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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 111

Eliz

Adam me deixou sozinha. Desta vez ele não gritou, nem rosnou; sequer seus olhos mudaram. Ele não emanou raiva. Foi pior: ficou decepcionado — o olhar, triste.

Atenor, que ouviu a conversa, deu um aceno com a cabeça e correu atrás dele. Lívia, que viu os dois passarem com os braços cheios de três mamadeiras, me olhava sem entender nada; então expliquei toda a nossa conversa, enquanto as lágrimas corriam pelo meu rosto.

— E se ele for atrás da Kaya para ter filhotes com ela? — perguntei, a voz embargada. — Como vou poder dizer não, se estou trazendo filhos de outro para o nosso casamento?

— E quem disse que você não terá outra gravidez? — Lívia retrucou. — Sua mãe e sua sogra não são Lunas destinadas como você; elas foram feitas Lunas pelo laço de companheiros.

— Eu não vou aguentar viver a vida desse jeito. Prefiro a rejeição de uma vez. — Falei, enxugando o rosto com tristeza.

Minha amiga soltou um suspiro.

— Sabe o que eu acho? — Lívia largou as mamadeiras no móvel ao lado do berço. — Hum?

— O quê? — levantei a cabeça e parei de chorar na expectativa. — Acha que ele vai querer montar um harém de novo?

— Acho que seus hormônios da gravidez estão te deixando paranoica, amiga. Você não é assim.

— Desde que descobri o laço de companheiros com Adam eu só enfio o pé na jaca. Tudo dá errado.

— Você está certa. E é daí que vamos partir.

— Como assim?

Ela chamou a serva para alimentar os filhotes.

— Vocês só têm lembranças ruins. Você descobriu o vínculo, o chifre, a cerimônia e a Kaya; quando ele te marcou, você disse que estava protegendo o Kane — e por aí vai. Vocês precisam de um recomeço, Eliz.

— E eu já sei como vai ser esse recomeço.

Pronto: ela ativou o modo sacerdotisa — um sorriso no rosto e os olhos cintilando em roxo.

— Vou te dar uma cerimônia adequada de acasalamento.

— Mas o rei Lucien já nos uniu formalmente.

— Estou falando da bênção da deusa.

Lembrei-me das histórias que Lívia contava sobre a matilha Beta. Das cerimônias regadas a orgias.

— Eu... eu não sei se sou capaz disso.

— Sua mãe te treinou nas danças de todos os rituais. E já dançamos tantas vezes juntas. Por que não?

— Meu problema não é a dança e a finalização da cerimônia.

Um sorriso irônico se abriu largo em seu rosto.

— Então você se lembra como é!

Eu me lembrava perfeitamente: os tambores tocavam, as fêmeas acasaladas dançavam e ofereciam fertilidade à deusa; as não acasaladas acompanhavam de um lado, os machos do outro. Todas passávamos um óleo afrodisíaco que enlouquecia os sentidos lupinos. Quando as casadas terminavam de dançar, se entregavam a seus machos na frente de todos os não acasalados, excitando-os ainda mais. Depois, era a vez dos solteiros caçarem suas fêmeas — que se enfiavam na floresta. Eu tinha toda a teoria... nunca me permitiram participar de um ritual de acasalamento. Eu era prometida ao Supremo, e nesses rituais a deusa unia muitos casais. Nem meu pai nem a família de Adam queriam correr o risco de eu ativar o laço com outro.

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