Luna Vanessa
Adrian havia saído para resolver algumas pendências, deixando-me com Aurin, como se eu fosse uma criança que precisasse de babá.
Mas, já que ele estava aqui, eu o tornaria útil.
— Aurin, a porta ficará com saída para o corredor mesmo, então não vai precisar mexer. Mas eu gostaria de um bom marceneiro para fazer o quarto exatamente desse jeito aqui.
Mostrei o modelo que havia impresso: um quarto pelo qual me apaixonei à primeira vista na internet.
— Temos profissionais muito competentes. Tudo ficará exatamente como deseja, Luna Vanessa. Também pode deixar um espaço para alguma mãe que traga seu filhote para visitá-la. Minha mãe fazia assim, e Eliz também tinha um quarto-berçário. Só uma sugestão.
— Eu amei a ideia. Logo chegarão os sobrinhos de Adrian, então podemos deixar todos confortáveis.
Uma empregada apareceu. Não disse uma palavra. Ficou parada no início do corredor, esperando a ordem de Aurin para se aproximar.
— Pelo amor de Deus… — bufei. — Por que tratam assim as empregadas aqui? É esquisito ter alguém atrás de você como se estivéssemos na época medieval.
— Primeiro: não temos empregadas aqui, temos servas.
Segundo: coloque na sua cabeça que ela é uma fêmea lobisomem, não uma humana frágil.
O tom dele soou diferente das outras vezes. Parecia um aviso.
— E você ainda está em fase de transição, conhecendo nossos costumes. Não queremos surpresas desagradáveis. Até acontecer sua cerimônia oficial, manteremos esse cuidado.
— Não sou burra, Aurin. As lobas não vão querer uma humana acima delas na hierarquia. Acha que eu já não imaginei isso?
— Resposta oficial: nada é maior do que um companheiro destinado pela deusa. Você deve ser respeitada por todos os lobos.
Não contive a gargalhada ao ver o revirar de olhos dele. Aurin havia voltado ao modo brincalhão.
— Agora a resposta extraoficial, por favor.
— Em todas as raças sempre existem os esnobes que acham ser melhores do que quem está acima deles. E cabe a quem está acima mostrar sua competência. Não é mesmo?
Ele fez um gesto abrindo as mãos, como se explicasse uma historinha a uma criança.
— Suponho que sim. E o que eu faço? Tendo em vista que sou uma humana frágil, como você disse.
— Não seja tola. Nenhuma fêmea com um macho como eu ou Adrian ao lado está fraca. Basta saber usar as armas que tem. Mas, se não quiser viver à sombra de ninguém, terá que conquistar seu espaço.
Ele finalmente olhou para a serva, permitindo que ela se aproximasse.
— Senhora, Sinara a aguarda na sala de visitas, Luna.
O olhar dele parecia aflito.
— Pronta para sua primeira batalha?
As servas corriam de um lado para o outro, desordenadas, movendo a mobília.
No centro da sala estava uma mulher de cerca de quarenta anos, com um corpo impecável e elegantemente vestida. Ela ditava ordens.
— Por favor — disse eu, e todas as servas me olharam — coloquem tudo exatamente como estava.
— Pela deusa… então é verdade.
A mulher parecia completamente ultrajada.
— O que é verdade, senhora? — perguntei no mesmo tom que ela, com a coragem de quem tem um guarda-costas de quase dois metros ao lado.
— Sou avó de Adrian e Luna deste território. Soube que você está com as joias da Luna do Norte e vim buscá-las.
— Aqui a Luna sou eu. Por acaso a idade já mexeu com seu juízo?
Achei que lobos não sofressem desse tipo de moléstia. E, para sua informação, as joias foram presentes da minha sogra, Eliz.
— Humana insolente!
— Por favor, saiam. — Pedi às servas, que pareciam mais do que aliviadas em obedecer.
Esperei até ficarmos praticamente sozinhas.
— Se a senhora voltar a meter o nariz nas minhas coisas, nem chegará a conhecer seu bisneto. Ficará proibida de chegar perto desta casa.
— Bisneto?
Ela ficou imóvel por alguns segundos. A boca aberta formava um “O” perfeito, enquanto sua expressão demonstrava pura repugnância.


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