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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 816

Carlos estreitou os olhos, o olhar carregado de um aviso perigoso.

— Não pergunte o que não deve ser perguntado.

— Você mudou muito — disse Zuleica, a voz fraca.

— Eu mudei? — Carlos zombou.

— Sim, você mudou. — Ela suspirou pesadamente. — O antigo Carlos Lucca podia ser arrogante e inatingível, mas nunca foi tão cruel e implacável.

— Eu, implacável? — Carlos agarrou o copo na mesa de centro e o arremessou com força contra o chão, estilhaçando-o. — Se aquela mulher não tivesse dado à luz um bastardo para se passar por meu filho, se Wilson Fontana não estivesse tão obcecado em roubar o patrimônio da família Lucca, eu não teria precisado ser letal!

Zuleica o encarou em silêncio por um longo tempo.

— Foi você, não foi? Você a instigou a tentar cometer aquele assassinato.

De repente, um cansaço profundo tomou conta dela.

— Conseguindo matar Afonso ou não, Adriana estava fadada à ruína. Mas se ela conseguisse eliminá-lo, seria o cenário perfeito para você. Era essa a sua intenção desde o início, não era?

Carlos não respondeu, mas o brilho sombrio em seus olhos confirmava tudo.

— Por quê? — murmurou Zuleica, quase falando consigo mesma. — Adriana já foi presa. Ela nunca mais vai ver a luz do dia. Por que precisava usá-la dessa forma? Ela merecia um castigo, sim, mas e o Afonso? Ele não fez nada de errado. Por que envolver inocentes?

Ela balançou a cabeça.

— Por que você não pode simplesmente ser um homem bom? Eu não me importo com quem você ama, eu só me importo se o homem que eu amo tem bondade no coração.

Carlos a olhou como se estivesse diante de uma louca.

— Bondade? Zuleica, você perdeu o juízo? Falando de bondade comigo? Este mundo é a lei do mais forte. Os bons são os que morrem primeiro e da pior forma!

Zuleica já não tinha forças para discutir.

Estava exausta.

Carlos também começou a sentir repulsa. Aquela não era a Zuleica que ele desejava.

— Espero que não esteja indo embora por um impulso. Não existe remédio para arrependimento neste mundo. Se quiser voltar depois, acha mesmo que eu vou te aceitar de volta?

O olhar de Zuleica estava opaco, mas incrivelmente firme.

— Eu vou embora.

Carlos virou o rosto, irado.

Fausto virou a cabeça para encará-la, os olhos insondáveis.

— A Srta. Naiara tem medo de alguém?

— Claro que sim — respondeu ela. — Tenho medo pelas pessoas com quem me importo. Medo de que fiquem doentes, medo de que sofram.

Ela havia pegado as palavras de Gualter emprestadas, adaptando-as levemente.

Fausto não esperava uma resposta tão sincera e, por um instante, não soube como retrucar.

Naiara, no entanto, engoliu a frase que quase lhe escapou: *E também tenho medo de pessoas que não consigo decifrar*.

Pessoas como Fausto Âncora.

Afonso podia ter uma postura gélida, mas era quente por dentro, dono de uma essência bondosa. O frio de Fausto, porém, era de uma indiferença implacável.

— O Sr. Afonso parece ter uma relação muito boa com a Srta. Naiara — disparou Fausto, de repente.

Naiara manteve a expressão serena.

— Acho que já mencionei ao Sr. Âncora que o Sr. Afonso trata muito bem todos os funcionários da empresa.

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