Paulo Niko Sankyo
Acordo primeiro que ela, como na grande maioria das vezes.
O dia de ontem foi excepcional!
Enfim, eu fiz o que precisava fazer, que era entrar em contato com a natureza.
Eu preciso sentir meus ancestrais por perto, me guiando da melhor forma possível, principalmente às vésperas de duas cirurgias complicadas. E só consigo fazer isso, meditando.
Eu achei que Sabrina fosse me distrair no passeio e que eu não fosse conseguir meditar, mas ela me surpreendeu, e como sempre, se comportou muito bem.
Ela é completamente adaptável à minha vida... Eu nunca conheci alguém como ela... Camaleoa, que se esforça para se adaptar a cada situação.
Ela não tira meu foco das minhas responsabilidades e nem exige de mim, atenção o tempo todo que está comigo. Se ela tiver que ficar em silêncio para me ajudar, ela fica, se tiver que contar uma história,ela conta.
Não há nada que me desagrade nela... Apenas o trabalho que ela cisma em manter, mas isso é conversa para uma outra hora.
Nem todo mundo tem talento para meditar, parar, ficar quieto e se conectar consigo. Pessoas agitadas não conseguem, além de ser algo que precisa de uma constância para fazer sentido.
Eu achei que ela não fosse conseguir. Ela é tão agitada, tão dramática e aquela cabecinha não pára um minuto.
Mas pelo contrário, ela realmente tentou ... Ela realmente levou a sério. E eu fiquei muito entusiasmado. Porque isso significa que ela está aberta para novidades e para aprender.
Me levanto da cama e vou para o banheiro. Vou dar uma corrida na esteira da academia novamente. Não dá pra ficar aqui admirando ela dormi...
Ontem a noite depois do banho, jantamos... Eu fudi ela mais umas duas vezes, e ela desmaiou ao meu lado. Ela se aproveitou de que estávamos íntimos muito mais que antes, afinal, compartilhamos uma meditação, e me tocou da forma que queria. Não pense que eu não percebi, mas eu chamei atenção dela por isso?
Não... Porque chamaria?
Aquelas mãozinhas pareciam mãozinhas de fada sobre a minha pele. É uma das sensações mais deliciosas possíveis. Aproveitei do sexo baunilha, pra quando eu for jogar, não senti falta de seu toque... Porque se eu não me policiar, isso vai acabar acontecendo.
Então... Por causa da intensidade e da intimidade de ontem... Eu preciso de espaço para pôr os meus pensamentos em ordem. E ficar na cama observando, não vai me fazer adquirir este espaço.
Eu não quero me sentir completamente conectado a uma pessoa que não consegue decidir entre o que temos e o que deixou para trás. Então o espaço, às vezes, é bom, faz a cabeça voltar aos trilhos.
Visto um short, ponho o tênis e pego uma camisa. Já me encaminho para a porta.
Chegando lá em baixo vou pedir para que sirvam o café às oito. Acho que mais duas horas de sono para ela, já está de bom tamanho.
*******
Entro no quarto e ela está no mesmo lugar que na manhã do dia anterior. Sentada, tomando café.
-Bom dia Hani!
-Bom dia mestre! -ela sorri.
-Acordou sozinha, ou foi o café que te acordou?
-Já havia acordado quando chegou. Eu procurei o mestre... Fui até a segurança…
O que? Como assim ir até a segurança?
-Porque Hanī?
-Achei que tinha acontecido algo, ontem o mestre deixou um bilhete e hoje não havia nada, nem uma mensagem.
Ahhhhhhh Hanī, está começando a confundir as coisas?
-Não deixei porque achei que você fosse deduzir que eu estava na academia. Mesmo porque se eu não te comuniquei, é porque eu não achei necessário.
Ela fica rubra…
Às vezes eu tenho que lembrar a ela que estamos numa relação Bdsm.
Estou tomando meu café quando ela sai do quarto com um vestido na altura do joelho floral de alcinhas, rabo de cavalo e tênis all star branco, o mesmo que estava ontem. Sem maquiagem, apenas com um brilho labial.
Muito menininha.
Quando digo que ela parece um camaleão, é disso que estou falando…
Ela se adapta à situação, seja no modo de se comportar, ou no modo de se vestir. Ela pode ser uma mulher fatal, como estava vestida na sexta quando fomos jantar, e ao mesmo tempo uma adolescente, como parece agora na minha frente.
-Estou pronta mestre!
-Arrumou suas coisas? Nós vamos direto do festival embora.
Ela balança a cabeça confirmando.
-Está tudo arrumado. Arrumei algumas coisas suas também que ainda estavam no banheiro.
Mais uma vez me surpreendo. Ela não tinha obrigação nenhuma de fazer isso. Quem arruma minhas coisas sou eu. Não gosto de ninguém mexendo nelas. Só a Zefa que tem autorização para isso. Mas confesso que gostei de saber que ela se preocupou em olhar, para ver se eu estava esquecendo de algo. É o que uma esposa faria, não é mesmo?
"Ela não é sua esposa Paulo! E está longe de ser "
Porra de cabeça teimosa!
-Ok! Então vamos, vou pedir para Afonso vir buscar as malas…
Saímos do quarto em direção a recepção do hotel para fechar a conta.
Já sinto saudade daqui... Aqui o ar é tão mais puro do que São Paulo.
Às vezes me sinto sufocado na capital!!!
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Doce Pecado
Cadê os capítulos...
A leitura não abre... Por quê???...
Cadê os capítulos...