Paulo Niko Sankyo
Acabamos de almoçar. Estou sentada na sala, enquanto ela arruma a cozinha.
Eu nunca perdi o controle. Minhas origens e meu modo de criação, garantem que eu seja a pessoa mais controlada e paciente do mundo.
Mas o lance da Sabrina trabalha no Internato está tirando o meu controle. Tudo que aconteceu no escritório hoje, foi desencadeado pelo pensamento de que amanhã ela sairá de casa, e esperará a manhã toda dando aula e fazendo não sei o que... No outro lado da cidade.
Eu bufo…
Foi gostoso?? Foi... Foi muito gostoso! Mas a verdade é que saí completamente da forma que eu costumo agir. Fui bem bruto com ela, mais do que estou acostumado a ser…
Acho que estou deixando as rédeas muito soltas... O lance da camisa... O lance de me tocar sem me pedir... Isso tudo só confirma minha teoria. Não quero perder o controle dela.
Já tive que concordar com o emprego…
Não posso mais ceder nada...
Me levanto do sofá e vou para o espaço gourmet, respire um pouco de ar puro.
E pior que nem posso falar sobre isso com ninguém, pois eu só estou colocando porque permitir algo que não deveria ter permitido.
O problema é só meu... E pra conversar com alguém sobre isso, se já sei exatamente o que vão falar pra mim. O claro…
Que concorda com essa cláusula nunca daria certo…
Fui acreditar no "se"... Me ferrei...
Achei que ela fosse desistir...
Achei que, assim que sentisse segurança, fosse abrir mão dessas pessoas, como Duda e Camila abriram.
Porque ela não fazia o mesmo?
Eu duvido que essas pessoas a trataram como alguém da família! Eu duvido…
Depois que ela terminar suas obrigações, iremos para a sala de jogos. Quero descontar toda essa gripe que sinto neste momento no jogo.
Para amanhã começar a semana bem... E eu respirar menos frustrado!
Vejo meu telefone tocar, e como se ele tivesse um sexto sentido, vejo o nome do Bernardo piscar.
Ligação On
-Fala…
-Melhorou japonês?
Por alguns segundos fico sem entender o que ele perguntou... Mas logo depois me lembro das costas.
-Um pouco. Mas acho que vou precisar das agulhas.
Bernardo não é acupunturista, mas sempre que isso acontece eu indico os pontos para ele e ele faz direitinho, pois já tem uma certa noção por ser médico.
-Quer que eu vá aí hoje?
Eu suspiro... Bernardo se torna um menininho quando o assunto é o pai... E quem não se tornaria?
Sentir que apesar de nossos esforços, ainda continuamos sendo uma decepção para nossos pais, é uma dor difícil de carregar. Por isso agradeço a todos os dias, por ter os pais que tenho. Compreensivos e prontos sempre para me auxiliar, não que eu precise…
-OK! Está combinado...
-Além da dor que está sentindo, está tudo bem?
Era a hora de dizer a ele que não né... Que eu não estou bem... Mas não posso... Não é o momento... Ele já tem muitos dramas para lidar hoje. Sabe o que falo?
-Estou sim... Nos vemos amanhã…
-Sim... Obrigada irmão…
Desligo o telefone e escuto passos se aproximando, me virando para olhar para ela.
-Terminei meu mestre!
-Pode se dirigir ao quarto de jogo então Sabrina, e me espere na porta do jeito que eu gosto.
-Sim, meu mestre!
Ela vira as costas e sobe as escadas. E eu continuo ali...
Vou deixar ela esperando um pouco, porque preciso reencontrar o controle que há em mim, mesmo que seja só um pouquinho.
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Doce Pecado
Cadê os capítulos...
A leitura não abre... Por quê???...
Cadê os capítulos...