"Todo pai acredita que está preparado para ver a filha crescer. Até o dia em que ela volta da escola com uma flor."
Helena Fitzgerald tinha cinco anos quando decidiu criar a primeira crise emocional séria da vida adulta de Edward Fitzgerald.
E, para piorar a situação, ela sequer percebeu que estava fazendo isso.
Porque, na cabeça de Helena, aquele havia sido apenas mais um dia normal de aula.
Na cabeça de Edward?
Era praticamente uma emergência nacional.
Tudo começou em uma terça-feira aparentemente tranquila.
Dayse estava sentada no sofá da cobertura revisando alguns documentos enquanto Edward respondia e-mails da empresa em um tablet, algo que fazia cada vez menos desde que Helena aprendeU a invadir seu escritório apenas para exigir atenção.
A campainha tocou.
Poucos segundos depois, Helena entrou correndo pela sala.
A mochila quase escorregava dos ombros, os cabelos escuros estavam levemente bagunçados e um enorme sorriso iluminava seu rosto.
— Mamãe!
— Oi, meu amor.
— Papai!
— Oi, princesa.
Ela correu até os pais, e foi exatamente nesse instante que os olhos de Edward encontraram a pequena flor presa aos cabelos da filha. O sorriso dele desapareceu lentamente.
— Helena.
— Sim?
— De onde veio isso?
A menina levou a mão ao cabelo.
— A flor?
— Sim.
— Foi um presente.
Silêncio.
Dayse percebeu imediatamente a mudança na expressão do marido, mas preferiu não dizer nada. Estava curiosa. Muito curiosa.
— Um presente de quem?
Helena sorriu.
— Do Lucas.
Edward piscou duas vezes, como se precisasse ter certeza de que estava vendo direito.
— Quem é Lucas?
— Um menino da escola.
O silêncio aumentou.
Dayse apenas baixou a cabeça, já sabendo exatamente o que estava prestes a acontecer.
— Um menino?
— Sim.
— Da escola?
— Sim.
— Deu uma flor para você?
— Sim.
Helena parecia genuinamente feliz. Edward, nem um pouco.
Dayse precisou morder o lábio para não rir.
Conhecia aquele olhar.
Edward Fitzgerald estava com ciúmes da própria filha. Ou, mais especificamente, do primeiro menino que teve a ousadia de lhe dar uma flor.
Antes que o marido começasse um interrogatório que provavelmente faria Helena acreditar que havia cometido algum crime gravíssimo, Dayse resolveu intervir.
— Meu amor, por que você não vai tomar um banho enquanto eu termino de preparar o almoço?
Helena sorriu imediatamente.
— Posso colocar meu pijama de unicórnio?
— Pode.
— E depois a gente almoça?
— Depois a gente almoça.
— Oba!
A menina saiu correndo pelo corredor, pulando de um pé no outro, completamente alheia à pequena crise existencial que acabara de provocar no pai.
Edward acompanhou a filha com os olhos até ela desaparecer. Então virou lentamente o rosto para Dayse.
— Você viu isso?
Ela já não conseguia esconder o sorriso.
— Vi, amor.
— Ela ganhou uma flor.
— Eu vi.
Edward cruzou os braços.
— De um garoto.
Dayse respirou fundo, tentando manter a expressão séria por aproximadamente dois segundos.
Fracassou.
— Edward...
— Ela tem cinco anos.
— Eu sei.
— Cinco.
— Eu também sei contar.
Ele passou a mão pelo rosto.
— Eu preciso descobrir quem é esse Lucas.
A gargalhada de Dayse ecoou pela sala.
— Amor, ele provavelmente ainda está aprendendo a amarrar os próprios cadarços.
— Isso não melhora a situação.
— Não?
— Não.
Ela caminhou até ele, segurou delicadamente seu rosto entre as mãos e sorriu.
— Bem-vindo ao seu primeiro ataque de ciúmes como pai.
Edward soltou um suspiro resignado.
— Eu já não gostei desse Lucas.
****
Na manhã seguinte, Adrian encontrou o amigo sentado na presidência em silêncio com uma expressão profundamente perturbada.
— O que aconteceu?
Edward ergueu os olhos.
— Um menino deu uma flor para Helena.
Adrian piscou e depois sentou.
— Certo.
— Certo?
— Sim.
— Isso é tudo?
— Ela tem cinco anos.
— Exatamente.
— Edward.
— Sim?
— Ela tem cinco anos.
— Eu ouvi.
Adrian cruzou os braços.
— Seu ciúme começou cedo.
Edward ignorou completamente.
— Eu não estou com ciúme.
— Claro.
— Estou apenas observando um comportamento preocupante.
— Qual comportamento?
— Um menino.
— Com cinco anos.
— Com intenções.
Adrian começou a rir.
— Intenções?
— Não zombe da situação.
— Edward.

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