Eu...
— Então, Eliz… você não me quer por inteiro, não é?
Não precisei responder. A decepção nos olhos dele era clara. Leon encostou sua testa na minha; seu corpo tremia pela vontade de terminar o que começamos. Então, tomei as rédeas. Rodei meu corpo, inverti nossas posições e o aliviei com a boca, oferecendo algo em troca da entrega que eu ainda não podia dar. Depois, nos deitamos em silêncio. Ele respeitou minha escolha silenciosa, como sempre.
Por que, deusa, fui ligada a um lobo sem alma como o Supremo, se Leon é tão gentil, tão constante?
Pela manhã, parecia que a deusa havia me escutado… e não gostado.
Meu pai me encontrou. Brigou com minha mãe, que chorava na sala da Lívia, sendo amparada por dona Lêda.
— Ele exige que você volte e cumpra o contrato com o Supremo. Se não for por bem, ele virá pessoalmente te buscar. Sinto muito, filha. Não posso mais te proteger.
Lívia chegou da faculdade e logo compreendeu o caos.
— Há uma saída. Vamos entrar com um pedido ao Conselho Sobrenatural, solicitando sua emancipação de qualquer contrato feito antes da sua maioridade. Eliz já é adulta. Tem o direito de decidir seu próprio destino — afirmou, firme.
— Você é nossa única filha. Seu pai ficará arrasado...
— Arrasada estou eu, por ele colocar o Supremo acima de mim — rebati, e me arrependi na hora, ao ver as lágrimas de minha mãe.
Eu te apoiei quando era mais nova, mas agora... não é só sobre o Supremo. É sobre nossa matilha inteira, Eliz.
— Mãe... até você?
Mesmo com o coração apertado, dei início ao processo. Pedi ao Conselho uma ordem de restrição contra meu pai e contra o Supremo.
O dia da audiência chegou. No corredor, estavam meus pais, o Supremo e o advogado deles. Eu fui acompanhada pelo pai da Lívia — um alfa respeitado, conhecido e acasalado. E, claro, por ela. Usava um vestido branco simples, sem decote, escolhido estrategicamente. Queriam que eu parecesse pura, frágil, inocente. A maquiagem leve, quase infantil.
Sentamos diante da mesa oval. Três anciãos — dois lobos e uma bruxa — presidiam a audiência. Um dos lobos claramente simpatizava com o Supremo. A bruxa demonstrava empatia. O terceiro, um enigma.
— Sua cliente deseja apenas uma ordem de distância? — perguntou a anciã, surpresa. — Nenhuma compensação? Sem pensão, sem propriedade?
— Apenas sua liberdade, senhora. Eliz tem onde viver. Ela quer o direito de decidir por si, sem ser forçada a cumprir um contrato feito quando ainda era bebê — explicou o pai da Lívia.



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