Paulo Niko Sankyo
Estamos na ponte de ferro vermelha, que se localiza no centro do Parque Kasato Maru.
Está lotado por causa do festival. As cerejeiras estão floridas. O lago está limpo e dá para ver as carpas de cima.
O parque está todo enfeitado com lanternas de papel, faixas... Além de ter barraquinhas vendendo diversas coisas, seja comida ou pequenas esculturas de buda.
Tem um grupo se apresentando com percussão num lado do parque e um outro de homens extremamente maquiados, encenando uma dança teatral muito popular no Japão, chamada Kabuki.
Sabrina parece estar nas nuvens... Seus olhos brilham com todas as cores. Já assistimos ao teatro, observamos a música, fizemos compras de alguns objetos que ela havia gostado, como louça japonesa, vasos diferentes para minha mãe, e um pequeno Buda para Zefa. Já almoçamos num dos diversos restaurantes que cercam o parque.
E agora contemplamos a natureza. Realmente este festival é rico em cultura, por isso atrai tantos imigrantes.
Apesar de estar lotado, me trás uma certa calma em estar aqui, cercado de tantas coisas que me fizeram ser quem eu sou hoje. Eu não fui criado como um brasileiro, apesar de ser cercado por eles. De ter Bernardo e Arthur como meus irmãos, minha criação nos diferenciou muito. E estar dentro deste ambiente, um ambiente que meu pai e minha mãe me ensinaram a amar, me traz a paz que preciso neste momento.
Ela suspira em meus braços. Ela se encontra debruçada nas grades da ponte olhando as carpas coloridas de cima e eu estou a cercando com meu corpo. Não que não seja prazeroso tê-la em meus braços. É... Muito prazeroso…
Mas há outros motivos para ela estar aqui, há muitas pessoas passando pela ponte, e apesar de Afonso está por perto, é perigoso.
-É tão lindo... Podemos ter um laguinho deste na cobertura?
Eu sorrio.
-Como instalaremos um lago para ter carpas na cobertura?
-Podemos utilizar jacuzzi para isso…
Eu solto uma gargalhada de novo.
-Podemos nadar com as carpas na cobertura.
Ela se vira e fica de frente pra mim sorrindo.
Hoje o dia está quente. Ela tem as bochechas avermelhadas por causa do calor. Seu rabo de cavalo já está com muitos fios soltos e seu olhar parece de uma menina travessa que acabou de cometer uma arte.
Tiro um dos fios de seu rosto botando atrás de sua orelha e falo.
-E uma boa idéia... Nadar com carpas …
-Elas devem fazer cosquinha... - ela diz sorrindo.
-Ou morder. - chego mais perto e mordo seu ombro.
-Só o mestre pode me morder…
-Pois é, só eu... Então tira essa ideia de carpas na jacuzzi…
-E uma fonte? Podemos comprar uma pequena para a cobertura? Eu amei a fonte de seus pais. Ela nos trás muita tranquilidade.
-Uma réplica?
- Não precisa ser igual... Qualquer fonte que faça aquele barulhinho de água.
Ela suspirou parecendo uma criança, pedindo um presente de papai Noel.
-Podemos comprar aquela que vimos…
Mas cedo vimos uma imitando uma queda de cachoeira. Ela havia ficado encantada, mas como ela ficou encantada com tudo, não achei que ela queria uma fonte para por no apartamento.
Ela pula no meu pescoço e grita.
-Amei mestre!
Eu sorrio... Tão espontânea, mas também abusada.
Ultimamente ela tem me tocado sem me pedir permissão. No começo da viagem eu me sentia um pouco incomodado com isso, mas agora não sinto mais.
-Sim... E não foi rápida como a ida, pois pegamos trânsito.
-Desculpe mestre por não ter te feito companhia.
-Não se desculpe por estar cansada... Tem pessoas que precisam de mais horas de sono do que outras…
-Sim mestre!
Ela se espreguiça e tira o cinto, pegando sua bolsa de mão que está em seus pés. Pega o celular e arregala os olhos.
-Mestre, já são sete horas da noite?
-Já... -eu rio da cara de espanto dela. -Já que dormiu a viagem toda, vai ter que providenciar algo pra gente comer. Porque eu estou faminto! Se eu soubesse tinha comprado um lanche antes de pegar estrada.
-Claro mestre.
Saio do carro esticando minhas pernas e a coluna. Foi uma viagem longa, mas valeu muito a pena. Estou cansado, porém renovado. Dou a volta no carro e Afonso já começa a tirar as malas e os pacotes de dentro do carro.
Vou até a porta dela e abro para que ela saia.
-Afonso, depois que vocês subirem com as coisas, podem ir embora. Não vou precisar de mais segurança hoje. E amanhã de manhã os outros estarão aqui. Tirem o dia de folga.
-Sim Senhor!
Pego a sua mão e me encaminho para o elevador. Mais uma semana reinicia, e mais uma segunda feira imaginando o que Sabrina anda fazendo no internato.
Pelo menos dessa vez eu vou está ocupado... Muito ocupado! E não vou ter tempo de ficar dando asas à imaginação.
Bom... Eu acho…
***
N/A: Não sei se o lago do Parque Kasato Maru tem carpas... Não achei nada falando sobre isso em minhas pesquisas. E o que sei sobre Sorocaba, é só o que consegui na internet. Mas é um parque japonês. Eu imagino com carpas, aliás... eu acho que combina muito com carpas...então... Desculpe os leitores mais sensíveis com dados. Todas as outras informações são verídicas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Doce Pecado
Cadê os capítulos...
A leitura não abre... Por quê???...
Cadê os capítulos...