Eliz
Acordei ouvindo passos leves e saltitantes.
Quando abri os olhos, vi Ania saindo do banheiro com uma toalha enrolada no cabelo e outra no corpo.
— Bom dia, Eliz.
— Bom dia, fadinha.
O lençol, de um tecido FAE delicadíssimo, acariciava minha pele. Espreguicei-me, apreciando a luz do sol que invadia o quarto deles. A porta se abriu, e Atenor entrou com uma bandeja cheia de comida.
— Dormiu bem, Luna? — perguntou, com um sorriso malicioso de macho satisfeito.
Senti minhas bochechas queimarem, provavelmente estava vermelha até a alma, mas não consegui evitar o riso.
— Vocês são impossíveis. — Peguei um pedaço de bacon. Realmente, eu estava morrendo de fome outra vez.
Ania se aproximou, colocou várias frutas no prato e jogou mel por cima.
— E você é linda quando tenta fingir que não gostou.
Revirei os olhos, enquanto ela me lançava um sorriso cúmplice.
— Eu não sei o que dizer… — murmurei. — Ontem foi... inesperado.
Atenor se abaixou diante de mim e segurou minha mão.
— Não precisa dizer nada — disse ele, com a voz calma.
Depois, serviu uma xícara de chá de hortelã para Ania e me entregou uma de café.
— Aliás, precisamos conversar.
Assenti, ajeitando o lençol sobre as pernas. O olhar dele era respeitoso, mas carregava algo silencioso… cuidado.
Era assim com Atenor: ele não precisava de muitas palavras para se fazer entender.
— Sim — concordei, respirando fundo. — O contrato com o Gustavo.
— Quero revisar antes que você assine qualquer coisa — ele alertou. — Gustavo é esperto demais pra confiar de olhos fechados.
— Já pensei nisso — respondi, firme. — E agradeço por me ajudar.
O olhar dele se suavizou. Por um segundo, senti algo calmo se expandir dentro do peito.
Não era paixão, nem desejo... era algo mais raro: confiança.
Sorri. Pela primeira vez em muito tempo, senti-me leve.
Não porque os problemas tivessem desaparecido, mas porque, de repente, eu não estava mais sozinha para enfrentá-los.
Minha noite tinha sido relaxante, renovadora... mas ainda assim, faltava algo.
Nada seria suficiente. Somente se fosse ele.
Quando a serva veio me chamar, eu já sabia. Era ele.
Quando a porta se fechou, soltei o ar que vinha prendendo desde o início da conversa.
Nenhum agradecimento seria suficiente para Atenor e Ania por estarem ao meu lado, por me ajudarem a não depender mais de ninguém; deram-me a esperança de que dias tranquilos virão.
Assinar aquele contrato foi oficializar que eu seria realmente mãe dos filhos do Gael — dos herdeiros de garras de gelo e da matilha do Sul.
Subi e fiquei observando a interação de Lívia com os filhotes.
— Quem te viu e quem te vê. Nunca te imaginei orquestrando seis filhotes com maestria.
Lívia sorriu, deixou a Kaela gentilmente no bercinho e me puxou pelo braço.
— Vem, eu quero te mostrar seu novo quarto. Fiz o espaço minimalista, do jeito que você gosta; coloquei uma escrivaninha e um cantinho com prateleiras, tudo para você fazer home office. — Ela fez uma pausa, orgulhosa. — Também já encomendei o berço.
Ela me mostrava o berço; havia encomendado uma decoração de bebê completa.
— Amiga, se você não gostar, trocamos. É só o básico; quando soubermos se são meninos ou meninas, compramos o restante.
Meus olhos estavam marejados; parecia que, além de esfomeada e sonolenta, eu havia me transformado num poço de lágrimas.
Virei e a abracei apertado.
— Está perfeito. Você é incrível.
— Ei! E eu não ganho abraço? — Ania exclamou, com a carinha alegre, e juntou-se ao abraço.
Quando as vozes dos machos começaram a se alterar no andar de baixo, meu pensamento foi imediato: Adam!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...