Artemísia
Desembarcamos e seguimos para a única e pitoresca pousada da cidade das ômegas. Da varanda, observo as colinas suaves em um verde escuro deslumbrante, as casas de madeira com telhados curvos característicos daqui. O ar parece mais limpo; a névoa que cobre os campos de arroz sempre me intrigou desde a primeira visita. Amei as pontes de madeira arqueadas e os pequenos barcos que passam silenciosamente por baixo delas, o rio de águas translúcidas e as escadas de pedra gastas pelo tempo.
Na verdade, eu já havia seguido uma pista até aqui anos atrás. Procurando uma saída para a maldição de Aquiles, encontrei a bruxa Gladis, que me indicou este lugar, que ela chamava de antiga cidade das ômegas douradas.
— Luna! Vamos? Sua protegida deve estar ansiosa.
Felipe fala já na porta carregando as malas de Liliane, sempre tão cavalheiro.
Deixamos nossas coisas e fizemos uma caminhada leve até a casa dela.
Olhei para Liliane, sorrindo empolgada, correndo em direção ao portão da casa dos pais. O pai a abraçou e rodopiou no ar, como se ainda fosse uma menina.
Felipe passou o braço pela minha cintura. Apertei meu corpo contra o dele, observando sua mãe e irmã, e depois um grupo de garotas da idade dela saindo da casa.
Elas tinham organizado uma recepção aconchegante.
Liliane era meiga, carinhosa e animada; parecia que não lhe faltavam amigas ao redor.
— Entrem! Como vai, Artemísia? Agora é uma fêmea acasalada.
O pai de Liliane estendeu a mão para me cumprimentar e logo depois cumprimentou Felipe.
— Sim, esse é o Felipe.
— Podem entrar, as meninas prepararam uma surpresa para ela. Vocês são muito bem-vindos.
— Eu agradeço, mas prefiro deixá-las matar a saudade dela. Depois nos vemos com calma. Além disso, vou aproveitar para mostrar umas trilhas ao Felipe, se não se importarem.
— Claro, fiquem à vontade.
— A entrada da trilha fica para aquele lado — apontei.
— Prefiro ir para o nosso quarto primeiro — disse ele, as mãos descendo pela lateral do meu corpo, me aquecendo.
— Então a trilha fica para depois.
**Liliane**
Abracei minha irmã, que veio correndo de braços abertos. Assim que meu pai me soltou, por puro empurrão mesmo, minha mãe tinha os olhos marejados. Minha casa nada tem a ver com as mansões de quarenta quartos dos Alfas, mas havia aqui algo único e precioso: esse amor quentinho, confortável e seguro.
Embora dentro de mim sentisse falta do enlevo por Aquiles, mesmo tendo-o visto ontem, parecia que ficaria a vida inteira sem aquele sorriso lindo e aqueles olhos magnéticos e sedutores.
— Liliane, qual está mais gostosa? Anda, eu aguento sinceridade — Erika exigiu.
Minhas amigas entraram em uma disputa por quem tinha cozinhado melhor. Eu achava que não aguentaria comer mais nada, até me oferecerem os mini sliders de wagyu da Erika e as deliciosas ostras frescas com vinagrete de champanhe.
— Eu não tenho condições de escolher entre eles, são todos deliciosos.
Os aplausos e assobios foram fortes. E era a mais pura verdade: eu já chorava de satisfação. Nenhum lugar tinha comida tão boa quanto a que uma ômega nossa preparava.
Após o almoço, minha mãe começou a recolher a louça.
— Não, nós fizemos a bagunça, então vamos limpar tudo, tia Helen.
Todas se levantaram e começaram a se dividir nas tarefas. Sigo com elas, mas minha irmã, que já não se aguentava, me puxou para o canto.
Estava tão concentrada que só percebi a presença de Lisandro quando ele puxou a cadeira e sentou em minha frente.
— Oi, Artemísia.
Olho o macho na minha frente o líder dos ômegas tem suas características bem definida dos orientais cabelos escuros e lisos, pele branca imaculada é olhos amendoados, seu físico e alto, atlético se comparado a um humano, mas não chega perto do poder que tem um lobo Alfa.
— Oi, Lisandro. Quando for embora, tenho que levar um pouco desse empadão. Nunca vi uma carne desfiada com um sabor tão bom assim.
— Tenho certeza que não. A peça de carne é colocada inteira dentro de um pote de barro junto com nossas especiarias, lacrada, e fica na lenha por quatro dias.
— Humm, muito bom.
— Como tudo nosso, Luna, seguimos a receita antiga. Por que quebrou sua promessa e trouxe um Alfa aqui?
Mastigo e engulo vagarosamente.
— Ele é tecnicamente um Beta, e não havia como eu aparecer aqui sem ele. Você nem imagina a manobra que precisei fazer para vir só com ele, Lisandro.
— Tudo bem — ele fala resignado.
Eu ri.
— Não está não.— tento conter um sorriso se insinuando em meus lábios.
Lisandro estreita o olhar.
— Eu tenho alguns problemas, e você, a solução.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...