"O amor se torna impossível de negar quando alguém escolhe ficar ao seu lado diante de todos."
Liliana Hart sentiu o corpo inteiro endurecer antes mesmo de encontrar coragem para se virar, porque conhecia Edward Fitzgerald o suficiente para saber que aquela voz baixa, fria e perigosamente controlada era muito pior do que qualquer explosão de raiva.
O departamento jurídico inteiro permaneceu em absoluto silêncio.
Ninguém respirava direito.
Ninguém se movia.
Até os funcionários que segundos antes fingiam não estar ouvindo a discussão agora encaravam a cena sem qualquer disfarce, porque todos tinham entendido que alguma coisa grave acabava de acontecer diante deles.
Dayse continuava parada a poucos metros de Liliana, com o rosto pálido, os olhos úmidos e uma das mãos apertando a alça da bolsa com tanta força que os dedos pareciam prestes a perder a cor.
Edward não olhou para Liliana primeiro, viu as lágrimas no rosto de Dayse e no mesmo instante, a mandíbula tencionou de uma maneira quase imperceptível, mas Adrian, que surgiu logo atrás no corredor, percebeu imediatamente aquele detalhe e ficou imóvel.
Ele conhecia o amigo bem demais para saber que Edward raramente ficava tão perigoso quanto quando parava de demonstrar qualquer emoção.
Liliana se virou devagar.
O rosto dela havia perdido parte da cor, mas ainda tentou sustentar uma expressão firme, quase ofendida, como se pudesse transformar o próprio ataque em algum tipo de mal-entendido profissional.
— Edward, eu apenas…
— Eu mandei repetir.
A interrupção veio baixa, precisa e sem qualquer alteração de tom.
Liliana fechou a boca imediatamente e o silêncio voltou a pesar.
Edward caminhou alguns passos na direção dela, sem pressa alguma, e cada movimento pareceu aumentar a tensão dentro do departamento, porque não havia nada impulsivo em sua postura.
Ele não estava fora de si, nem descontrolado. Estava decidindo exatamente como destruir aquela situação.
— Repita o que acabou de dizer à senhorita Whitmore na frente dos funcionários desta empresa.
Liliana engoliu em seco, e pela primeira vez desde que entrou naquela guerra contra Dayse, uma hesitação real atravessou seu rosto.
— Você chegou no meio de uma conversa e não entendeu o contexto.
Edward inclinou minimamente a cabeça, e o sorriso que surgiu no canto de sua boca não carregava qualquer traço de humor.
— Contexto?
A palavra saiu quase suave. Foi isso que a tornou ainda mais ameaçadora.
Liliana tentou respirar fundo.
— Eu estava apenas dizendo que existem comentários dentro da empresa, Edward, comentários que talvez você ignore por estar envolvido demais para perceber, e eu achei que alguém precisava…
— Alguém precisava humilhar publicamente uma funcionária? — Edward perguntou, interrompendo-a outra vez com a mesma calma cortante. — Alguém precisava insinuar diante de todo o departamento jurídico que uma profissional desta empresa construiu a própria carreira através da minha cama?
O rosto de Liliana se fechou.
Dayse desviou os olhos por um instante, claramente atingida ao ouvir a frase repetida, e Edward percebeu aquele movimento com uma precisão dolorosa.
Os olhos dele escureceram.
— Olhe para ela quando tentar justificar o que fez.
Liliana piscou.
— O quê?



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