"Alguns presentes não cabem debaixo da árvore. Eles sentam à mesa conosco."
A Mansão Fitzgerald nunca esteve tão cheia.
As luzes douradas iluminavam cada corredor, os enormes pinheiros decorados ocupavam os principais salões da propriedade e praticamente todas as superfícies disponíveis haviam sido tomadas por guirlandas, laços vermelhos, velas aromáticas e enfeites que Margaret vinha colecionando há décadas.
Segundo Augustus, a casa parecia ter sido sequestrada pelo espírito natalino.
Segundo Margaret, aquilo se chamava bom gosto.
Segundo Edward, era mais seguro concordar com a avó e Augustus, após cinquenta anos de casamento, admitia que aquela era uma decisão extremamente inteligente.
Naquela noite, porém, ninguém estava realmente prestando atenção à decoração.
Porque a casa estava cheia.
Cheia de vozes, risadas, crianças e família, a casa parecia respirar de um jeito diferente, e talvez fosse exatamente por isso que aquele Natal se tornasse diferente de todos os anteriores.
Assim que entrou no salão principal, Augustus percebeu a diferença, parou por um instante, deixou o olhar percorrer o ambiente e permaneceu em silêncio.
Margaret, ao seu lado, acompanhou seu olhar.
Edward estava próximo à árvore segurando Helena nos braços.
A pequena já tinha quase um ano e observava os enfeites brilhantes com uma concentração impressionante, como se estivesse analisando seriamente a possibilidade de capturar uma das bolas douradas.
Dayse permaneceu ao lado deles, sorrindo enquanto observava os dois.
Margaret reconheceu imediatamente aquela expressão, porque era a mesma que costumava surgir em seu próprio rosto sempre que observava Augustus.
Augustus se aproxima da esposa envolvendo os braços ao redor de sua cintura e sussurra baixinho:
— Faz muito tempo que esta casa não fica assim.
Margaret olha para ele.
— Nunca ficou.
Ele sorri.
Olha novamente para Edward.
Para Helena.
Depois responde.
— Tem razão.
Simples assim.
Dayse estava ao lado de Edward e Helena com um sorriso no rosto quando de repente.
— Não deixe ela pegar aquilo.
Dayse mal terminou a frase quando Helena já esticava o braço em direção ao enfeite, mas Edward segurou a pequena mão antes que ela o alcançasse.
— Negativo.
Helena olhou para a mãe como quem buscasse reforços.
Dayse ergueu as duas mãos.
— Não adianta me olhar assim. Hoje eu estou do lado do seu pai.
Helena olhou para o pai, permaneceu em silêncio por um instante, como se estivesse pensando, e então sorriu daquele jeitinho inocente que só ela tinha.
Edward percebeu imediatamente o que estava por vir.
— Não.
Helena riu, tentou alcançá-lo novamente, mas Edward desviou de propósito, arrancando uma gargalhada de Dayse.
Helena encarou Edward sem desviar os olhos. Ele sustentou o olhar da filha por alguns segundos, mas bastou ela fazer um pequeno bico para que ele acabasse suspirando em rendição.
— Não use essa expressão comigo.
Helena repetiu exatamente a mesma expressão e Dayse começou a rir. Porque ambos já sabiam quem venceria aquela discussão e não seria Edward.
— Papai promete que depois de dar um brinquedo melhor.
Helena imediatamente voltou a sorrir, agarrou-se ao pescoço do pai e começou a bater palminhas.
Augustus observava tudo a poucos passos dali com os olhos cheios de ternura.
— Posso?
Edward levantou os olhos e, sem hesitar, colocou Helena nos braços do avô.
A pequena o observou por alguns segundos, como se estivesse avaliando aquele novo colo. Então ergueu a mãozinha e segurou o nariz dele.
Augustus soltou uma risada baixa.
— Acho que fui aprovado.
Margaret sorriu ao assistir à cena.
— Igualzinha ao pai.
Edward arqueou a sobrancelha.
— Eu fazia isso?
— Fazia. E depois puxava os óculos do seu avô.
Augustus balançou a cabeça.
— Você era um perigo em miniatura.
Dayse riu enquanto Edward apenas fingia indignação.
— Tenho quase certeza de que essa história foi aumentada com o passar dos anos.
— Não foi — responderam Augustus e Margaret ao mesmo tempo.
Edward apenas suspirou.
— Estou em desvantagem.
Do outro lado da sala, Clara perseguia Adrian, ou, pelo menos, tentava, já que carregava Julian no colo.
— Você colocou a roupa errada nele.
— Não coloquei.
— Adrian.
— Não coloquei.
— Você trocou o conjunto de Natal pelo pijama.
— Eles são vermelhos.
— Adrian.
— Clara.
— Eles não são iguais.
— São muito parecidos.
— Adrian Keller.

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