“Algumas pessoas atacam porque estão feridas. Outras atacam porque não suportam ver alguém feliz.”
Pela primeira vez desde que deixou as Maldivas e voltou para Manhattan carregando um segredo grande demais para caber apenas dentro dela, Dayse Whitmore atravessou as portas da Fitzgerald Corporation sentindo que finalmente havia tomado uma decisão.
O medo continuava existindo, porque seria impossível descobrir uma gravidez inesperada, passar dias escondendo a verdade do homem que amava e simplesmente acordar sem insegurança alguma, mas agora aquele medo já não parecia maior do que a necessidade de contar a Edward tudo o que vinha guardando desde o momento em que viu o resultado positivo surgir diante dos próprios olhos.
Enquanto caminhava pelo saguão principal da empresa segurando a bolsa junto ao corpo, lembrava-se involuntariamente das palavras de Margareth, da convicção tranquila com que a avó de Edward garantiu que ele a amava e da certeza quase inabalável com que afirmou que o neto não fugiria ao descobrir que seria pai.
Era estranho perceber como algumas conversas tinham o poder de reorganizar uma pessoa por dentro.
Porque, embora Dayse ainda estivesse nervosa, já não se sentia completamente perdida.
Pela primeira vez, conseguia imaginar Edward recebendo aquela notícia sem que o pior cenário surgisse imediatamente dentro da sua cabeça.
Conseguia imaginá-lo surpreso, assustado, preocupado, mas também conseguia imaginá-lo feliz.
A simples possibilidade fez um sorriso discreto surgir no canto da sua boca enquanto o elevador subia silenciosamente pelos andares da empresa.
Quando as portas finalmente se abriram para o departamento jurídico, Dayse respirou fundo e saiu para o corredor principal sentindo o coração acelerar um pouco mais, porque talvez dentro de poucos minutos tudo entre ela e Edward mudasse para sempre.
O que ela não percebeu foi que alguém a observava desde o instante em que apareceu.
Liliana Hart permaneceu imóvel perto das salas de reunião, acompanhando cada movimento de Dayse com uma atenção quase obsessiva, enquanto uma mistura de raiva, ressentimento e humilhação se acumulava silenciosamente dentro dela.
Porque aquela mulher continuava ocupando o espaço que Liliana acreditava que deveria ser dela. Ela usava o anel que um dia ela imaginou receber. Ela foi escolhida, enquanto por muitos anos ser escolhida por ele era o seu maior sonho.
E, pior do que tudo, Dayse parecia feliz e aquilo era insuportável.
Liliana respirou fundo, endireitou os ombros e começou a caminhar.
— Senhorita Whitmore.
A voz saiu suave, educada e quase cordial, mas bastou ouvi-la para que Dayse sentisse uma tensão imediata percorrendo seu corpo fazendo ela se virar devagar.
Liliana estava parada a poucos metros de distância, impecavelmente vestida, com os cabelos perfeitamente alinhados e uma expressão tranquila demais para ser sincera. Era justamente aquele tipo de calma que costuma anteceder problemas.
— Doutora Hart.
Dayse respondeu por educação, embora já sentisse o desconforto crescer dentro do peito.
Os olhos de Liliana percorreram seu rosto lentamente antes de descerem até a bolsa que ela carregava e voltarem para seus olhos outra vez.
— Faz tempo que não conversamos.
— Não acredito que exista qualquer motivo para isso.
O sorriso da advogada aumentou discretamente.
— Talvez não.
Ela inclinou levemente a cabeça.
— Embora eu admita que você continua me surpreendendo.
Dayse franziu a testa.
— Não entendi.
— Entendeu sim.
A resposta veio acompanhada de um sorriso frio.
— Apenas prefere fingir que não.
Alguns funcionários começaram a prestar atenção na conversa, enquanto outros diminuíram discretamente o ritmo de trabalho.
O ambiente ainda parecia normal, mas Dayse percebeu rapidamente que a atenção ao redor estava crescendo.
— Com licença.
Ela tentou seguir caminho, mas Liliana se moveu junto.
Não de forma agressiva, apenas o suficiente para impedir que Dayse fosse embora.
— Sabe o que sempre me fascinou em você?
— Ainda não.
Ela deu um passo à frente.
— Você quer saber o que comentam pelos corredores quando você não está presente?
Dayse sentiu o estômago afundar.
— Liliana...
— Comentam que a senhorita Whitmore descobriu muito rapidamente que dividir a cama do presidente era um caminho muito mais eficiente do que subir profissionalmente por mérito próprio.
O silêncio que surgiu foi imediato, brutal e pesado.
Dayse permaneceu imóvel por alguns segundos, não conseguiu responder.
Não porque acreditasse naquilo, mas porque estava emocionalmente esgotada para suportar mais uma batalha.
As lágrimas começaram a surgir sem que ela percebesse. E foi exatamente nesse momento que Liliana soube que havia atingido onde queria, mas ainda não era suficiente.
Liliana inclinou levemente a cabeça sorrindo e continuou:
— Mas talvez eu esteja sendo injusta.
Dayse piscou lentamente.
— Do que você está falando?
— Talvez você realmente acredite que tudo isso aconteceu por acaso.
A sensação ruim no estômago de Dayse aumentou imediatamente.
— Tudo isso o quê?
Liliana deu um passo menor, mais calculado, como se quisesse que apenas Dayse ouvisse a primeira parte da acusação, embora soubesse que o departamento inteiro continuava atento.
— O contrato.

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