Paulo Niko Sankyo
Eu não acredito que ela teve coragem de me pedir para sair mais cedo. Eu nunca pensei que ela fosse ter esse atrevimento.
Eu sabia que estava acontecendo algo. Eu já tinha sentido que ela anda meio desanimada, quando chega no hospital.
Achei que fosse por causa dos atrasos e saber que eu fico irritado com eles ... Depois achei que fosse por causa da Melissa, mas parece que as coisas ficaram bem entre as duas. Pelo menos aquela hostilidade que via anteriormente, não existe mais.
Eu ainda não desisti de transferir Melissa, mas depois que os ânimos das duas melhoraram, eu deixei de lado um pouco essa situação.
Então o problema é Madame? Eu devia ter imaginado que ela ia começar a implicar com os atrasos dela. Afinal, não é um atraso de cinco minutos e sim de quinze pra cima. Pode afetar as aulas, que geralmente são compostas de tempos de 40 minutos.
Ou talvez Madame esteja pressionando para que ela pare de dar aula. Ela sempre discordou desta cláusula. Não me admiraria que estivesse empurrando Sabrina, para que ela se dedicasse exclusivamente ao seu contrato comigo.
Um dominador como eu, escolher uma submissa treinada por ela para ser seu par, é um puta de um prestígio para a instituição dela. Isso alavancaria seu Internato. Funcionaria como um ótimo marketing.
Às meninas treinadas por ela, aprendem desde cedo, a conquistar seus dominadores. Lhes são dadas as armas. Claro que ela não ia querer que nenhuma voltasse para o internato, e que as relações fossem temporárias.
Ela só permitiu que Sabrina virasse professora tendo um contrato, porque ela gosta muito dela. Ela me disse isso, quando a questionei sobre o assunto na época.
Eu suspiro, abandonando os papéis na mesa. Se está com problemas no internato, isso não é da minha conta. Na verdade , é o que eu quero... Que ela desista!
Então porque será que me sinto culpado, por não ter permitido que ela entrasse no assunto?
Me levanto e apago a luz me dirigindo para meu quarto. De repente paro na porta e olho para a porta do quarto dela.
"É dia de semana, Paulo, vai dormir!"- Diz minha consciência.
Mas se eu passar só pra desejar uma boa noite?
"Você está puto com ela."
É estou... Não vou dar boa noite a ninguém. Você precisa de controle Paulo... Controle!
*******
Dois dias depois
-E como estão as coisas com Sabrina? -Arthur me pergunta.
Estamos no bistrô ao lado do hospital, eu, ele e Bernardo. Viemos para cá depois do expediente porque hoje finalmente, nos livramos do Silvio. Ele assinou a venda das ações mais cedo. E não podíamos deixar de comemorar.
Esperamos muito por isso!
Apesar da chantagem, Arthur foi generoso na compra, o que aliviou um pouco a minha consciência e a consciência do meu pai. Ele me ligou mais cedo todo preocupado querendo saber como foram as coisas, entre os dois.
No final deu tudo certo, e agora não teríamos que nos preocupar com um possível envolvimento dele com a polícia. Nossas relações trabalhistas estavam cortadas, graças a Deus!
- Bem, por incrível que pareça.
-Porque, "por incrível que pareça"?
Eu suspiro, claro que ele não ia deixar passar isso. Eu me sinto inseguro com Sabrina. Esse lance dela não querer se dedicar exclusivamente ao nosso relacionamento e de me esconder algumas coisas, me tira a paz que eu gostaria de sentir por completo.
Se não penso nisso, eu fico bem... Tudo é perfeito. Eu acho que é a mulher perfeita para ser minha esposa e mãe de meus filhos. Agora penso, me sinto inseguro e desanimado.
Definitivamente, ela não está na mesma vibe que eu.
-Não sei, só achei que não fosse dar certo. Mais deu... Bom, parece que deu…
-Está inseguro Paulo? -Ele continua bebendo um gole do seu whisky.
-Não... -na maioria do tempo não. -Só conseguimos ter controle sobre seus corpos e suas vidas, mas as mentes, não estão no pacote. Então pode ser que eu ache que está tudo bem, e não está na realidade.
Ele confirma com a cabeça.
-Camilinha disse que ela está feliz. Se fosse diferente elas iam comentar entre si…
Fala o intrometido do Bernardo. Ele começou com um " Camilinha disse", porque sabe que eu odeio quando ele toca no assunto grupo de WhatsApp. Mas dessa vez eu fiquei feliz em saber que ela está feliz. Quer dizer que nem tudo está perdido.
"Como se você não soubesse, né Paulo?"
-Pela primeira vez o Bernardo falou algo que preste, desde que chegamos.
Arthur fala implicando com Bernardo. Eu sorrio olhando para ele…
Bê anda calado... E eu sei que essas implicâncias é pra fazer ele interagir conosco, e fazer com que fale sobre assuntos que ele não gosta de falar.
