Horas depois, enquanto a festa ainda acontecia, Milena e Marcelo fugiam para a lua de mel.
O som do mar preenchia tudo ao redor, constante, quase hipnótico. A ilha era pequena, isolada o suficiente para fazer o mundo parecer distante. Nenhum barulho além das ondas, do vento e deles. A escolha tinha sido dele. Nada de luxo chamativo, nada de gente por perto. Só eles.
Milena estava na varanda, apoiada na madeira clara, o olhar perdido na linha onde o céu encontrava o mar. O vento passava leve pelos cabelos soltos, trazendo o cheiro salgado que parecia limpar tudo por dentro.
Ali, não existia pressa. Nem responsabilidades imediatas. Nem vozes chamando. Pela primeira vez em muito tempo, ela não precisava se dividir.
— Você vai ficar aí parada ou eu posso roubar um pouco da atenção da minha esposa?
A voz de Marcelo veio atrás dela, baixa, com aquele tom que sempre a fazia sorrir antes mesmo de responder.
— Depende… — respondeu com calma sem virar completamente. — O que você está oferecendo?
Ele se aproximou sem fazer barulho, parando logo atrás. Por um segundo, apenas observou. Depois deslizou as mãos pela cintura dela e a puxou para mais perto, sem deixar espaço entre seus corpos.
— Tudo.
O sorriso veio fácil. Ela fechou os olhos por um instante, sentindo o calor dele nas costas.
— Convincente.
Marcelo inclinou o rosto, roçando o nariz de leve na curva do pescoço dela antes de apoiar o queixo ali.
— Como pude perder tanto tempo para isso aqui… — murmurou, a voz baixa contra a pele dela.
Milena virou o rosto, encontrando o olhar dele a poucos centímetros.
— Para a viagem na ilha?
Ele negou devagar, aproximando ainda mais.
— Por você assim… inteira só pra mim. Com esse olhar tranquilo… esse sorriso que me desmonta. Sem precisar te dividir com ninguém.
Ela sustentou o olhar, sem fugir.
— Eu sempre fui assim com você.
Marcelo soltou um leve suspiro, os dedos apertando de leve a lateral da cintura dela.
— Não… agora você está leve. O seu olhar brilha mais.
A resposta ficou entre eles. Milena encostou a testa na dele, deixando o ar sair devagar, como se aquela frase tivesse tocado em algo mais fundo.
— Eu achei que nunca ia chegar nesse ponto… — confessou, com a voz mais baixa. — Que sempre ia ter alguma coisa pra resolver. Algum problema pra apagar o que a gente estava vivendo.
Marcelo levou uma das mãos ao rosto dela, segurando com cuidado, o polegar deslizando devagar pela maçã do rosto.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário