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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 775

Os lábios de Gualter se repuxaram em deboche.

Inacreditável.

Que confusão de parentesco maldita.

A posição do pai biológico da criança ia decaindo ladeira abaixo a cada dia que passava.

De pai de sangue, foi rebaixado para padrinho e, agora, para "tio"...

Se continuassem com aquela palhaçada, logo os dois começariam a se tratar como irmãos.

Gualter sentiu o limite da própria tolerância se esgotar.

— King, o reembolso da minha viagem de volta não vai rolar?

O foco da conversa mudou em um milissegundo.

— Vai — respondeu Afonso.

Gualter abriu um sorriso largo.

— Que tal me reembolsar agora mesmo? Estou apertado esses dias, quase passando fome.

— Tudo bem, de quanto estamos falando?

Gualter levantou os cinco dedos da mão direita.

— Quinhentos mil.

Naiara quase engasgou com o gole de água que tomava.

Aquele canalha estava cometendo um assalto à mão armada na frente de todo mundo!

Por debaixo da mesa, ela deu um chute na canela dele.

Gualter conteve um urro de dor e deu um risinho descarado.

Afonso o encarou com uma expressão indecifrável.

— Você voltou de foguete?

— De foguete sairia bem mais caro. Você disse que me reembolsaria. Não vai me dizer que é do tipo que não cumpre com a palavra?

Afonso sacou o celular do bolso.

— Vou transferir agora.

— O meu cartão está dando problema esses dias. Transfere para a conta da Sra. Naiara. Somos como irmãos, é tudo em família mesmo.

Afonso não disse nada.

Segundos depois, a tela do celular de Naiara acendeu com uma notificação de recebimento.

Remetente: Afonso Xavier.

Naquele instante, a compreensão a atingiu. Ela encarou Gualter e não havia mais nenhum pingo de irritação em seu olhar.

Aquele sujeito...

Ele realmente a protegia e cuidava dela como se fosse sua própria irmã de sangue...

Para a sorte de todos, Isabella sequer pareceu registrar a gravidade da situação.

Quinhentos mil, aos olhos dela, deviam ter o peso de quinhentos reais.

Com o apetite arruinado, Naiara comeu apenas metade do prato e pousou os talheres.

Gualter tinha razão; teria sido melhor ir para casa comer o macarrão de Felícia.

Natália, pelo contrário, esbanjava alegria.

— Assim que terminarem de comer, vamos embora.

— Qual é a pressa? — retrucou Isabella. — É tão raro encontrar a Naiara. Vamos conversar mais um pouco!

Raro não, pensou Naiara. A gente se esbarra até se eu virar a esquina.

Afonso foi implacável:

— Não há nada para conversar.

— Por que não teria? Vocês agem como se não se conhecessem.

E a dura realidade era essa: não havia absolutamente nada a ser dito.

No fim das contas, parecia que apenas Isabella e Natália haviam aproveitado o jantar.

Os pratos dos outros estavam intocados ou pela metade.

Naiara chamou o garçom e pediu que embalassem o restante.

Desperdiçar estava fora de questão.

E a Bolinha certamente não reclamaria de um banquete de luxo.

Antes de irem, Isabella foi ao toalete.

Ouvindo o silêncio mortal que pairava na mesa com Afonso mergulhado em seus pensamentos, Naiara decidiu falar de trabalho para afastar o desconforto.

— Sr. Afonso, acabei esquecendo de mencionar mais cedo. Hoje, firmamos oficialmente uma parceria estratégica com a Motores Stellis.

O abismo escuro nos olhos de Afonso pareceu congelar. Alguma coisa dentro daquelas pupilas intensas se estilhaçou e precisou ser reconstruída em uma fração de segundo.

— Com quem você disse?

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