"Às vezes a felicidade não chega de uma vez. Ela se constrói devagar, até que um dia percebemos que estamos vivendo exatamente aquilo que sempre sonhamos."
O sol brilhava intensamente sobre os jardins da Mansão Fitzgerald.
A piscina refletia o céu azul sem nuvens enquanto risadas infantis ecoavam por toda a propriedade, misturando-se ao som da água, das conversas dos adultos e da música suave que tocava ao fundo.
Helena Fitzgerald corria ao redor da piscina com a energia inesgotável dos seus sete anos.
Julian corria logo atrás.
Os gêmeos de Marina e Daniel também.
E, em algum momento dos últimos vinte minutos, uma guerra de pistolas d'água havia começado sem que nenhum adulto soubesse exatamente quem tinha dado início.
Mas todos sabiam quem provavelmente tinha incentivado.
Clara.
— Eu juro que não fui eu! — protestou ela imediatamente quando Marina lançou um olhar acusador em sua direção.
— Eu nem perguntei nada.
— Mas pensou.
— Porque eu te conheço.
Clara colocou uma das mãos sobre a barriga já visivelmente arredondada.
A segunda gravidez avançava rapidamente. E, segundo Adrian, ela estava ainda mais impossível do que durante a primeira.
Segundo Clara, aquilo era preconceito. Segundo Adrian, era sobrevivência.
— Julian! — gritou ela. — Não j**a água no tio Daniel!
Julian obedeceu imediatamente.
E jogou água nos gêmeos.
— JULIAN!
— Você disse no tio Daniel!
Adrian fechou os olhos.
— Ele puxou você.
— Graças a Deus.
— Isso não foi um elogio.
— Eu vou fingir que foi.
As gargalhadas surgiram imediatamente.
Perto da piscina, Marina fazia o possível para manter algum tipo de controle sobre os filhos, mas sem qualquer sucesso. Um dos gêmeos havia decidido subir em uma cadeira, o outro já tinha roubado três pedaços de melancia, e ambos pareciam determinados a testar os limites da sanidade dos pais.
— David!
— Não fui eu!
— Eu nem falei o que aconteceu!
— Mas provavelmente fui eu.
Daniel soltou uma gargalhada.
Marina não.
— Isso não tem graça.
— Tem um pouco.
— Daniel.
— Tem bastante.
— DANIEL!
Ele imediatamente levantou as mãos em rendição.
O problema era que ninguém conseguia manter a seriedade naquele ambiente.
Especialmente porque Augustus estava sentado próximo à varanda distribuindo sorvetes escondidos para os bisnetos enquanto Margaret fingia não perceber.
Ou fingia muito mal.
— Augustus Fitzgerald.
— Sim, querida?
— Eles já tomaram sobremesa.
— Isso é apenas uma segunda sobremesa.
— Augustus.
— Estou criando memórias.
Margaret suspirou. Porque depois de tantos anos de casamento já sabia que aquela batalha estava perdida.
Próximo à churrasqueira, Edward cuidava do almoço.
Ou melhor, fingia cuidar do almoço porque passava metade do tempo observando Helena.
— Ela está bem.
A voz de Adrian surgiu ao seu lado.
— Eu sei.
— Então por que continua olhando?
— Porque ela está correndo.
— Sim.

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