Bruno mantinha no rosto aquela expressão controlada de sempre, quase tranquila demais para alguém que aparecia sem avisar na casa de outra pessoa.
— Desculpa aparecer sem avisar. — disse ele, olhando para Marcelo. — Eu vi o que aconteceu nas notícias… achei que você poderia estar precisando conversar.
Marcelo franziu levemente a testa, ainda surpreso, mas sorriu.
— Obrigado pela preocupação.
Milena apareceu atrás de Marcelo por curiosidade de saber quem era. No segundo em que viu Bruno, seu corpo inteiro ficou rígido. O coração deu uma batida tão forte que pareceu ecoar nos ouvidos.
Bruno desviou seus olhos para ela. O olhar dele mudou no mesmo instante. Um sorriso pequeno, quase imperceptível, surgiu no canto da boca dele. Então ele voltou a olhar para Marcelo como se nada tivesse acontecido.
— Posso entrar? — perguntou.
Marcelo abriu um pouco mais a porta, ainda sem perceber a tensão que havia surgido atrás dele.
— Claro. Entra.
Bruno deu um passo à frente, foi então que Milena falou.
— Não. — Sua voz saiu mais firme que esperava.
Marcelo virou o rosto imediatamente. Os olhos dele se estreitaram ao perceber que Milena estava nervosa.
— Amor?
Ela não desviava os olhos de Bruno. Seu rosto estava sério.
— Desculpa amor, mas ele não entra nesta casa.
Marcelo franziu o cenho, claramente sem entender.
— Vocês se conhecem?
Milena deu um passo à frente, ficando ao lado de Marcelo.
— Sim.
Bruno soltou uma pequena risada pelo nariz, cruzando os braços.
— Parece que alguém aqui não ficou feliz em me ver.
Marcelo endireitou a postura. Era como se um barulho de alerta tivesse soado em seu ouvido.
— Como você conhece minha mulher? — ele perguntou olhando diretamente para Bruno.
Bruno encarou Milena sem pudor.
— Será que ela gostaria que eu contasse?
— Não vejo problema algum nele saber. Conheci Bruno quando eu ainda dançava na boate… ele estava lá todos os dias.
O sorriso de Bruno não desapareceu, mas deu uma vacilada.
Marcelo olhou rapidamente para ele. Depois voltou para Milena.
— Todos os dias?
Milena assentiu.
— No começo eu achei que fosse só mais um cliente.
Bruno deu de ombros, como se aquilo não fosse nada demais.
— Eu só estava sendo simpático.
Milena ignorou a interrupção.
— Até que um dia ele descobriu quem eu realmente era. Começou a conversar comigo. A aparecer sempre no mesmo horário. A perguntar da minha vida… se aproximou das crianças.
Bruno soltou um pequeno suspiro, impaciente.
— Isso não é exatamente um crime.
Mas Milena continuou.
— Depois disso ele começou a se aproximar mais. Se ofereceu para ajudar com algumas coisas… dizia que só queria ser meu amigo.

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