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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 114

Eliz

Acaricio minha barriga redonda. Estou muito feliz, embora ainda lembre da minha primeira gravidez e peça à deusa que tudo saia bem desta vez.

Adam chega perfeitamente vestido em um terno de três peças bem cortado. Seu porte físico e sua aura poderosa me lembram exatamente por que me apaixonei por ele.

Ele me dá um beijo e passa a mão em minha barriga grande.

— Amor, não acha que deveríamos ficar aguardando em um hospital? Não gosto desse suspense.

— Me parece justo que meus filhotes escolham quando querem sair, Adam. — Faz três dias que completei seis meses, mas o trabalho de parto dura horas. Não quero ficar internada esse tempo todo.

Ele me entrega uma pasta; meu pai havia me informado sobre os progressos na matilha do Sul.

— Seu pai quer ver o parto. — Meus pais me visitavam uma vez por mês. Para meu pai, não importa quem é o pai dos meus filhotes — são meus, e isso basta.

Adam tira o paletó, coloca-o cuidadosamente no lugar e começa a afrouxar a gravata. O celular dele começa a tocar, e ele sai para atender.

Tento me convencer de que é só uma ligação de trabalho, mas... por que ele não atenderia perto de mim? Ele volta assim que desliga.

— Alguma coisa importante? — finjo não ter percebido nada.

— Não. Ajax só precisa de algumas coordenadas de vez em quando. Nada para se preocupar, amor. Vamos?

Adam me oferece o braço para descermos para jantar. Ele não gosta que eu desça as escadas sozinha. Desde que fui abençoada pela deusa — ou talvez pelo Adam, sempre transmitindo sua energia para mim — nunca mais me senti mal.

O jantar, como sempre, é regado a conversas e planos familiares aconchegantes. A melhor decisão que tomei foi ficar aqui até a hora do parto.

Uma dor começa nas minhas costas e rasteja até minha pelve. Seguro a mesa com força até passar.

— Abre um vórtice para hospital, Ania! — Amiel grita enquanto minhas amigas tentam me acalmar.

— Eu vou para o hospital lupino, já está tudo organizado.

— Vamos sim, Eliz — Lívia me olha preocupada.

Adam me pega no colo com delicadeza, e percebo a poça de sangue pingando da cadeira para o chão — e depois aos meus pés.

Algo está errado comigo. Algo está errado com meus filhotes.

Uma dor aguda me atinge novamente. Tudo escurece.

Abro os olhos e escuto vozes alteradas ao meu redor. Estou em uma sala médica. Apago de novo.

— Vamos, Eliz, reage! — a voz de Helena, a médica humana, me alcança de algum lugar.

Abro os olhos com dificuldade; as luzes fortes estão bem acima de mim.

Uma dor insuportável me arranca do conforto da escuridão.

Ania está ao meu lado, segurando minha mão, recitando palavras antigas.

Meu corpo parece estar se rasgando. Algo duro pressiona minha pelve.

— Artemísia e Aquiles — sussurro, beijando a cabecinha de cada um.

Seria impossível alguém olhar para eles e pensar que Adam era parente: cabelos quase brancos de tão loiros e olhos azul-claros hipnóticos.

— Eliz, eles são lindos. Serão tão generosos e bondosos quanto nós. — Nara sussurra no meu ouvido.

Engulo em seco.

A mistura de amor e medo que me preenche.

“Eles são meus”, repito mentalmente. "Não importa a aparência.”

Mas uma pequena voz, lá no fundo, me lembra da verdade:

Em uma matilha, aparência importa.

Linhas familiares importam.

Heranças importam.

Pisco para afastar lágrimas teimosas.

Eu só espero que Adam veja o que estou vendo, dois anjinhos. Inocentes.

Adam entra no quarto, seus olhos preocupados se aliviam ao me ver, depois seguem para os pequenos no bercinho ao meu lado.

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