"A diferença entre teoria e prática é que, na teoria, os bebês costumam colaborar."
Convencido de que estava pronto para a paternidade, Daniel Whitmore passou meses lendo livros, assistindo a vídeos, participando de cursos, montando o quarto dos bebês, pesquisando carrinhos, comparando marcas de fraldas e estudando horários de alimentação.
Desenvolveu um sistema de organização tão detalhado que Adrian chegou a afirmar que ele administrava a futura paternidade como se estivesse preparando uma operação militar.
Na época, Daniel realmente acreditou que estava preparado. O problema era que nenhum daqueles livros trazia a informação mais importante de todas.
Foi somente depois que os gêmeos nasceram que Daniel descobriu que cuidar de um bebê já era um desafio, enquanto cuidar de dois ao mesmo tempo se aproximava perigosamente de um esporte radical.
Porque a realidade foi muito, muito mais rápida do que qualquer planejamento.
A casa estava mergulhada em caos.
Era um caos bonito, mas ainda assim um caos: David chorava, Nicolas também, Marina permanecia sentada no sofá tentando alimentar um deles, enquanto Daniel segurava o outro, ou pelo menos tentava.
Porque, naquele exato momento, nenhuma das crianças parecia interessada em colaborar.
— Por que ele está chorando?
— Qual deles?
— Esse.
— Qual é esse?
Daniel olhou para o bebê, depois para Marina e voltou a encarar o filho.
— Eu não sei.
Marina começou a rir.
— Daniel.
— Eles são idênticos.
— Você é o pai.
— Eu sei disso.
— Então descubra.
— Eu estou tentando.
David aumentou o volume do choro. Ou talvez fosse Nikolas. Naquele momento, Daniel já não fazia a menor ideia de qual dos dois estava chorando.
— Certo.
— O quê?
— Eu oficialmente perdi o controle da situação.
Marina voltou a rir.
Porque aquela era a terceira vez que ele fazia a mesma declaração naquele dia. E ainda eram apenas dez horas da manhã.
O verdadeiro desastre começou cerca de vinte minutos depois, quando Daniel finalmente conseguiu acalmar um dos bebês. Ou, pelo menos, acreditou que tivesse conseguido.
— Está vendo?
A voz carregava uma confiança perigosa.
— Eu resolvi.
Marina arqueou uma sobrancelha.
— Tem certeza?
— Absoluta.
O bebê observou o pai. Daniel sustentou aquele olhar por alguns segundos e chegou a acreditar que, enfim, tudo estava tranquilo. Então, sem qualquer aviso, o pequeno vomitou diretamente em sua camisa e o silêncio tomou conta da sala.
Daniel permaneceu completamente imóvel.
— Certo.
Marina já estava chorando de tanto rir.
— Daniel...
— Certo.
— Amor...
— Eu entendi a mensagem.
O bebê sorriu.
Marina riu ainda mais.
— Ele gostou de você.
Daniel olhou para a própria camisa.
— Ele acabou de me atacar.
— Amor...
— Isso foi pessoal.
Foi exatamente nesse momento que a campainha tocou. Edward entrou segurando Helena nos braços, Dayse veio logo atrás e os dois ficaram em silêncio por um instante ao se depararem com a cena diante deles.
Havia um bebê chorando, outro sendo alimentado, Marina tentando manter a organização, Daniel coberto de leite e um nível geral de desespero que podia ser percebido assim que se atravessava a porta.
Edward observou toda a cena durante alguns segundos, em um silêncio tão absoluto que chegou a preocupar Daniel. Só então se sentou no sofá.
Enquanto isso, Helena permanecia tranquila nos braços de Edward, calma, serena e perfeita, como se o caos ao redor simplesmente não existisse.
Daniel observou Helena por um instante, desviou os olhos para os próprios filhos e voltou a encará-la, claramente tentando entender como aquilo era possível.
— Eu devia ter feito vasectomia.
Marina quase engasgou.
Dayse levou uma das mãos à boca.
Nesse instante, Adrian entrou ao lado de Clara e parou na porta.
E Edward?
Edward permanecia completamente tranquilo, acomodado no sofá com Helena nos braços e a arrogância de um homem convencido de que havia vencido a paternidade.
— Fraqueza.
Daniel virou lentamente o rosto.
— Desculpa?
— Fraqueza.

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