Paulo Niko Sankyo
-48 horas?
Repito que Bernardo acabou de me falar pelo telefone.
Bianca acabou de sair do apartamento e eu estou na varanda pegando um ar, enquanto Sabrina foi se arrumar para o jantar.
-Sim... A múmia saiu de lá baratinada…
Bernardo está me contando da conversa que Arthur teve com Sílvio. Ele finalmente fez o que disse que ia fazer... Só não achei que seria tão rápido.
-Pensei que ele fosse esperar tio Armando ir embora…
-Ele aproveitou a ocasião. Acredita que ele foi lá, depois do expediente, dizendo que estava disposto a fazer uma barganha com Arthur, se ele compartilhasse Duda com ele?
Que merda!
-Esse cara só pode está doente Bê... Porque ele cismou com a Duda?
-Pra mim ele sempre foi... Porque uma múmia sai com garotinhas com idade pra ser neta dele? Loucura? Pedofilia? Quanto mais novinha, melhor pra ele…
-Mas você não acha estranho? Duda é novinha, mas não tem cara de baby... Quem tem cara de baby é Camila, e ele nunca deu em cima da Camila.
-O problema não é o rostinho angelical. É desbravar uma terra que, praticamente, não foi desbravada por ninguém. É firmar a fama de conquistador.
-Talvez seja por causa dessa implicância que ele tem com o Arthur…
-Talvez, mas é muito mais que isso... Pra mim já passou da hora de internar esse velho no asilo. Ele já não bate bem da cabeça a bastante tempo…
-Bom... Pelo menos as coisas vão se resolver com rapidez. Está mais calmo?
-Tio Armando me acalmou... Ele deu aval para Arthur fazer chantagem... Quem sou eu para não concordar…
-Você falou com ele?
-Ele me ligou mais cedo para falar do meu pai…
-Como ele soube? Arthur?
-Sim... O Arthur abriu a boca. Eu juro que vou matar vocês dois se os velhos brigarem por causa dessa porra…
-Eles se entendem Bernardo…
-Vocês parecem duas maricotas fazendo queixa para os papaizinhos…
-Até parece que não é outra maricota. Aliás... Como vai a escuta?
-Bem obrigado... Quero saber quando vai se render a ela... Tenho informações quentes pra você, que resolveria alguns dos seus problemas…
-Nunca... Para de mudar de assunto e fala o que o tio Armando disse…
-Você que mudou... -ele suspira frustrado no telefone. -disse que nada que eu estou imaginando vai acontecer... E que eu devo me entender com meu irmão.
-Eu disse…
-É... Você disse... Mas eu não vou dar um passo em relação a isso…
-Não precisa... Só se desarme se ele quiser conversar…
-Como tio Armando pode ter certeza que William não vem ao Brasil para tomar posse das ações?
-Não sei... Porque não perguntou a ele?
-Ele disse que conhece meu pai... Que meu pai não faria isso... Que meu pai só quer que nós dois nos entendamos... E que ele não sabe lidar comigo, e sempre acaba fazendo da forma errada.
-Tio Armando é um gênio!
-Por quê diz isso?
-Só ele é capaz de pôr um pouco de juízo na sua cabeça.
-Vai começar?
-Você tem que ir nessa festa.
-Não vou.
-Você tem que ir Bernardo! Não vai estar sozinho... Eu e Arthur estaremos lá... Precisa se entender com seu irmão e parar com essa competição besta... Você já tem quase quarenta anos Bê!
-Vai a merda Paulo, faltam cinco anos ainda pra completar quarenta anos.
Eu caio na gargalhada. É um bebezão mesmo…
-E sua mãe…
-O que tem ela?
-O que ela acha sobre isso?
-O mesmo que vocês...
-E ainda acha que William vem para te prejudicar?
-Paulo... Eu não sei... Eu só sei que eu não me importo se ele ficar com as ações. Vocês estão fazendo uma tempestade em cima disso. Não precisavam envolver os velhos nessa história. Fora que meu pai pode achar que eu estou fazendo queixa para eles…
-Não vai achar nada... Ele provavelmente já sabe que nos contou da chegada do Willian. E provavelmente já está esperando meu pai e Tio Armando ir falar com ele. Relaxa cara, se tio Armando disse que isso não vai acontecer, acredita!
-Japonês, quantas vezes eu vou ter que te dizer, que não estou nem aí..
-Ok! Mas eu estou e todo mundo que se importa com você está... Não vamos deixar isso acontecer. É injusto!
-Foi meigo isso que disse…
Eu reviro os olhos... Que babaca!
-Vai chorar?
-Eu me emocionei, sabia? -faz voz de choro no telefone.
-O ogro chorando? Vai a merda Bernardo!
Ele solta uma gargalhada do outro lado.
-Tenho que desligar... Vamos combinar de estar perto do Arthur por esses dias. Tio Armando pediu para que não largasse a mão dele.
