Não sei o que estou procurando ao entrar investigando cada canto da sala, talvez vestígios de que os dois tenham algo além da parceria de trabalho. Não encontro nada de estranho. Will devia estar dormindo no sofá, pelo travesseiro e cobertor jogados para escanteio e principalmente pelo equipamento em cima da mesinha de centro e fios bagunçados na poltrona. Os dois laptops se espremiam no pequeno espaço e antes que eu entrasse, o traste deveria estar tentando desatar o nó de fios em cima da poltrona.
- Encontrou o que procurava? - viro-me para olhar Mariana que me observava de braços cruzados atrás da porta. Ainda com aquela bendita jaqueta.
Seria propício perguntar se a jaqueta a fazia igual Beth Cooper ao amarrar o cabelo? Se seria seu truque para solucionar algum mistério? Não, acarretaria uma discussão pior, então me sobressaio.
- Não - ainda não. Mas quando ela passa por mim, não me contenho ao seguir o rastro do seu perfume. Senti falta dele, o perfume de Carolina era doce de cair os dentes mas o de Mariana era um doce equilibrado, na medida perfeita. Porém o que vejo a seguir não é nada bom.
E com "I can do anything/ finale" tocando no fundo da minha mente, revejo a mesma bagunça de quando Mari e eu estávamos trabalhando juntos para desmascarar o canalha do Marco. Papéis e pastas espalhadas sobre a mesa da cozinha, o laptop de Mari em cima da bagunça. Apenas faltava uma...
- Chegou - Will anuncia, levantando do sofá e abrindo a porta, segundos depois aparece na cozinha com duas caixas de pizza e as coloca em cima da bagunça. A morena vai até a geladeira e entrega para cada uma coca gelada, atacando uma fatia de calabresa sem esperar.
Permaneço imóvel com a lata de refrigerante na mão, todas essas coisas eram um traço de algo nosso, era assim que nós investigavamos algo. Era isso que eu e Mari faríamos, não Mari e o infeliz do Will.
- Traidora - digo, respirando fundo. A morena, me observa e como se desse conta do que estava acontecendo, olha a bagunça ao redor e me fita com raiva - como pode me trair assim, Mariana? Eu pensava que era especial pra você - ouvir tantas vezes essa frase saindo da boca de mulheres com quem me envolvi no passado que quando digo, uma voz dentro de mim diz: engula o ciúmes, você não tem o direito de exigir nada e muito menos cobrar dela. A voz do maldito carma, tenho certeza.
- Espera aí, tudo isso é coisa minha, não nossa - ela gesticula segurando a fatia de pizza metade comida - eu que faço essa bagunça na mesa, eu que peço pizza enquanto estou investigando algo, eu! Não você e eu, não nós - explica irritada, sei que ela tem razão, mas não consigo assumir isso agora - aliás, nunca existiu nós, ou existiu? Porque tenho cem por cento de certeza que nunca existiu uma chance para um "nós" na sua cabecinha. Então, presumindo que "isso" - ela aponta para a bagunça na mesa e a pizza novamente - fosse algo nosso, você abriu mão. Ou seja, tenho o direito de achar alguém para o seu posto.
- O Will não é a pessoa apropriada, você sabe disso. Ou perdeu todo o juízo quando pintou o cabelo dessa cor? - disparo, nada justo da minha parte, amei o cabelo dela mas no momento da raiva, meu comentário hostil foi absolvido.
- Começou - Will diz empolgado com nossa briga, pegando mais uma fatia de quatro queijos e sentando-se na bancada. Tenho vontade de abrir a janela e empurrá-lo para fora, minha irritação diminuiria oitenta e cinco por cento.
- O que você tem contra eu fazer mudanças em minha vida, incluindo no meu cabelo, MEU cabelo.
- Não tenho nada contra, porém começo a ter quando você começa a ter atitudes que desviam de quem você realmente é - aponto para Will - isso é prova de que você não está bem.
- Está mesmo dizendo entrelinhas que estou maluca? - ela estreita os olhos, parte de mim se arrepende das palavras proferidas.
Mariana não estava maluca, ou louca, ou desequilibrada. Ela estava confusa, com raiva, com medo, perdida mas não maluca. E isso era minha culpa, eu que a fiz ficar desse jeito e tenho que concertar - sai daqui, Will - ela manda.
- Eu não, vão pro quarto vocês. Tenho que trabalhar lembra? - Mari revira os olhos, bufando frustrada por estar errada.
- Vamos para o quarto - ela indica a escada e não espero uma segunda chamada para subir os degraus e entrar em seu quarto. Continuava o mesmo, pelo menos não trocou os móveis.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Grávida de um mafioso
Continuação...
Onde está a continuação?...
Estou entrando em colapso preciso dos outros capítulos, só esse site é de graça 🥺...
Continua por favor,desde ontem que não saio do site só esperando o capítulo 190...
Preciso da continuação...