Vallentina se recuperava bem. Apesar de Milena ter desconfiado que a queda tinha algo a mais, com as imagens de segurança foi confirmado que não passou disso. Mesmo com a morte de Sabrina e tudo parecer tranquilo demais, ela sempre ficava em alerta com tudo que envolvesse seus filhos.
Na faculdade a aula seguia em um ritmo constante, Milena estava focada em cada aula. Todo dia aprendia algo novo. Fez novos amigos. A cobrança do professor parou. Ela estranhou, mas sabia que tinha dedo do Marcelo nisso. Pouco a pouco a rotina não se tornava um fardo.
Ela estava distraída quando o som do microfone cortou a sala.
— Milena Carlson, por favor, comparecer à sala da direção.
O silêncio veio imediato. Algumas cabeças se viraram curiosos. Milena franziu levemente a testa, surpresa. O coração acelerou, não por medo real, mas por não entender o motivo.
— O que você fez amiga?— perguntou Thalia.
Milena balançou a cabeça devagar.
— Que eu me lembre, nada. Mas vai saber.— brincou tentando parecer tranquila.
O professor interrompeu a explicação, olhando para ela.
— Acho melhor você ir.
Ela assentiu, já se levantando. Sentia os olhares acompanhando cada passo até a porta. Do lado de fora, o corredor parecia mais longo do que de costume. Quando chegou à porta da direção, parou por um segundo. Respirou fundo, ajeitou a bolsa no ombro e bateu levemente. Aguardou uma resposta, mas nenhum som surgiu.
Hesitante empurrou a porta que estava apenas encostada.
— Com licença, senhor… — disse, entrando.
A sala estava com um música baixa. A cadeira atrás da mesa estava virada de costas. Ela deu mais um passo para dentro, um pouco confusa.
— Pode fechar a porta, por favor.
A voz veio mais grave do que o esperado. Familiar, mas deslocada naquele ambiente.
Milena hesitou por um instante, mas fechou.
— Eu… sou a Milena... — começou, se aproximando da mesa. — Fui chamada…
A cadeira girou e Milena soltou o ar que havia prendido.
— Marcelo? O que você está fazendo aqui?
O susto se misturou com um sorriso automático que escapou antes que ela pudesse conter.
Ele a observou por um instante em silêncio. Depois se levantou, contornando a mesa devagar.
— Fazendo o que eu deveria ter feito há muito tempo.
Milena franziu levemente a testa, ainda sem entender.
— O que, amor?
Ele soltou um pequeno riso, passando a mão pela nuca.
— Nossa história começou quando você atravessou aquela porta… — disse, olhando diretamente para ela. — Você estava assustada, desesperada… e eu… era imaturo demais pra saber como me aproximar de você sem parecer um completo idiota.
Ela deixou escapar uma risada baixa, ainda tentando acompanhar.
— Isso é verdade…
— No fim, eu te machuquei… sem nem perceber.
O sorriso dela diminuiu um pouco.
— Por que você está lembrando disso?

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