Eliz
— Isso depende de você!
Ele se jogou na poltrona. Duas empregadas entraram e se aproximaram para me despir. Segurei firme minha roupa.
Ele se levantou, e o som do tecido rasgando cortou o ar. Voltou a se sentar, frio. Cruzei os braços sobre meus seios.
— Não se cubra na minha presença. Nunca mais. Eu sou seu macho. Você, minha fêmea.
Retirei os braços, com raiva do seu tom.
As empregadas subiram o vestido em mim, rápido, e ele só teve um vislumbre fugaz dos meus seios.
— Saiam.
As duas se retiraram. Fiz menção de seguir, mas a voz dele me parou:
— Você não!—Parei no caminho se costas pra ele.
Senti suas mãos no meu pescoço. Ele ia tirar meu colar. O feitiço se esvairia. O pânico me tomou, o coração disparou, um frio rastejou pelo meu estômago. Agarrei suas mãos.
— O que pensa que está fazendo? — vi um colar de diamantes na mão dele. — Lá embaixo só terá gente da sua confiança, não é? Meu colar é a única coisa que carrego dos meus ancestrais. — Menti.
— Então fique com ele.
"Você prometeu conquistar Eliz." A voz de Nara ecoou na minha mente.
— Posso usar os dois — virei de costas e levantei o cabelo para ele prender o fecho. Quando vi seu rosto concentrado, me virei e depositei um beijo leve no canto da sua boca.
— Obrigada — sussurrei.
Ele me devolveu na mesma moeda: puxou-me pela cintura e colou sua boca à minha, num beijo ardente. Meu corpo respondeu antes da minha razão. Quando percebi, o empurrei e segui para a cerimônia, tentando disfarçar a respiração acelerada.
Perto da entrada, ele me ofereceu o braço. Entramos juntos. A nata dos lobisomens estava presente. O rei Lucien conduzia a cerimônia com palavras belas — que não refletiam nada do que éramos.
No final, Adam me colocou a aliança e deu-me um beijo singelo. Ficamos num canto recebendo cumprimentos.
— Que noiva mais adorável. Felicidades, querida.
Quando a música terminou, ele se afastou com Lívia. Adam, porém, atravessou o salão até me alcançar. Segurou-me por trás, com força.
— Que jogo perigoso está jogando, Eliz? — sua voz rouca no meu ouvido me arrepiou Ele lógico percebeu.— Então te afeto, nem que seja um pouco.
— Claro que afeta. Eu sinto asco.
Ele me cheirou. Será que percebeu a ausência do cheiro da minha loba? Eu havia tomado poção para disfarçar. Afastei-me antes que ele falasse mais.
O rei Lucien se aproximou.
— Uma boa filha à casa torna, não é, Eliz?
— Claro, rei Lucien. — Se meu olhar fosse letal, ele estaria em cinzas.
— Espero voltar para a cerimônia do seu filhote em breve.
— Será uma honra — Adam respondeu, com brilho nos olhos. — Já atrasei meu herdeiro por tempo demais.
Permaneci em silêncio. Não é sábio enfrentar um rei em público.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...