Adam
Não precisou perguntar pela segunda vez. A dor — como se tivessem aberto meu peito e esmagado meu coração — me impedia de respirar direito e me dizia o que se passava na cabeça engenhosa dela.
— Em nenhum momento eu te pedi isso.
Levantei-me com os gêmeos no colo e coloquei-os no berço.
— Não precisa pedir. E não posso te ver morrer por minha causa.
— O que te disse a médica?
— Que cicatrizo muito lentamente. Posso nunca conseguir.
— Mas ainda há chance de conseguir, não é verdade, carinho?
Aproximo-me, passo a mão em sua cintura, puxo o corpo rígido para o meu abraço e coloco a outra mão em seu rosto.
— Você sabe tanto quanto eu: se analisarmos friamente a situação, se não colocarmos as emoções à frente, esse é o caminho mais seguro.
— Não é seguro o suficiente se pedaços da minha Luna Suprema vão ficar pelo caminho.
Ela tenta responder, mas eu a envolvo num abraço apertado e lhe roubo um beijo, ávido por afastar aquela sensação incômoda do peito. Passeio as mãos pelo corpo dela até sentir a vibração mudar. Puxo-a para dentro e fecho a porta atrás de nós. Com intenções nada puras — desde que assumiu como Luna Suprema, suas roupas têm sido uma tentação atrás da outra. Meu sentimento oscila entre achar que ela fica ainda mais linda e desejar rasgar tudo e vesti-la com uma burca.
Então paro, estático. Fico em silêncio e dou uma risada, sem acreditar no que escuto dentro da minha cabeça. Um pequeno rosnado tenta chamar minha atenção.
Vou até o berço e o pego no colo.
— Ei, garoto — digo — você não pode rosnar pro papai, entendeu?
Aquiles baixou as orelhas, fez um pequeno bico, e Eliz nos olhou curiosa.
Viro-o de frente para ela.
— Eu já tenho filhotes, Eliz. A deusa nos abençoará, no tempo certo.
Aquiles se aconchegou no meu peito depois que seus olhinhos curiosos verificaram que a mãe estava bem.
***Eliz
Depois de alimentar e cuidar dos filhotes, cumpri minha rotina noturna e deitei-me ao lado de Adam, fazendo do seu braço o meu travesseiro.
— Julgando erro contra erro, o seu é bem maior que o meu! Você sabia que eu era sua companheira e, ainda assim, se esfregou no Leon e no Atenor.
Aí peguei-o de novo.
— Engraçado. — Franzi o cenho, dei dois passos em sua direção e cruzei os braços. — Não tem reclamação por eu ter me esfregado na Ania? — Levantei as sobrancelhas e fiz uma cara debochada. Quando ele abriu a boca para responder, o celular dele tocou. O cenho se fechou; ele pegou as chaves do carro e eu corri atrás dele.
— Ajax foi ferido.
Saímos correndo para o hospital.
A tensão no carro era enorme; não sabíamos em que estado o encontraríamos.
Ao chegar ao quarto, Ajax tinha um curativo no pescoço; os braços estavam enfaixados em vários pontos, feridos profundamente e ainda sangrando. Sua companheira, ao lado dele, tinha os olhos inchados e vermelhos.
— Adam... eu matei ele... se cuida. — Ele fechou os olhos; a companheira começou a se desesperar. — Irmão, cuida dela se eu não conseguir... e do meu filhote. — falou pelo elo mental, e todos na sala ouviram claramente em suas mentes.
— Eu cuidarei de você, e você cuidará deles, meu irmão.
A cruel verdade é que talvez Adam tivesse chegado tarde demais.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...