Artemísia
As palavras ásperas do pai de Liliane me pegaram desprevenida. A situação poderia virar uma carnificina a qualquer instante, e tudo o que não quero é aumentar o medo dos ômegas, ainda mais com Liliane tão sensível.
— Ninguém se mexe. — rosnei pelo elo mental, buscando a fada Ania com o olhar.
Meu pedido silencioso era claro: envolver Liliane em sua bolha de proteção antes que a aura do pai a alcançasse e tentasse submetê-la.
Aquiles emanava uma fúria silenciosa e ameaçadora. A pressão no ar aumentou no instante em que seu controle se partiu, fazendo com que o pai de Liliane recuasse, evitando se curvar e mostrar o pescoço.
— Aquiles, por favor, não. Pense em Liliane antes de agir. — implorei, nervosa.
Uma tontura me pegou desprevenida. Pisquei algumas vezes, tentando clarear a visão, que parecia pesada e distante. Minhas pernas fraquejaram, incapazes de sustentar meu peso.
— Felipe… — murmurei, antes que tudo escurecesse.
— Artemísia! — ouvi minha mãe gritar.
Tentei abrir os olhos, mas estavam pesados demais.
— Mãe? O que houve? — minha garganta seca mal permitia que a voz saísse.
— Você teve uma hemorragia, querida. Quase nos matou de susto.
— Meu filho? — sussurrei, com o coração apertado.
— Sinto muito, querida. — minha mãe estava sentada de um lado da cama, e a fada Ania, do outro.
— Liliane? — perguntei, com a voz fraca e trêmula.
— Está bem. Ela e Vanessa estão seguindo seus planos, alocando os machos em seus quartos. Seus irmãos estão rosnando atrás delas, mas isso é normal. Ela nos realocou também.
— Felipe esteve aqui há pouco, mas levou Aquiles e Adrian para conhecer o líder da cidade.
— Pela deusa! — tentei me levantar, mas a tontura e as mãos da minha mãe me impediram.
— Querida, não te ensinei que não se faz omelete sem quebrar os ovos? — disse ela com firmeza, mas suavidade. — Confie nos nossos machos.
— Mas, mãe…
— Você é uma filha que me dá muito orgulho. — ela acariciou meu rosto. — Uma Luna dedicada, mas terá que aprender a delegar. Nossos machos são os melhores do reino; treinaram com os príncipes. Se eles quiserem tacar fogo nesta cidade… que taquem.
— Mãe!
— Entre ver minha filha sangrar novamente e esta cidade em cinzas, eu não pensarei duas vezes.
— Eu amo esta cidade. Os lobos aqui nunca nos fizeram mal. Sangrarei por eles quantas vezes forem necessárias.
Ela suspirou, balançando a cabeça.
— Você não seria tão parecida com Adam nem se fosse filha de sangue… cabeça dura.
— Nisso eu concordo. — falou a fada, de sua cadeira.
— Ania, obrigada por cuidar de mim. — murmurei.
Eu sabia que o poder de cura dela estava acelerando minha recuperação.
Aquiles
Ao sentir Temi apagando, minha raiva pelo que o pai de Liliane disse se transformou em algo diferente.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...