- Um mês, muitas das vezes se passa rapidamente quando estamos nos divertindo e vivendo a melhor fase. O tempo corre rapidamente, consumindo nossa felicidade, muito diferente de quando estamos no hospital. O tempo parece nos castigar impiedosamente, cada minuto parece uma eternidade, posso sentir minha vontade de viver sendo sugada pelas paredes brancas e sem graça, minha beleza e juventude se esvaindo... - mais um suspiro - e como se não pudesse piorar, a comida horrível fez com que minhas glândulas salivares secassem para sempre e agora não sinto mais o gosto de nada - ela dobra a folha - isso é uma carta ou um pedido de socorro?
- Os dois - admito, me deitando novamente na cama hospitalar gelada. Logo terminaria o inverno e logo eu sairia dessa prisão disfarçada de quarto junto com meus bebês.
- Mas não tem remetente - ela diz, virando o papel e o envelope.
- Um pedido de socorro não precisa de remetente, basta uma alma boa e caridosa encontrar.
- Está sendo dramática, uma alimentação saudável e balanceada é indispensável para uma boa recuperação dos pacientes - refuta minhas palavras na carta, revisando o papel com uma última olhada antes de guardar no envelope e me entregar - a comida do hospital não é ruim.
- Tem razão, ela é péssima.
- Gostava de você antes, quando estava dormindo - ela sorri.
- E eu gostava quando você não interceptava meus pedidos de socorro - retribuo o mesmo sorriso falso, segurando por cinco segundos antes de cairmos na risada.
Passar tanto tempo nesse hospital, me fez aprender a gostar e até criar um vínculo de amizade com a minha obstetra, agora ex-obstetra.
Olhando de perto, até que ela era bem bonitinha.
- Falando sério, não tem nenhuma queixa?
- Não, você fez seu trabalho bem - ela me dá um sorriso gentil, sentando numa cadeira próxima da cama.
Tinha raros momentos em que ficava sozinha no quarto e me sentia solitária, mesmo tendo o cômodo lotado de amigos e familiares de Luigi, esses raros momentos persistiam em aparecer e por sorte a Dra. Ellen estava aqui.
Diferente dos outros que insistiam em dizer que tudo vai dar certo e me empurrar goela á baixo a esperança que Luigi irá aparecer e tudo voltará ao normal, ela me dava a liberdade para ser realista sem ser reprendida ou julgada por ter pensamentos tão negativos. Vai parecer uma analogia muito estranha, porém ela me fazia vomitar tudo o que engolir esse tempo todo. Sempre fui o tipo de pessoa que apenas consegue melhorar de algum mau estar vomitando, eliminando tudo de uma vez para me sentir confortável novamente.
E ela foi a pessoa que me permitiu fazer isso nesses momentos de angustia. Precisava fazer algo para retribuir e em todo o tempo livre que tive enquanto estou nesse hospital definhando, pensei em utilizar meus dotes de cupido. A Dra. Ellen era linda, um total absurdo estar solteira ainda.
- Obrigada por tudo - digo olhando nos seus olhos e ela alcança a minha mão - por me ouvir, pela preocupação e o cuidado com os meus bebês.
- Não precisa agradecer - ela me dá um último sorriso antes de sair do meu quarto para atender um chamado na recepção.
Pelo que eu pude perceber, ela é bem ocupada, o tipo de pessoa que é casada com o trabalho. Aff, não seria fácil encontrar alguém paciente e compreensível de estar em segundo lugar na relação, á menos que a pessoa também esteja na mesma situação. Seguindo essa lógica, resolvi segui-la até a recepção e perguntar sobre os médicos gatinhos do hospital às enfermeiras.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Grávida de um mafioso
Continuação...
Onde está a continuação?...
Estou entrando em colapso preciso dos outros capítulos, só esse site é de graça 🥺...
Continua por favor,desde ontem que não saio do site só esperando o capítulo 190...
Preciso da continuação...