de Olavo com um som seco. O ar da manhã estava frio, mas ele mal percebeu. A bengala batia no chão de pedra do jardim com um ritmo irregular enquanto ele avançava pelo caminho.
O motorista abriu a porta do carro imediatamente.
— Senhor Olavo…
— Agora não. — respondeu o velho, sem parar.
Ele continuou andando até o meio da entrada da propriedade, como se precisasse de alguns segundos para organizar os próprios pensamentos.
As imagens que havia visto minutos antes ainda martelavam em sua cabeça. A voz daquela mulher. Os gritos de Marcelo.
Os olhos de Olavo se fecharam por um instante.
— Maldita seja. — murmurou entre os dentes.
O motorista se aproximou com cautela.
— O senhor quer que eu leve para algum lugar?
Olavo abriu os olhos novamente. A expressão no rosto dele havia mudado completamente.
— Sim! — respondeu ele por fim. — Mas antes… faça uma ligação.
— Para quem, senhor?
Olavo demorou alguns segundos para responder.
— Para os homens de confiança do meu filho.
Dentro da casa, o clima era completamente diferente. Marcelo ainda estava parado no meio da sala quando Milena soltou um suspiro.
— Ele ficou tão desnorteado que nem esperou para ver os bisnetos…

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