Adam
Dois meses depois
Eu me movia com precisão e calma, mesmo sem sentir nenhum desses dois estados dentro de mim. Às vezes, porém, é preciso saber quando ceder para conseguir ganhar terreno.
Na reunião do reino dos lobisomens, um tema desagradável surgiu:
— Soubemos que a Luna Eliz não conseguirá ter mais filhos, Adam. Quando começará a procurar sua segunda esposa?
Outro macho fez a proposta que eu já recebia quase todos os dias:
— Tenho uma filha em idade de casamento… poderíamos marcar uma visita, Supremo?
Ao que parece, alguma serva atrevida abriu a boca e a notícia se espalhou como fogo pelo mundo sobrenatural: um Supremo sem herdeiros.
— Obrigado pela oferta. Mas ainda é muito cedo.
Os machos começaram a protestar:
— Aproveite que ela está ocupada com os filhotes pequenos e não poderá causar problemas.
Um desconforto crescia no meu peito, e eu ainda não sabia explicar o motivo.
Continuei a reunião, apresentando o relatório no projetor, mostrando o quanto tinha multiplicado o investimento que o Rei colocara em minhas mãos. Os números eram exorbitantes, e isso calou os lobos ao meu redor. O Rei, no fim da mesa, parecia tenso — mas não era a hora para distrações.
Quando terminei, respondi às perguntas dos investidores com objetividade. Depois todos saíram, e eu juntava minhas coisas.
O olhar fixo de Lucien sobre mim nunca era sinal de algo bom.
Guardei na maleta os documentos do balancete e me preparava para deixar a sala.
— Adam, até quando acha que vai segurar isso?
— Achou algum erro no meu trabalho? — franzi a testa.
— Hoje você foi incrivelmente competente.
— E não sou competente normalmente?
— É sim. Mas hoje você foi tão detalhista que até uma ameba entenderia.
— Então não achou a rentabilidade boa?

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