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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 115

Adam

Quando vi aquela poça de sangue, soube que algo estava errado. Ania abriu um vórtice com minha fêmea e atravessamos às pressas. Corri pelo corredor como um louco, junto com Ania e a médica, direto para a sala de parto. Eliz acordava, se debatia e gritava; depois apagava de novo.

A equipe médica me expulsou para não atrapalhar lá dentro. Ficar do lado de fora foi a hora mais arrastada de toda a minha vida.

Quando a médica Helena saiu, deu a notícia: os bebês estavam bem e Eliz também. Mas a ruptura no útero tinha ocorrido novamente; ela achava que uma nova gravidez seria improvável.

O silêncio tomou conta da sala. Cada um ali sabia a importância daquela notícia. Eu enfrentaria mil matilhas, mil alfas que viessem me desafiar quando soubessem que talvez eu não tivesse herdeiros.

Amiel se aproximou.

— Improvável não é impossível, Adam. Tenha fé na deusa.

Apenas aquiesci com um sinal de cabeça.

— E, se precisar de nós, saiba que pode nos chamar a qualquer hora. Com o tempo, seu coração terá uma resposta — completou outro, tentando consolar.

Helena continuou, narrando os detalhes do parto. Contou que Ania havia sido levada para outro quarto — ela se esgotara em sua magia ajudando Eliz — Atenor foi ao encontro de Ania, aflito assim que ouviu a notícia.

Eu me recompus e fui ver minha fêmea, aliviado por tê-la comigo — algo que muitos lobos, como Gael, não tiveram. Ela havia passado pelo inferno; a preocupação estava evidente no rosto. Olhei então para os filhotes. O aroma deles era diferente do meu, e faltavam traços reconhecíveis.

Inalei profundamente o cheiro dos bebês para educar o lobo que rosnava dentro de mim. Suprimi-o, empurrando-o para o fundo da minha consciência. Preciso treinar Igor para aceitá-los o quanto antes. Não posso errar de novo com minha companheira; não quero que ela se quebre nesse processo.

Eliz

O olhar sério dele percorreu os filhotes e voltou para mim. Seus olhos escureceram, a mandíbula travou.

— Se ao menos eles se parecessem comigo... — murmurei.

— A deusa quis assim. Cabe a nós aceitar. — Ele dizia e eu sentia o coração dele sangrar por dentro. Aproximou-se dos filhotes e tocou os fios platinados de um deles. Vi o macho forte e seguro que conhecia estar quebrado por dentro: imóvel, o predador ferido tentando juntar seus cacos.

Ele enxugou minhas lágrimas com a parte de trás do dedo indicador.

— Teremos filhotes nossos, Adam. — sussurrei.

Ele olhou-me com descrença, sem ousar abrir a boca. Pegou o menino com cuidado.

— Segunda regra: você é a mãe dos herdeiros de Garras de Gelo — os lobos reais — e da matilha do Sul, a segunda maior matilha do reino. Ninguém pode te ferir por causa disso, nem por você me ter dado ou não filhotes. Você é uma loba verdadeira por nascimento. E é a minha Luna, a Luna do Norte. Entendeu?

— Sim.— ele pede que eu seja forte. Então eu serei.

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