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Doce Pecado romance Capítulo 64

Sabrina Becker

Já são quase 9 h…

9 h da noite …

E nada do Paulo aparecer…

Eu já tirei todo o esmalte da unha que pintei ontem... Ainda bem que eu tenho talento para esmaltar unhas.

Aff!

Zefa me deu o recado que ele mandou. Mas um jantar com os meninos não teria terminado já? E aonde será que eles foram jantar.

"Se acalme Sabrina! Não vá dar ataque de pelanca. Lembre-se: você é uma submissa."

É...Eu sou submissa... Meu dominador não me deve satisfações de seu paradeiro.

Desde que voltamos daquela viagem, as coisas estão mudando.

Não que ele tenha mudado o jeito comigo. Não... Ele continua o Paulo, carinhoso e atencioso de sempre.

Mas muitas das coisas que fazíamos juntos, não fazemos mais.

Ele tem se isolado no escritório depois do jantar. Diz que tem muito trabalho para pôr em dia.

Antes de dormir sempre vai ao meu quarto. Às vezes conversamos, às vezes eu chupo ele, ou transamos com a mesma química de sempre, mas ele quase nunca fica comigo.

Eu tenho ido ao hospital para cumprir minha obrigação, e toda vez que chego atrasada recebo a punição.

Tenho me sentido muito triste por causa dessa distância que ele impôs a mim…

"Não é uma distância Sabrina... É apenas uma relação de

dominação/submissão."

Antes, as coisas estavam fora do padrão.

E eu sei que esta mudança de comportamento dele é porque eu não contei sobre Melissa, e não quero abrir mão do internato. Acho que ele achou por bem por uma certa distância.

Não que não esteja gostoso!

Sempre é…

Mas eu sinto saudade de assistir tv com minha cabeça deitada em seu peito... Dormir acompanhada... Lavar louça com ele ao meu lado, enxugando os pratos. Eu sinto saudade dessa intimidade.

E agora esse lance de mandar recado avisando as coisas... Ele quase não me manda mais mensagem. Só se for algo íntimo.

Quando precisa me avisar de algo, ele sempre liga para Zefa ou Afonso.

Eu bufo…

Eu procurei isso, não é? Ele só está agindo da mesma forma que eu tenho agido com ele.

Eu preciso tomar uma decisão, mas só em pensar nisso, eu começo a suar.

Estou sentada na sala com as pernas dobradas no sofá, vendo um filme que eu não prestei atenção em nenhum minuto, e vejo a porta do apartamento abrir.

Seu perfume toma conta do ambiente, misturado com cheiro de whisky.

Fico surpresa! Ele nunca bebeu tanto assim pra ficar com cheiro da bebida.

Ele me olha, sorri e tira os sapatos, se livrando da pasta e do paletó ao mesmo tempo.

-Boa noite Hanī... Não se recolheu ainda?

-Estou terminando de ver um filme.

Mentira... Estava te esperando... Mas ele não precisa saber...

Ele concorda e se senta ao meu lado no sofá, beijando minha testa.

-Como foi seu dia?

-Foi bom mestre e o seu?

-Foi muito legal! Fechamos um ótimo negócio! -ele suspirou sorrindo. -Agora vou tomar um banho, porque estou doido pra dormir. Boa noite, Hanī!

Ele beija mais uma vez minha testa e eu dou um sorriso amarelo.

Estou me sentindo frustrada!!!

Que merda!

Quando ele já está no primeiro degrau da escada, digo.

-Mestre…

Ele vira e me olha.

-Não vai no meu quarto hoje, me dar um beijo de boa noite?

Ele sorri e diz:

-Não Hanī... Eu bebi demais, e você não foi contratada para lidar com um bêbado! Nos vemos amanhã.

Manda um beijo e continua a sobe as escadas.

Merda! Que grosso!

"Ele bebeu Sabrina... Releve..."

O que eu fiz com a nossa relação!

Provavelmente desta vez eu não poderei fugir do compartilhamento.Mas estou tranquila em relação a isso.

Paulo se tornou um dominador em todos os sentidos.Não há mais agarramentos e chamegos, para confundir minha cabeça. Desta vez estamos vivendo uma relação de bdsm de verdade.Eu até já me acostumei.

