Adam
Quando vi aquela poça de sangue, soube que algo estava errado. Ania abriu um vórtice com minha fêmea e atravessamos às pressas. Corri pelo corredor como um louco, junto com Ania e a médica, direto para a sala de parto. Eliz acordava, se debatia e gritava; depois apagava de novo.
A equipe médica me expulsou para não atrapalhar lá dentro. Ficar do lado de fora foi a hora mais arrastada de toda a minha vida.
Quando a médica Helena saiu, deu a notícia: os bebês estavam bem e Eliz também. Mas a ruptura no útero tinha ocorrido novamente; ela achava que uma nova gravidez seria improvável.
O silêncio tomou conta da sala. Cada um ali sabia a importância daquela notícia. Eu enfrentaria mil matilhas, mil alfas que viessem me desafiar quando soubessem que talvez eu não tivesse herdeiros.
Amiel se aproximou.
— Improvável não é impossível, Adam. Tenha fé na deusa.
Apenas aquiesci com um sinal de cabeça.
— E, se precisar de nós, saiba que pode nos chamar a qualquer hora. Com o tempo, seu coração terá uma resposta — completou outro, tentando consolar.
Helena continuou, narrando os detalhes do parto. Contou que Ania havia sido levada para outro quarto — ela se esgotara em sua magia ajudando Eliz — Atenor foi ao encontro de Ania, aflito assim que ouviu a notícia.
Eu me recompus e fui ver minha fêmea, aliviado por tê-la comigo — algo que muitos lobos, como Gael, não tiveram. Ela havia passado pelo inferno; a preocupação estava evidente no rosto. Olhei então para os filhotes. O aroma deles era diferente do meu, e faltavam traços reconhecíveis.
Inalei profundamente o cheiro dos bebês para educar o lobo que rosnava dentro de mim. Suprimi-o, empurrando-o para o fundo da minha consciência. Preciso treinar Igor para aceitá-los o quanto antes. Não posso errar de novo com minha companheira; não quero que ela se quebre nesse processo.
Eliz
O olhar sério dele percorreu os filhotes e voltou para mim. Seus olhos escureceram, a mandíbula travou.

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