Os lábios de Gualter se repuxaram em deboche.
Inacreditável.
Que confusão de parentesco maldita.
A posição do pai biológico da criança ia decaindo ladeira abaixo a cada dia que passava.
De pai de sangue, foi rebaixado para padrinho e, agora, para "tio"...
Se continuassem com aquela palhaçada, logo os dois começariam a se tratar como irmãos.
Gualter sentiu o limite da própria tolerância se esgotar.
— King, o reembolso da minha viagem de volta não vai rolar?
O foco da conversa mudou em um milissegundo.
— Vai — respondeu Afonso.
Gualter abriu um sorriso largo.
— Que tal me reembolsar agora mesmo? Estou apertado esses dias, quase passando fome.
— Tudo bem, de quanto estamos falando?
Gualter levantou os cinco dedos da mão direita.
— Quinhentos mil.
Naiara quase engasgou com o gole de água que tomava.
Aquele canalha estava cometendo um assalto à mão armada na frente de todo mundo!
Por debaixo da mesa, ela deu um chute na canela dele.
Gualter conteve um urro de dor e deu um risinho descarado.
Afonso o encarou com uma expressão indecifrável.
— Você voltou de foguete?
— De foguete sairia bem mais caro. Você disse que me reembolsaria. Não vai me dizer que é do tipo que não cumpre com a palavra?
Afonso sacou o celular do bolso.
— Vou transferir agora.
— O meu cartão está dando problema esses dias. Transfere para a conta da Sra. Naiara. Somos como irmãos, é tudo em família mesmo.
Afonso não disse nada.
Segundos depois, a tela do celular de Naiara acendeu com uma notificação de recebimento.
Remetente: Afonso Xavier.
Naquele instante, a compreensão a atingiu. Ela encarou Gualter e não havia mais nenhum pingo de irritação em seu olhar.
Aquele sujeito...
Ele realmente a protegia e cuidava dela como se fosse sua própria irmã de sangue...
Para a sorte de todos, Isabella sequer pareceu registrar a gravidade da situação.
Quinhentos mil, aos olhos dela, deviam ter o peso de quinhentos reais.
Com o apetite arruinado, Naiara comeu apenas metade do prato e pousou os talheres.
Gualter tinha razão; teria sido melhor ir para casa comer o macarrão de Felícia.
Natália, pelo contrário, esbanjava alegria.
— Assim que terminarem de comer, vamos embora.
— Qual é a pressa? — retrucou Isabella. — É tão raro encontrar a Naiara. Vamos conversar mais um pouco!
Raro não, pensou Naiara. A gente se esbarra até se eu virar a esquina.
Afonso foi implacável:
— Não há nada para conversar.
— Por que não teria? Vocês agem como se não se conhecessem.
E a dura realidade era essa: não havia absolutamente nada a ser dito.
No fim das contas, parecia que apenas Isabella e Natália haviam aproveitado o jantar.
Os pratos dos outros estavam intocados ou pela metade.
Naiara chamou o garçom e pediu que embalassem o restante.
Desperdiçar estava fora de questão.
E a Bolinha certamente não reclamaria de um banquete de luxo.
Antes de irem, Isabella foi ao toalete.
Ouvindo o silêncio mortal que pairava na mesa com Afonso mergulhado em seus pensamentos, Naiara decidiu falar de trabalho para afastar o desconforto.
— Sr. Afonso, acabei esquecendo de mencionar mais cedo. Hoje, firmamos oficialmente uma parceria estratégica com a Motores Stellis.
O abismo escuro nos olhos de Afonso pareceu congelar. Alguma coisa dentro daquelas pupilas intensas se estilhaçou e precisou ser reconstruída em uma fração de segundo.
— Com quem você disse?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...