Semanas se passaram desde o pedido, mas, diferente de tudo que haviam vivido antes, dessa vez nada foi adiado. Não houve imprevistos, nem decisões impulsivas que atropelassem o momento. Marcelo fez questão de que cada detalhe fosse pensado com calma, não pela ostentação, mas pelo significado. Ele queria que aquele dia fosse exatamente o que Milena merecia: bonito, verdadeiro e inesquecível.
A cerimônia foi organizada em um espaço elegante, cercado por jardins bem cuidados, onde a luz do fim da tarde atravessava as árvores e criava um cenário quase silencioso, como se até o tempo tivesse diminuído o ritmo para acompanhar aquele momento. Nada exagerado, ou chamativo demais, mas cada escolha carregava intenção. As flores claras, os tons suaves, as cadeiras alinhadas com precisão. A família estava ali, amigos próximos, pessoas que realmente importavam.
Marcelo aguardava no altar com uma calma que não condizia com o que sentia por dentro. As mãos entrelaçadas à frente do corpo denunciavam uma ansiedade contida. Ele nunca havia esperado por algo daquela forma. Nunca tinha feito questão de cerimônias, de rituais. Mas naquele dia, tudo era diferente, porque envolvia ela.
Quando a música começou, o silêncio se espalhou entre os convidados.
Milena ainda não tinha aparecido ainda, mas a expectativa já era suficiente para prender todos os olhares na entrada. Foi então que ela surgiu.
Por um segundo, ninguém se mexeu.
Mas não foi o vestido que chamou mais atenção, nem a forma como a luz parecia acompanhar cada passo dela. Foi quem estava a esperando.
Álvaro após anos numa cadeira de rodas estava ali de pé. O corpo ainda carregava as limitações, os passos eram curtos, cuidadosos, mas firmes. Ele havia se preparado para aquilo. Sem avisar ninguém, sem transformar em um espetáculo. Apenas decidiu que pisaria naquele caminho ao lado da filha, como sempre deveria ter feito.
Milena travou no instante em que o viu.
— Pai...
Os olhos se encheram antes mesmo que ela percebesse. A garganta apertou de um jeito que não permitia mais palavras. Por um segundo, ela esqueceu de tudo ao redor. Não havia convidados, não havia cerimônia. Só aquele homem que ela tanto ama, de pé, ao lado dela.
— Eu disse que ia conseguir, minha filha… — Álvaro murmurou, baixo, com um pequeno sorriso cansado, mas orgulhoso.
Ela não conseguiu responder. Apenas assentiu, segurando o braço dele com mais força, como se aquilo fosse a única coisa que a mantinha no lugar.
Mais atrás, Lívia levou a mão ao rosto, já chorando sem qualquer tentativa de disfarçar.
— Ainda bem que a maquiagem é boa, amiga… — comentou, com um riso leve entre as lágrimas.
Milena respirou fundo, tentando se recompor, mas era impossível conter tudo.
— Vamos, filha... ele está lá, te esperando.— Ele disse estendendo o braço para ela segurar.
Ela sorriu e voltou o olhar para frente, encontrando Marcelo.
E ele já estava olhando para ela. Não havia distração no olhar dele. Não havia pressa, nem nervosismo aparente. Só uma certeza silenciosa, quase palpável, de que tudo que aconteceu antes levou exatamente àquele momento.

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