E surtiu efeito... Porque o cara faz logo aquela cara de pateta e diz:
-Afinal, permitimos que elas falem para sabermos o que elas não vão nos contar…
-Verdade um brinde a isso! -Diz Arthur erguendo o copo.
Eu reviro os olhos, mas brindo mesmo assim... Eles são meus irmãos porra! Estamos juntos, apesar de não concordar.
-E que elas nunca descubram que você lê as conversas…
Falo rindo da cara que ele faz.
Eu levanto o copo, e eles não se fazem de rogado. Brindam novamente.
-Alguém tem que fazer o serviço sujo, que seja eu... -ele fala rindo.
-E você? Vai renovar contrato? - fala olhando para o Arthur. -Vocês estão sintonizados... Dá pra ver que está bem feliz.
-Bem mesmo... -Eu digo beliscando um petisco.
-O que quer saber Bernardo?
É impressionante, mas o semblante dele sempre muda quando começamos a falar de Duda.
-Se está feliz, mano?! Eu ficaria bem aliviado se soubesse que meus irmãos estão felizes em suas relações. Eu não aguentava mais ouvir vocês choramingando.
-Eu vou renovar contrato, que só por si, significa que eu estou satisfeito.
Claro que está.
-Isso é tão bizarro! Pô mano, você nunca contrato, agora renovará. Parece que você foi abduzido. Constantemente eu vejo seus olhos brilharem... O homem mais rabugento do planeta. Às vezes acho que você está com algo contagioso.
Eu olho para Bernardo e começo a gargalhar... Arthur odeia que o analisem... Ele acabou de fazer uma análise profunda do alter-ego dele.
-Tipo isso. Não é nenhuma novidade que eu me apaixono pelas minhas submissas... Só estou tentando ir com mais calma.
-Essa relação que temos, costuma ser confusa mesmo... Moramos juntos, estamos o tempo todo juntos... Acaba criando uma cumplicidade que não existia...
Eu me engasguei com o restante do whisky que estava tomando.
Porra! O que deu no Bernardo?
Eu faria esse discurso... Não ele...
Ele bate nas minhas costas, sério...
Eu continuo olhando pra ele com espanto.
-O que fez com meu amigo?
Ele revira o olho e diz:
-Não é porque eu sou um ogro, que eu não entendo esse sentimento. Com Camila , às vezes eu esqueço que ela é meu bottom... Com o tempo isso vai ficando confuso na nossa cabeça. Você é romântico... Não precisa de muito tempo pra isso acontecer…
-Bê, está acontecendo algo? Eu nunca vi você falando assim.
-Estou te dando uma moral... Você tem me escutado em relação a história com meu pai, só queria fazer o mesmo com você. Que kuzo! -ele imita o palavrão em japonês que eu falo o tempo todo.
Ameaça se levantar e eu seguro sua mão.
-Não... Fica... Gostei desse Bernardo…
Ele cai na gargalhada.
-Não acostuma, daqui a pouco o ogro reaparece.
-Ela ainda não está por inteiro comigo, e isso me deixa reticente também. Então eu estou tentando manter tudo o mais racional possível.
-Tipo?
-Dormir sozinho durante a semana, e apenas jogar nos finais de semana. Gosto de fazer as coisas com ela, de ter sua companhia... Isso está sendo mais difícil de se controlar.
- Você está indo bem... Ela é sua submissa 24/07, exatamente pra aproveitar a sua companhia a hora que quiser. Esse é o objetivo desse tipo de relação. Então não faz muito sentido, não curti a companhia dela…
-Sim ... mas não com tanta intimidade como estava. Preciso agir com ela da mesma forma que ela age comigo. Ela me omite coisas, mesmo que o motivo seja medo da minha reação.
-É... Omite mesmo... -Olho para ele e faz movimento de zip com a boca.
- Provavelmente ela não se sente segura ainda, e isso é normal. Vocês só estão juntos, um pouco mais de dois meses... Mas eu acho que pela primeira vez você está sendo um dominador que pensa com a cabeça. Isso é bom, vai te fazer ver a relação por fora e tirar suas próprias conclusões. Às vezes quando a pessoa está muito envolvida, não vê as coisas como elas são. E esse lance de respeitar ela e as suas decisões, tem que ser muito maduro para fazer isso.
Coisa que ele não é. Ele não tem escrúpulos quando quer descobrir algo.
Eu concordo com a cabeça. Terminamos nossa bebida e nos preparamos para ir embora.
Enfim, o papo foi muito bom! Deu pra matar a saudade de nossas saídas e de quebra, ainda ganhei conselhos do Bernardo cabeça.
E olha que é difícil pra esse Bernardo cabeça aparecer…
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Doce Pecado
Cadê os capítulos...
A leitura não abre... Por quê???...
Cadê os capítulos...