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Grávida de um mafioso romance Capítulo 243

- Eu juro! - bato meu pé no chão como um tique nervoso e devoro mais uma unha, o que deixa meu italiano preocupado. Ele estica o braço e relutante seguro sua mão, deixando que me leve para seu colo. Afasto um pensamento impuro quando sento-me na sua coxa torneada e acumulo minha mente novamente com teorias.

Resultou que passei o dia com os gêmeos e cuidando de Luigi, desisti imediatamente do tuor com Mari quando encostei na testa do meu italiano gato e percebi que ardia em febre. E mesmo contrariado, chamou um médico para me tranquilizar e comprovar que se tratava de uma simples exaustão.

Tenho uma parcela de culpa no seu diagnóstico, talvez a brincadeira com a camisa da união tenha lhe causado desgaste e somando a péssima viagem que tivemos com o loiro do banheiro me provocando, piorou seu estado. Admito que se tivesse fechado minha boca, não teria entrado numa discussão de horas com Matteo. Acabei vencendo-o pelo cansaço, é aquela coisa: entre a paz e a razão, talvez sua paz esteja em ter razão.

A tarde se arrastou lentamente, degustei pela primeira vez de uma rotina que sucederia a minha vida por alguns anos. Não quero depender de babás ou governantas, estou melhorando gradativamente no quesito "mãe de primeira viagem" e com o apoio de Luigi espero chegar perto de ser uma mãe perfeita. Ele era meu manual preferido.

Amamentei os gêmeos e não demoraram muito a voltarem a dormir, se permanecerem com esse comportamento poderei conciliar meu trabalho e minha vida pessoal fácil. Me deitei ao lado de Luigi na cama e maratonei uma série italiana enquanto fazia cafuné em sua cabeça. Era uma série de drama sobre o submundo da máfia ao entrarem em uma disputa por um território em Roma. Admito que o que me atraiu para assisti-lá foi seu nome, "Suburra", me lembrava "suruba" e achei porventura interessante. Meu italiano gato, vez ou outra murmurava comentários sobre a série, dizendo que era drama demais e que teria um plano mais elaborado e infalível para tomar o território. Plano esse, que não dividiu comigo e que julgo nem existir.

Ouvi uma risada ao longe no corredor, devia ser da Mari. Após furar nosso tuor, o loiro do banheiro tomou meu lugar e não somente mostrou-lhe todo o castelo como também organizou uma tarde inteira para turistar no centro de Bolonha. Fico feliz que os dois estejam dando certo, ambos seriam bons para o outro.

Mari era séria, Matteo era mais descontraído. Mari era um pouco tímida enquanto Matteo era o próprio descaramento encarnado. Descontração, leveza e risos por um lado e seriedade, comprometimento e empatia do outro lado. Dois extremos que se complementavam, é como dizem: os opostos se atraem.

E sucedeu o momento que me deixou pertubada até agora. Eu tinha decidido fazer a social, perguntar a Mari como tinha sido o tuor e aproveitar para me desculpar novamente pelo meu furo. Fazia uma eternidade em que reservei um dia para curtir minha amizade com Mari como antigamente e me sentia mal por não honrar o convite que eu mesma tinha feito.

Entretanto, repensei meus passos e desistir no meio do caminho. O sol já tinha saído de cena e dado lugar para a fria noite, somado a um tuor super romântico e divertido pelos monumentos de Bolonha... tinha sido um date perfeito para Mari, não quero quebrar o clima dando uma de empata foda.

Então giro meu corpo em direção ao meu quarto e vejo o exato momento em que uma mulher vestida de branco passa rápido na frente da porta. Meu corpo paralisou e um frio petrificante se instaurou no corredor, minha voz sumiu e minhas pálpebras se recusavam a ceder a ardência nos globos oculares. Foi muito rápido mas não o suficiente para os meus olhos duvidarem do que viram. Não vi seu rosto ou a cor de seu cabelo, apenas assisti o tecido branco esvoaçante dançando na brisa fria enquanto desaparecia para o jardim. Engolindo em seco e dando passos cautelosos na ponta dos pés chego no final do corredor.

A verdade é que existia uma bifurcação, o lado esquerdo dava para o jardim interno e o direito dava para os demais quartos de hóspedes. Entrei rapidamente dentro do quarto, não sou nenhuma protagonista burra de filme de terror que vai investigar indo atrás da aparição durante a noite sem ninguém saber. Sou nova demais, tenho bebês para criar e um italiano gato para amar, não está nos meus planos morrer de maneira burra.

Luigi levantou-se num pulo ao me ver bater a porta e ficar paralisada processando o que tinha visto segundos atrás. Acabei acordando do transe quando meu italiano tocou meu braço, contei tudo o que tinha visto e fico frustrada quando presume que estou com sono e vendo coisas inexistentes.

O que nos leva exatamente para o agora. Permaneço sentada em seu colo, sua mão acaricia meu cabelo e por consequência dele estar solto, acaricia minhas costas e nuca também. E por mais manipulador que seja seu toque estou pilhada demais para relaxar com seus carinhos, e se eu fosse uma Melinda Gordon da vida? E se o castelo era assombrado? E se não fosse uma assombração? Minha atenção se volta para os gêmeos dormindo no berço duplo e me forço a tranquilizar, Luigi não deixaria nada de ruim acontecer a nossa família. Preciso confiar que estamos seguros, seja de pessoas ou de assombrações. Minha mãe sempre diz para ter medo dos vivos e não dos mortos, que nada podem fazer. Então não descarto minha preocupação com os vivos.

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