No começo foi difícil. Eu sentia falta da lua de mel, de fazer as coisas juntos, mas conforme foi passando os dias eu vi que foi a melhor opção. Serviu para darmos uma freada em nossos sentimentos, já que tudo já estava começando a ficar confuso para a gente.

Não me assusto mais em ser compartilhada com Arthur. Esse tempo que passou e a última festa, me fez perceber que eu estou muito conectada com meu dominador. Eu não corro riscos de me distrair com ele.

Principalmente agora, que se quero conquistar esse dominador para mim, eu preciso ser obediente e cumprir o contrato com maestria.

Já os atrasos diminuíram. Afonso acabou descobrindo um atalho que não tem muito trânsito. Então eu chego sempre em cima da hora no Internato e no hospital, não adianta muito, mas pelo menos não chego com meia hora de atraso. É cinco ou dez minutos, o que me ajuda bastante.

Afonso foi um fofo de ter estudado o caminho e descoberto isso. Eu devo a ele, minha bunda não está roxa.

Paulo é religioso com as punições. Sempre quando chego no hospital, têm o flogger em cima da mesa me esperando. E não era só o enorme plug que visitava minha bunda. Às vezes bolas tailandesas ou vibradores fazem morada. Tudo para que eu me sentisse frustrada, como ele sente quando eu me atraso.

E eu desisti do trabalho ou contava da Melissa? Não conseguia... O medo e a dor de ficar sozinha depois que terminar o contrato, ou se ele cancelar, era muito maior do que chicotadas na bunda. Então eu não reclamo. Como uma boa submissa…

Pelo menos ele se importava... Pior seria se ele deixasse pra lá... A indiferença era a pior coisa que poderia acontecer na minha relação com ele.

Eu retornei à terapia novamente. Não apenas para tentar enfrentar meus medos, mas também porque eu preciso entender o que sinto pelo Paulo. Era tudo muito confuso... E muito dos meus sentimentos, nunca havia sentido por nenhum outro dominador. Como essa insegurança de perder o que tínhamos... De perder ele.

E até agora as coisas estavam se encaminhando bem. Aproveitei que na quarta eu tenho uma hora vaga no internato, e encaixei a terapia nesta hora.

Falei para o meu mestre que havia voltado para a terapia, e ele ficou animado! Quer dizer que eu estava me esforçando.

Já no internato as coisas estão estranhas. Madame se afastou... Acho que se cansou de me monitorar ou percebeu que a volta para a terapia, é minha tentativa de fazer diferente. Afinal eu sou bem grandinha para entender o que é certo e o que é errado. As escolhas são minhas... Não dá para ela ficar interferindo o tempo todo.

Eu por conta própria me afastei do Andrey. Quando nos encontramos, apenas nos cumprimentamos e só. Há bastante tempo que não conversamos. E é o certo a fazer, enquanto eu estiver de contrato.

Eu tenho três meses para mostrar a Paulo que eu sou a mulher certa para ele. Eu vou me esforçar.

Vou para o banheiro e tiro toda a roupa e entro no chuveiro, pretendo lavar o cabelo hoje, então preciso começar a me arrumar cedo. Em dias de festas não treinamos. Graças a Deus, porque hoje estou com bastante preguiça.

Melissa continua botando as asinhas dela de fora, mas nada muito grave, no qual eu perca a paciência. Só pequenas picuinhas e sabotagens. Mas eu me conheço... Eu sou muito paciente, mas quando perco a paciência... Sai de baixo.

E é isso que tenho medo... Porque quando eu saía do salto era barraco, com certeza!

Paulo não me perguntou mais sobre ela, seguimos em frente . A relação com ele é especial, apesar de não estarmos mais naquela lua de mel do começo.

Ele exige de mim, e eu dou tudo... Depois ele retribui com muito carinho. E estava tudo certo.

Minha relação com Dona Paula e Senhor Antônio também está maravilhosa! Dona Paula sempre me liga, e quando nos reunimos ela sempre tem algo para me ensinar de sua cultura.

É fácil conviver com ela, como é fácil conviver com seu filho.

A vida está boa, não tenho do que me queixar.

Eu só preciso me concentrar nos meus objetivos... E era isso que eu ia fazer…

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