Eliz
Quando você tem chances reais de encontrar Selene mais cedo, algumas coisas tomam forma enquanto outras deixam de ser importantes. Algumas se tornam tão cristalinas quanto a água. Descobri hoje que amo o infeliz do Adam — truculento e mandão. Não deveria, mas não consigo evitar. Ainda assim, meus filhotes são importantes e eu os quero.
É simples: minha escolha será por eles. Simples não quer dizer fácil. Meu corpo ainda traz o cheiro dele e minha pele sente falta do seu toque. Minha intimidade ainda está dolorida e desejosa. Mas é isso: vou cuidar dos meus filhotes e vou voltar por Adam.
Olhar a face do Gustavo me lembra o Gael, deixando-me irritada e em alerta. Isso me faz imaginar os próximos meses: Como me sentirei tendo que ficar colada a ele esse tempo? Um tremor percorre minha espinha.
Falei minhas condições e, interiormente, agradeci que Atenor estivesse comigo — ter uma rede de apoio tem feito total diferença na minha vida. Gustavo literalmente mudou de cor; o macho ficou vermelho e, se os olhos dele soltassem raios, eu seria pó nesse momento.
— Eu juro que eles não saberão o que o seu “amado companheiro” fez ao pai deles por mim.
Olhei para ele, incrédula.
— Acha que se trata disso? Do meu “amado companheiro”… — devolvi-lhe o olhar gelado. — Trata-se de os meus filhos não crescerem sabendo que são frutos de uma violência; trata-se de não serem vistos como indesejados; trata-se de evitar que o pai deles destrua a minha vida. Trata-se de impedir que eles queiram vingança e que Adam os mate. É isso que quer?
Ele se sentou, visivelmente contrariado.
— Quero que meus filhotes acreditem que eu tive um relacionamento passageiro, que o pai deles morreu nas mãos de renegados, e que eu me casei e refiz minha vida depois disso. É isso que quero, entendeu, Gustavo?
— Entendo. Mandarei fazer o contrato agora mesmo.
— Estarei na casa do Gama Antero. Pode levar lá amanhã. Quero acabar com essa medição de pau entre machos o mais rápido possível.
Coloquei o guardanapo na mesa e fui em direção ao carro de Atenor. Sua aura me protegeu o tempo todo. Um verdadeiro cavalheiro.
— Você foi muito bem, Luna Eliz; até eu fiquei com medo de você — disse ele em tom debochado, com meio sorriso, abrindo a porta do passageiro.
— Acha que ele cumprirá, Atenor? — perguntei. Eu não confio nem um pouco no Gustavo.
— Por que ele mancharia a imagem do filho para os netos? Acho que funcionará, por um período, pelo menos.
— Acho uma péssima ideia você ficar numa casa olhando para a cara do Gustavo — murmurou Ania. Como se não estivéssemos justamente na cama com o parceiro dela sem camisa e com suas mãos em mim.
— Ania, eu não quero causar problemas para vocês.
— Que problema? O máximo que pode acontecer é você ter vários orgasmos e não precisar ficar olhando para um cara que te lembra do seu estuprador.
Engoli em seco. Lógico que eu preferiria ficar ali do que com Gustavo. O que não quero é estragar o relacionamento deles.
— Nós não precisamos ter intimidade nenhuma, se você não quiser, amiga. — Ela falou com carinho, e eu percebi o tom sincero. — Embora eu confesse que tenho curiosidade sobre o assunto e adoraria experimentar com você.
Ela disse isso enquanto seus delicados dedos de fada faziam pequenos círculos e espirais no meu braço, provocando arrepios.
— Eu tenho sim, fadinha — respondi, e rocei meus lábios nos dela. O beijo foi delicado, diferente e doce.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...