"Algumas verdades não precisam ser explicadas. Elas apenas encontram alguém capaz de enxergá-las."
— Querida... você está grávida?
A pergunta de Margareth Fitzgerald não veio carregada de choque ou incredulidade. Pelo contrário. A voz dela saiu tão suave e emocionada que, por um instante, Dayse sentiu o coração apertar dentro do peito.
O silêncio tomou conta da cobertura.
Clara permaneceu parada ao lado do sofá com os olhos arregalados e ainda brilhando por causa das lágrimas que havia derramado minutos antes. Marina continuava de pé próxima da mais velha, mas agora observava a cena em absoluto silêncio, como se entendesse que aquele momento já não pertencia a nenhuma delas.
Dayse sentiu a garganta fechar.
Por alguns segundos, tentou responder, encontrar alguma palavra. Mas não conseguiu porque aquela pergunta transformava tudo em realidade.
Não era mais um teste escondido dentro de uma bolsa, nem um segredo dividido apenas entre amigas ou uma possibilidade.
Era real.
Os olhos dela se encheram de lágrimas novamente antes que pudesse impedir e, por fim, assentiu devagar.
Foi um movimento pequeno, quase imperceptível, mas suficiente.
Margareth levou a mão à boca ao mesmo tempo que seus olhos marejaram de imediato e aquilo surpreendeu Dayse mais do que qualquer outra reação poderia surpreendê-la.
Não havia preocupação no rosto da avó de Edward. Nem julgamento, decepção ou raiva.
Havia felicidade.
Uma felicidade tão genuína que fez o peito de Dayse doer.
— Meu Deus... — Margareth sussurrou enquanto os olhos brilhavam. — Meu Deus...
Clara foi a primeira a perder completamente a batalha contra as próprias emoções.
— Eu sabia que esse momento seria emocional demais para mim.
Marina fechou os olhos por um segundo.
— Clara...
— O quê? — ela respondeu, enxugando o rosto. — Eu estou tentando colaborar.
— Você está chorando mais do que a grávida.
— Porque eu sou uma pessoa sensível.
— Você é dramática.
— Isso também.
A pequena troca arrancou uma risada baixa de Margareth e até mesmo um sorriso trêmulo de Dayse.
Por alguns segundos, a tensão diminuiu, mas apenas por alguns segundos.
Porque a verdade continuava ali.
Margareth voltou a olhar para Dayse e, naquele instante, alguma coisa silenciosa passou entre as duas mulheres.
Talvez porque ambas soubessem que existia uma conversa muito maior esperando para acontecer.
Clara percebeu primeiro e Marina logo depois.
As duas trocaram um olhar rápido.
— Acho que vocês precisam conversar — Marina anunciou enquanto se levantava.
As duas se aproximaram de Dayse.
Clara beijou sua testa e Marina apertou sua mão.
E alguns instantes depois saíram da cobertura, deixando a sala silenciosa.
Agora havia apenas Dayse e Margareth.
Margareth sentou-se ao lado dela no sofá com calma, sem invadir seu espaço, sem pressioná-la a falar, apenas permanecendo ali.
E isso, de alguma forma, fez Dayse sentir vontade de chorar ainda mais.
Porque estava cansada de esconder, de ter medo, de tentar ser forte o tempo inteiro.
Margareth segurou delicadamente uma de suas mãos.
— Você está assustada.
Não foi uma pergunta, foi uma constatação.
Dayse abaixou os olhos para as próprias mãos e por alguns segundos ficou em silêncio. Depois assentiu.
— Muito.
Margareth apertou sua mão.
— Quer me contar por quê?
A pergunta saiu baixa e cuidadosa. Sem qualquer julgamento. E foi exatamente isso que desmontou as últimas defesas de Dayse.
Ela respirou fundo tentando organizar os pensamentos. Mas quando finalmente falou, a voz saiu trêmula.
— Eu tenho medo de que ele não queira esse bebê.
