- Os bebês - ela tenta disfarçar, porém é tarde demais - vi sim...
- Não estamos falando dos bebês agora, Giulia, você sabe bem de quem estou perguntando - tento ignorar o máximo que posso o nó se formando em minha garganta e prossigo - não negue, percebi há um tempo o seu comportamento distraído e errático, a sua falta de preocupação nas buscas e o nervosismo quando me olha nos olhos. Desde quando está em contato com ele, hm? A quantos meses está escondendo isso de todos?!
- Me desculpa, Carol... eu não queria, juro por Deus que...
- Não jure por Deus, ele não tem nada com isso tudo o que você fez - avanço para o portão aberto mas ela me segura pelo antebraço - me solta, Giulia, você não tinha o direito de esconder isso de mim! Você viu o estado depressivo que fiquei naquele quarto, me viu sofrer no parto pela ausência dele e me ouviu chorar todas as noites, na casa da Nonna, temendo que ele estivesse morto. Você viu como a Nonna ficou preocupada e como o seu pai ficou desequilibrado depois do desaparecimento de Luigi, você estava lá! Viu como Matteo se doou para viajar e montar equipes e mais equipes de buscas para encontrá-lo. A Mari saía pela madrugada para se encontrar com um hacker num território inimigo da máfia Benacci. Meu Deus, até mesmo a megera da Cassandra se mobilizou!
- Eu não queria esconder isso de ninguém! - ela dizia chorando - fiquei sabendo a pouco tempo, por favor, Carol. Precisa acreditar em mim...
- Basta! Não quero mais te ver na minha frente - retiro sua mão e vou em direção á porta da frente, mas antes que eu pudesse chegar meio metro perto dela, as palavras de Giulia me fizeram petrificar.
- Ele não quer voltar agora!
As mesmas palavras ditas pelo informante amarrado naquela cadeira, quando o Sr. Giovanni me levou naquela fábrica abandonada. O "ele não quer" ecoava na minha mente várias e várias vezes como uma maldição diária, meus pensamentos vagavam soltos quando estava dentro daquele hospital, o silêncio piorava tudo, deixava-os gritantes. E com essa nova repetição, o antes "ele não quer" se transformou em "ele não quer você". Me ver, me ouvir, me abraçar, me ter perto dele.
Meu coração doeu como se Luigi cravasse uma faca nele, me mutilando como retaliação por tudo o que foi obrigado á ouvir naquela noite. Por causa daquela loira azeda, que o diabo á tenha, Luigi deve ter criado um ressentimento por mim e por Matteo. Esse tempo todo, ele deve ter achado que éramos amantes debaixo do seu nariz e remoendo essa mentira por tantos meses em sua cabeça deve ter enraizado o ódio por mim e pelo loiro do banheiro, Luigi devia presumir que ele assumiu as buscas por puro remorso da traição.
A minha ficha se recusava a cair, Luigi me odiava e só não voltou para casa porque me esperou parir para me dar um pé na bunda e renegar os próprios filhos. Ponho a mão na boca como se pudesse conter o choro, o nó em minha garganta havia chegado ao seu auge, me sufocando até que minha visão ficasse embaçada por lágrimas.
Ao longe, Giulia atendia uma ligação, provavelmente seria da Mari, hoje era o dia dela me visitar mas deve ter ficado surpresa ao encontrar meu quarto vazio no hospital. Meu corpo parecia ter entrado em exaustão profunda, perdido completamente a força nas pernas e um zumbido dentro da minha cabeça aumentava, naquele estado não conseguia dizer mais nada quando Giulia gritou meu nome se ajoelhando para verificar se eu estava bem.
Mantinha minha atenção na janela no térreo, onde ficava seu escritório, ele estava ali dentro. Mesmo que não pudesse ver nem sua sombra, ele estava ali dentro, me vendo, me observando, tendo nojo de mim.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Grávida de um mafioso
Continuação...
Onde está a continuação?...
Estou entrando em colapso preciso dos outros capítulos, só esse site é de graça 🥺...
Continua por favor,desde ontem que não saio do site só esperando o capítulo 190...
Preciso da continuação...