- Isso é loucura - minha mãe diz, inconformada com tudo o que tinha digerido, ou que ainda tentava digerir. Acho que vivi minha vida toda para vê-la engolir de uma só vez uma dose de whisky no bar do restaurante.
Tínhamos pegado o elevador e vindo para o térreo do hotel para ela respirar, porque segundo a mesma, lhe faltava ar e parafusos nas nossas cabeças. Não a julgo, também acharia isso se tivesse uma filha como eu... peço a Deus todas as noites que minha pequenina tenha puxado Luigi e não minha personalidade. Seria terrível criá-la.
- Vai dar certo - Matteo afirma com uma segurança que me faltava.
- Porque errado já está dando - resmungo porém eles me ignoram. Ainda bem, não estou tão confiante como o loiro do banheiro, na verdade, estou morrendo de medo de que não dê certo.
- Prometo que tudo se resolverá, não precisa temer tia Maria - Matteo tenta confortá-la.
- Não me chame de tia, não sou sua tia e não confio em você - quase me intalo com o ar quando minha mãe confronta ele - pensa que não sei que você perseguia minha filha, mesmo sabendo que estava com seu melhor amigo? Quem me garante que essa não seja uma estratégia sua para separar de vez esse casal e ficar com a Carolina? - ela me dá um tapa no braço, me chamando atenção - e você, como pode confiar neste loiro? Que garantias você tem que ele vai te ajudar de verdade? Que garantias você tem que ele não vai dar uma de José Luís e te fazer de Montserrat dele, te prender e te enganar no casamento? Que garantias você tem Carolina?!
- Ai mãe! - massageio o local onde ela tinha me batido outra vez. Minha mãe tinha uma mão muito pesada e esse fato me faz consciente suficiente para não confrontar a fera e muito menos pedir que se acalme - que exagero, não sou a Montserrat e não estamos no elenco de "O que a vida me roubou" eu confio no Matteo, ele nunca gostou de mim só estava enfeitiçado pelo meu charme. Admito.
- Seu charme? - ele gargalha e tenho vontade de pegar a garrafa de whisky do balcão e quebrar em seu topete de galã de quinta.
- Enfim, não temos nada e não somos nada. Ele está com a Mariana agora - asseguro - você ouviu ela, mãe. Por mais maluco que esse plano seja, todos concordaram em participar e me ajudar. Preciso que Luigi volte para mim e para nossa família, por favor mãe.
***
- Tudo bem - ela diz assim que a porta do elevador abre no nosso andar. Me jogo, abraçando-a por trás e apertando firme, agradecendo por ela ser tão compreensiva. Minha mãe poderia ser uma pessoa difícil de lidar, porém ela faria tudo por mim. E eu adoro quando noto seu amor nas suas preocupações com meu futuro. Por mais que seu silêncio quando decidimos subir para o quarto tenha me desencadeado umas três crises de ansiedade. Eu amo ela.
- Sabe que eu te amo muito, não sabe? - digo para ela e a mesma resmunga, ela sabia. Andamos até a porta do quarto, Matteo na frente e eu abraçada a minha mãe, que reclamava por poder andar devagar por causa do meu abraço grudento.
O loiro se adianta em pegar o cartão que abre a fechadura e espera até que nós duas entremos. Apenas largo a minha mãe porque o que estava vendo me era inacreditável. O berço duplo estava sendo montado e pela última pessoa na face da terra que presumiria conseguir montá-lo.
Roberto, o encostado que minha mãe havia levado para morar em sua casa, o mesmo que só vivia bebendo e que quase nunca trabalhava. O mesmo Roberto que eu tinha certeza que "preguiçoso" e "descarado" eram sinônimos seus, estava montando um berço que nem mesmo a experct Mari e o habilidoso Matteo conseguiram decifrar o manual.
- Prontinho - ele aperta um último parafuso e se levanta, batendo as mãos para limpar a poeira acumulada e sorrindo para nós três parados na porta. Seu sorriso diminui quando me vê andando em sua direção - me desculpe Carolinazinha, pensei que fosse para montá-lo quando o vi jogado naquela caixa no canto da sala. Mas se quiser eu posso desmontar.
- Não! - digo mais alto do que gostaria, assustando o coitado que pedia desculpas pela intromissão. Avanço na sua direção, lhe dando um abraço desejado pela primeira vez na vida. Acho que ele nunca tinha sido tão útil na minha existência como foi agora - muito obrigada, Roberto. Eu estava quase enlouquecendo por não conseguir montar e nem conseguir alguém capaz de montá-lo para os meus bebês.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Grávida de um mafioso
Continuação...
Onde está a continuação?...
Estou entrando em colapso preciso dos outros capítulos, só esse site é de graça 🥺...
Continua por favor,desde ontem que não saio do site só esperando o capítulo 190...
Preciso da continuação...