Eliz
— Acho que ele vai querer o Aquiles — arriscou Ania enquanto prendia os longos cabelos num coque alto para entrar na piscina. Ania tinha ganho um pouco mais de quadril e seios depois da gravidez; estava ainda mais parecida com uma ninfa. — Eu perguntei ao meu lobinho; ele disse que, se fosse por ele, preferiria a Artemísia, para não correr o mesmo risco do Gael.
— Eu não tinha pensado nisso. — Respirei fundo. — Pensei que o Gustavo preferisse um macho forte como herdeiro. Tenho pânico só de imaginar que meu filho possa enlouquecer por faltar uma companheira como o pai dele.
— Não é isso que todos querem? Um filhote macho forte que dê continuidade à linhagem? — Lívia ponderou, tomando seu coquetel de frutas, espreguiçada ao lado da piscina.
Tínhamos combinado duas horas só nossas por semana. Sem filhotes. Sem machos. Sem obrigações.
Dei um gemido prazeroso.
Uma fada derramava óleo morno nas minhas costas, começando a massagem relaxante à beira da piscina de borda infinita. A deusa abençoe Arcádia e suas fadas — meu corpo inteiro parecia flutuar com os apertos leves que ela me dava.
— Sabe de uma coisa? Vou até o Gustavo perguntar. Afinal, são meus filhotes; se eu não estiver aqui, quero tudo arranjado para a vida deles. — Falei, decidida.
— Para de falar assim, Eliz — Ania reclamou. — Que agouro.
— Se eu faltar, lembrem-se: vocês prometeram ajudar meus filhotes. — Lívia bufou. Ania revirou os olhos; eu as havia obrigado a jurar.
— Poderíamos marcar uma daquelas orgias, que tal? — sugeriu Ania. — Você está precisando tirar essa nuvenzinha negra da cabeça.
— Só se for nas terras do Norte, desta vez. Também não quero a matilha inteira envolvida. — respondi. Meu humor não estava nos melhores dias.
— Huum, por mim tudo bem.
Depois da massagem e de um tempo na piscina, pedi a Ania que abrisse o vórtice para o escritório do Gustavo — porque eu sabia que Adam nunca me deixaria ir lá. Lívia e Ania me acompanharam até a recepção. De lá peguei o elevador e segui sozinha.
Assim que a recepcionista ouviu meu nome, liberou minha entrada como se já soubesse quem eu era. Quando a secretária abriu a porta do escritório sóbrio e luxuoso de Gustavo, passei o olhar pelo lugar — digno de realeza.
— Eliz. — Ele puxou a cadeira para que eu me sentasse; em seguida sentou-se e ajeitou-se na própria. Embora eu tentasse disfarçar, ainda não gostava daquele olhar gélido, daquelas garras de gelo; infelizmente teria de me acostumar.
— Passei para organizar uma pendência. — Falei. — Eu deveria ter colocado isso no contrato, mas trouxe duas folhas para você assinar: indicar quem será o herdeiro. O outro será treinado como herdeiro no meu lugar.
Gustavo franziu o cenho e passou a caneta entre os dedos.
— Por que tão cedo? — perguntou.
— É só por precaução; nunca se sabe o futuro. — respondi.
— Então: Aquiles ou Artemísia? — questionei.

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