Eliz
Desde a última semana, quando nossos lobos se uniram na floresta, sinto que o ar ao nosso redor mudou. Ele está tenso, em alerta, violento com qualquer lobo que chegue perto de mim.
Respiro fundo. Eu quero um futuro com ele, então tento relevar esse instinto de domínio. Mas, ultimamente… está sinistro.
— Não. Você não vai. — Ele está determinado a me enclausurar.
— Eu nem sei se estou grávida ainda. E, se estiver, é outro motivo para eu ir trabalhar e resolver minhas coisas antes que o filhote nasça — falo afiada, decidida.
O rosto dele passa de perturbado para preocupado. Quando respondo, ele levanta o queixo, fecha os olhos e eu leio seus lábios pedindo paciência e Selene. Quem deveria pedir paciência a ela sou eu.
Por fim, ele cruza os braços, depois pinça o nariz entre o polegar e o indicador.
— Igor já sente o cheiro do filhote. E você sabia que era algo certo. Sabia muito bem o que estava fazendo, loba branca.
Eu sabia mesmo.
Dou de ombros.
Sorrio de lado.
Aproximo-me balançando os quadris, seu olhar varrendo meu corpo — e eu amo como ele não tem controle sobre isso. Passeio as mãos pelo peitoral dele, fazendo cara de manhosa.
— Ainda assim, seis meses é muito tempo para me deixar presa — faço um bico contrariado. — Você prometeu me ouvir.
O lobo empalidece.
— Nem pense em fugir, Eliz! Você prometeu…
— Desde que você prometeu me ouvir — e não está fazendo isso agora.— tento sair do seu abraço, ele me detém.
Na minha cabeça, Nara rosna, advogando pela causa de Adam.
Ele me pega no colo. Ao que parece, agora além de me dar banho, sua nova mania é me carregar para cima e para baixo. Coloca-me sentada na cama, ajoelha-se diante de mim, flexiona uma perna e segura minha mão esquerda, apoiando-a sobre sua coxa.
— Só dessa vez… pode me ouvir, por favor? — Ele pousa a outra mão sobre minha barriga plana, e seu calor me atravessa.
O tom suplicante quase me dá dó. Quase.
Passo os dedos pelos cabelos sedosos dele, agora na altura dos ombros.
— Eu irei à Matilha do Sul pelos primeiros três meses. Depois fico aqui em casa com os gêmeos. Menos que isso não dá. É inegociável.
Minhas palavras finalmente atravessam sua armadura, embora seu rosto ainda esteja fechado pela irritação.
— Supremo, estão à sua espera para a reunião.— Ajax o chama impaciente pela terceira vez.
Ele segura minha mão e me conduz pela mansão até o auditório, onde os mil Alfas sob sua governança aguardavam. Eu usava um blazer branco, blusa verde-esmeralda de seda e uma saia lápis também branca. Estava pronta para ir ao trabalho na minha alcatéia. Mika tem levado meu guarda-roupa a sério e deixa tudo separado no closet — mesmo assim, acabei me atrasando por causa de Adam.

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