A confissão ficou suspensa entre elas.
Margareth não interrompeu, não tentou corrigir. Não tentou tranquilizá-la imediatamente. Apenas ouviu.
Dayse passou a mão pelo rosto antes de continuar.
— Eu sei que parece absurdo.
Os olhos voltaram a marejar.
— Eu sei que Edward tem sido maravilhoso comigo.
A voz falhou discretamente.
— Eu sei que ele tem cuidado de mim, que ficou ao meu lado nas Maldivas, que praticamente cancelou a própria vida para ter certeza de que eu estava bem.
Ela soltou o ar lentamente.
— Mas uma coisa é me querer.
Os dedos apertaram a própria mão.
— Outra completamente diferente é descobrir que vai ser pai.
Margareth observou aquela jovem mulher durante alguns segundos.
Então sorriu.
Um sorriso triste, carinhoso e cheio de compreensão.
— Você sabe quem apareceu chorando na minha casa quando descobriu que estava grávida?
Dayse ergueu os olhos confusa.
— Quem?
— Helena.
A resposta veio simples.
Dayse piscou.
— A mãe do Edward?
Margareth assentiu.
— Sua sogra estava apavorada.
Margareth continuou.
— Ele disse que não sabe o que está acontecendo. Disse que odeia ver você sofrendo, que está tentando respeitar o seu tempo mesmo quando tudo dentro dele quer resolver o problema imediatamente.
O sorriso dela ficou mais suave.
— E disse que não quer perder você.
Dayse fechou os olhos. Porque aquilo era mais do que esperava ouvir. Mais do que conseguia suportar. Mais do que precisava.
Margareth segurou seu rosto entre as mãos e esperou até que ela a encarasse novamente.
— Querida, eu conheço meu neto desde o segundo em que ele nasceu.
A voz saiu firme, segura e cheia de certeza.
— E posso garantir uma coisa.
Dayse permaneceu imóvel esperando.
— O homem que atravessou Manhattan para admitir ao avô que está com medo de perder você não vai fugir porque vai ser pai.
As lágrimas voltaram.
Mas agora misturadas a algo diferente.
Esperança.
Pela primeira vez desde as Maldivas, Dayse acreditou.
Margareth sorriu.
— Quando você contar, ele vai ficar feliz. Vai ficar assustado também e vai querer controlar cada detalhe da situação.
Isso arrancou uma risada emocionada de Dayse.
— Isso parece muito ele.
As duas sorriram. E naquele instante o medo pareceu menor.
Não porque tivesse desaparecido, mas porque já não estava sendo carregado sozinha.
Margareth apertou sua mão.
— E eu vou estar ao seu lado.
A voz saiu firme.
— Em cada consulta. Em cada dúvida. Em cada medo.
Os olhos dela brilharam.
— Porque você já faz parte da minha família.
Dayse voltou a chorar, mas dessa vez havia paz nas lágrimas.
Alguns minutos depois, quando Margareth finalmente se despediu e deixou a cobertura, Dayse permaneceu sozinha no centro da sala durante vários segundos, absorvendo cada palavra daquela conversa antes de caminhar até o quarto.
Quando abriu o armário, já não sentia o mesmo pânico que a acompanhava desde o teste positivo, ainda havia medo, ainda havia dúvidas e ainda existiam perguntas sem resposta, mas agora também existia uma decisão crescendo silenciosamente dentro dela.
Por isso escolheu uma roupa com cuidado, pegou a bolsa onde o teste permanecia guardado e respirou fundo diante do espelho antes de sair.
Porque, pela primeira vez desde que descobriu a gravidez, sabia exatamente o que precisava fazer.
Dayse segurou o celular com força enquanto caminhava em direção ao elevador.
O coração continuava acelerado, mas agora não era apenas medo.
Era decisão.
Porque naquele dia pretendia finalmente contar a Edward Fitzgerald que ele iria ser pai.

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