— Podem sair. Em alguns minutos, chamaremos para o veredito final.
Ficamos no corredor. O Supremo, em seus dois metros de puro músculo e presença esmagadora, cruzou os braços e me fitou, impassível. Seus olhos escuros eram os de um predador, me analisando como quem avalia se a presa ainda tem forças para fugir.
O poder dele vibrava no ar como uma corrente elétrica, chamando minha loba. Ela gritava em minha mente: “Companheiro. Companheiro.”
Eu precisei lembrá-la repetidamente da cena que presenciamos com a loba loira em seu colo do toque íntimo, da maneira como ele a segurava como se fosse sua, e do tratamento que ele me deu. Só assim consegui acalmar seu impulso de correr até ele.
O colar enfeitiçado em meu pescoço continuava firme. Um escudo eficaz. Ele não conseguia me sentir, nem acessar o vínculo. Ainda assim, observava. Silencioso, dominante. Enquanto isso, meu pai me esmagava com sua aura.
— Então foi pra isso que te criei? Pra me humilhar diante do Conselho? Minha única filha...
— Calma, vocês dois... — pediu pela segunda vez o pai da Lívia, tentando apaziguar o ambiente carregado.
— Eu estava quieta no meu lugar, pai. Só quero viver em paz.
— E a nossa matilha, sua ingrata? Se fosse um filho, um macho de verdade, saberia que seu dever é sacrificar até a própria vida pela matilha! — Ele cuspiu as palavras com desprezo. — Pena que sua mãe só conseguiu me dar você...
As lágrimas escorreram pelos olhos da minha mãe. Eu não consegui responder. Aquilo doeu mais do que qualquer ataque. Porque eu sabia: era verdade para ele. Uma decepção com nome e fêmea.
Me calei. O calor da humilhação subiu pelo meu rosto como lava.
A sala se abriu. Entramos para ouvir o veredito
— Considerando a importância do dom da Luna destinada, reconhecemos que ainda assim a loba tem o direito de escolher a que matilha deseja dedicar sua dádiva. Se o Supremo não soube aproveitar sua oportunidade... que outros machos tentem. E talvez até apareça um companheiro de verdade.
Um alívio percorreu meu peito, ainda que minha loba tenha se entristecido. Vai entender.
Lívia, radiante, passou o braço pela minha cintura e me apertou de leve.
— Conseguimos... — sussurrou ela.
— Sim... obrigada. — murmurei, mesmo com minha loba arranhando por dentro, gritando pelo companheiro querendo alcançar e nossa hora minha visão ficou diferente, eu conseguia ver o fio dourado enrolado nós dois pulsos de Lívia, no do pai dela, inclusive consegui enxergar um fio dourado que vinha do supremo e ficava parado em minha frente, sem conseguir me alcançar. Fechei meus olhos de novo e visão tinha desaparecido.
" *Meses depois…"
Estávamos ocupadas reformando uma antiga casa, transformando-a em abrigo para as fêmeas resgatadas. Criamos uma sala de atendimento, com operadoras recebendo denúncias e acompanhando cada caso. Muitas das resgatadas agora trabalhavam ali, ajudando outras a recomeçar.



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