-Ok! Essa semana as coisas estão tranquilas…
-Irmão me esqueci de perguntar, como foi a operação das suas pacientes.
-Uma não resistiu e faleceu e a outra está se recuperando.
-Que merda!
-Faz parte!
-Qualquer coisa que precisar é só gritar.
-Ok! Até…
-Até…
Desligo o telefone e suspiro de alívio.
Se tio Armando disse que isso não vai acontecer, não vai... Eu confio nele de olhos fechados.
Não acho justo o que tio Max disse que faria... E nunca deixaria isso acontecer sem tentar mudar o rumo dessa história. Bernardo não merece. Ele é muito dedicado ao hospital!
William não merece essas ações... Não essas... Que são do Bernardo por direito.
Entro em casa e vou direto para meu quarto tomar um banho. Sinto cheiro de lasanha no ar, e tenho certeza que minha menina caprichou hoje.
*****
Sabrina Becker
Estou tirando a lasanha do fogo quando vejo meu mestre descendo as escadas, apenas com uma calça de moletom. Com aquele peitoral que amo e aqueles cabelos molhados com fios espalhados pela testa.
Eu sorrio... Como amo ver ele todo a vontade assim... Aliás ele sempre é perfeito de todas as formas, de terno, de calça jeans, de cueca ou nú. Nú é o meu preferido…
E ainda tem Melissa... Aquela vadia que vive me sabotando...Ela tem sido, um pé no saco.
Eu tenho tentado tratar ela bem para que Paulo não me pressione a contar o que está acontecendo. Mas eu não sei até quando eu vou aguentar as intromissões dela.
Esses dias tentei falar com Paulo sobre uma dúvida que tinha num compromisso que teríamos a noite. Tentei ligar para o celular dele e não consegui, liguei para o consultório... E ela me deixou esperando na linha quarenta minutos. Eu desliguei e tentei o celular novamente. E consegui falar com ele.
Quando contei o que tinha acontecido, ele disse que Melissa não havia passado telefonema nenhum para ele.
Quando ela foi confrontada por ele. Ela pediu desculpas e disse que estava uma loucura o consultório, e acabou esquecendo de avisar que eu estava na linha.
Eu me fiz de fina e aceitei as desculpas. Mas eu sei que foi de caso pensado. Vadia!
Eu preciso voltar para a terapia. Eu sinto minha vida desmoronando na minha cabeça. Não dá mais pra enfrentar tudo sozinha. Eu simplesmente não consigo lidar com todos esses sentimentos que foram despertados pelo Paulo.
-E que tipo de problema, uma aluna de etiqueta pode ter?
Ele fala, me fazendo retornar a sala. Mais uma vez eu voei nos meus pensamentos. Daqui a pouco ele vai ficar irritado!
"Conte para ele, Sabrina? Que tipo de problema seria esse? Ataque de pelanca?"
-Não entrar na cabeça de que lado o garfo deve ficar... - ele pára de comer e me olha sério.- Ser desengonçada e não conseguir andar de saltos. Elas têm que sair perfeitas de lá. E algumas, definitivamente não levam muito jeito.
-Isso são problemas Sabrina?
-São, porque se eu não consigo ensinar isso para uma garota, o erro é meu... Não dela…
Ufa! Acho que consegui sair dessa saia justa.
-Madame está te pressionando…
Eu suspiro... Claro que ele notaria isso... Ele me conhece como um livro que sempre relê ao final do dia.
-Um pouco... Mas por causa dos atrasos.
Bom, pelo menos contei uma parte da história. Mas fui sincera porque quero que ele acredite em mim e também porque preciso de sua ajuda.
Ele olha para o prato e corta um pedaço da lasanha, botando na boca. E depois diz:
-Neste caso é um grande problema, não é? Entendo porque precisa distrair sua cabeça com histórias que mas parecem um dramalhão mexicano.
Olho para ele. E ele está sério.
E só isso que ele vai dizer?
Concordar comigo?
Ele não pensa nem em me ajudar um pouquinho? Tipo deixar eu sair vinte minutos mais cedo de casa...
Ahhh Paulo, não seja mau comigo... Por favor!
-Posso fazer um pedido?
-Desde que não seja dar trinta minutos do meu tempo com você para que chegue cedo no trabalho, pode. Você já me tomou a manhã inteira três dias da semana Sabrina.
Eu suspiro... Ele não vai ceder... Se ele quer que eu desista do trabalho, ele não vai ceder... Não mesmo…
-Ok!
Continuamos comendo em silêncio até terminarmos.
-Permissão para recolher os pratos mestre!
-Permissão concedida. Vou ao escritório, tenho alguns papéis para assinar. Quando terminar pode se recolher. Mas tarde vou até seu quarto.
Ele se levanta e sai.
E eu suspiro!
Porque você foi tocar nesse assunto Sabrina…
Por quê?
Merda!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Doce Pecado
Cadê os capítulos...
A leitura não abre... Por quê???...
Cadê os capítulos...